Arqueólogos encontraram dentro de um recipiente de aproximadamente 4 mil anos, escavado em Külhöyük, na Turquia, restos de sementes associados à chamada “flor do amor”. A descoberta chama atenção porque a planta relacionada ao achado sobrevive atualmente em uma área extremamente restrita de Ankara, criando uma rara conexão entre a vegetação da Idade do Bronze e a flora atual da região.
Sementes estavam dentro de um recipiente hitita
O achado ocorreu em Külhöyük, sítio arqueológico localizado no distrito de Gölbaşı, na província de Ankara. Segundo informações divulgadas a partir das escavações, os restos vegetais apareceram dentro de um recipiente atribuído ao período hitita e com cerca de 4 mil anos de antiguidade.
O material foi relacionado ao gênero Centaurea, ao qual pertence a flor conhecida na Turquia como Sevgi Çiçeği, ou “flor do amor”. A descoberta foi apresentada como o registro de sementes mais antigo conhecido associado à planta, conforme noticiado pela agência turca DHA a partir de informações do Ministério da Cultura e Turismo do país.

A flor hoje sobrevive em uma pequena área de Ankara
A espécie moderna Centaurea tchihatcheffii, também chamada de Yanardöner, tem distribuição natural extremamente limitada. O órgão ambiental de Ankara informa que ela ocorre ao redor do lago Mogan, dentro da Área Especial de Proteção Ambiental de Gölbaşı, região onde também se encontra o sítio arqueológico. A descrição oficial da planta pode ser consultada no Ministério do Meio Ambiente da Turquia.
Descoberta não prova que hititas cultivavam a flor
Encontrar sementes dentro de um recipiente arqueológico levanta uma questão imediata: elas teriam sido guardadas intencionalmente? Até agora, as informações divulgadas não permitem afirmar que os habitantes de Külhöyük cultivavam a flor ou que a utilizavam para alimentação, medicina, decoração ou rituais.
Materiais vegetais podem chegar a recipientes antigos de maneiras diferentes. Eles podem ter sido coletados pelas pessoas que viviam no local, misturados a outros produtos armazenados ou introduzidos posteriormente pelo solo e pelo ambiente. Para distinguir essas possibilidades, pesquisadores precisam considerar a posição do objeto, sua camada arqueológica e as condições em que as sementes foram preservadas.
Há ainda uma cautela importante na identificação. Embora o anúncio relacione os restos à atual “flor do amor”, referências sobre o achado descrevem as sementes antigas como pertencentes a Centaurea, um gênero que reúne diversas espécies. Estudos arqueobotânicos detalhados poderão indicar até que ponto é possível associar diretamente o material de quatro milênios atrás à Centaurea tchihatcheffii existente hoje.
Külhöyük já revelou outros vestígios de plantas antigas
A descoberta não surgiu isoladamente. Pesquisas arqueobotânicas anteriores em Külhöyük já identificaram vestígios de cevada, trigo, lentilha, ervilhaca e diferentes plantas silvestres em camadas datadas do segundo milênio antes de Cristo. Amostras de níveis mais antigos também apresentaram cereais e sementes de uva.
Essas análises ajudam os arqueólogos a reconstruir não apenas o que as populações antigas comiam, mas também o ambiente vegetal ao redor dos assentamentos. Resultados das pesquisas realizadas em Külhöyük aparecem em publicações oficiais das campanhas arqueológicas do Ministério da Cultura e Turismo da Turquia.

Uma planta rara que também enfrenta problemas de conservação
A “flor do amor” não é relevante apenas pela descoberta arqueológica. A espécie é considerada parte importante do patrimônio natural de Gölbaşı e recebe ações de conservação e reprodução. A Universidade Atılım mantém um projeto dedicado ao cultivo, coleta de sementes e conscientização sobre a Centaurea tchihatcheffii, mostrando como sua sobrevivência atual depende de medidas de proteção.
O que os pesquisadores ainda precisam esclarecer
O principal próximo passo é detalhar a identificação botânica das sementes e entender como elas chegaram ao recipiente. Também será necessário estabelecer com precisão o contexto arqueológico do objeto e comparar suas características com exemplares modernos da planta e de outras espécies do gênero Centaurea.
Mesmo sem provar que a flor era cultivada pelos hititas, o achado já acrescenta uma informação incomum sobre a vegetação antiga de Ankara. Se análises posteriores confirmarem uma ligação mais específica com a espécie que sobrevive atualmente em Gölbaşı, as sementes poderão oferecer um registro de milhares de anos sobre uma planta que hoje está restrita a um pequeno trecho da mesma região onde o recipiente foi encontrado.




