Há cidades que se conhecem pelos monumentos e outras pelo que se coloca na mesa. Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, consegue reunir as duas coisas. A cidade ficou famosa em todo o país pelos doces, uma tradição que nasceu nos casarões do século XIX e nas propriedades rurais da região, e que em 2018 foi reconhecida como patrimônio cultural brasileiro no mesmo dia em que o conjunto histórico da cidade recebeu proteção nacional.
Por que os doces de Pelotas são patrimônio do Brasil?
Pela tradição que atravessou gerações. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), as tradições doceiras da região de Pelotas foram registradas como Patrimônio Cultural do Brasil em 15 de maio de 2018, no Livro dos Saberes. O instituto explica que essa tradição se formou ao longo do século XIX.
O reconhecimento vai além da cidade. O registro abrange Pelotas e outros quatro municípios que formavam a chamada Antiga Pelotas: Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu. Juntos, eles compõem uma região doceira que reúne diferentes saberes e identidades, transmitidos de uma geração a outra.

Qual a diferença entre doces finos e coloniais?
A origem e o lugar onde eram feitos. O Iphan registra que a tradição envolve dois saberes: os doces finos, feitos nas casas da cidade, e os doces coloniais, desenvolvidos por famílias de agricultores nas áreas rurais. Os doces finos surgiram nos casarões urbanos de famílias ligadas à produção de charque, a carne salgada que movimentou a economia da região no século XIX, em uma atividade sustentada pelo trabalho de pessoas escravizadas.
Os doces finos têm sotaque português. De acordo com uma publicação do Iphan, eles se associavam à tradição doceira de Portugal, a exemplo do camafeu, do pastel de Santa Clara e da fatia de Braga. Os doces coloniais, por sua vez, são produzidos no interior por famílias de agricultores, com frutas da própria região.
O que aconteceu de inédito em Pelotas em 2018?
Dois reconhecimentos no mesmo dia. Segundo a Prefeitura de Pelotas, na mesma data em que a tradição doceira foi registrada como patrimônio imaterial, o Conjunto Histórico de Pelotas foi reconhecido como patrimônio material. A Prefeitura destaca que foi a primeira vez que o Iphan fez o registro simultâneo de patrimônio material e imaterial para uma mesma solicitação.
O conjunto inclui espaços que o visitante pode conhecer. De acordo com a Fenadoce, feira dedicada aos doces da cidade, foram reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro praças como a José Bonifácio e a Coronel Pedro Osório, além da Charqueada São João e da Chácara da Baronesa, que ajudam a contar a história da cidade.
O que visitar em Pelotas?
O roteiro combina doces, casarões e espaços históricos. Estes são alguns dos pontos mais procurados.
Os doces de Pelotas têm selo de origem?
Sim. Segundo o Sebrae RS, os Doces de Pelotas são certificados com a Indicação de Procedência, uma das modalidades de Indicação Geográfica reconhecidas no Brasil, que identifica produtos ligados a uma região conhecida por fabricá-los. O selo ajuda a garantir que o doce foi produzido seguindo a tradição local.
Para o visitante, o selo é uma forma de reconhecer o produto autêntico. Ao comprar doces em confeitarias e feiras da cidade, vale observar a identificação e conversar com os produtores sobre a origem das receitas, muitas delas guardadas por famílias há várias gerações.

Como é o clima de Pelotas ao longo do ano?
A chuva é bem distribuída, e o inverno é frio. Setembro é o mês mais chuvoso, com 149 mm em média, e julho tem mínima de 11°C e máxima de 16°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que se conhece pelo paladar
Pelotas transformou receitas portuguesas e doces de frutas do interior em patrimônio de todo o país. A tradição dos doces finos e coloniais, formada ao longo do século XIX, foi reconhecida pelo Iphan no mesmo dia em que o conjunto histórico da cidade ganhou proteção nacional, um feito inédito. Entre casarões, praças e confeitarias, a cidade gaúcha oferece uma viagem em que história e sabor caminham juntos.
Você precisa provar um camafeu em uma confeitaria do centro, caminhar pelas praças históricas e visitar o interior colonial para entender por que Pelotas é conhecida no Brasil inteiro como a terra do doce.




