Um navio de guerra percorreu 765 quilômetros de Itajaí ao Rio para entrar na esquadra. Ele é só o primeiro de quatro.
O Programa Fragatas Classe Tamandaré reúne quatro navios de escolta construídos em solo catarinense, num contrato de R$ 12 bilhões. A primeira unidade já foi incorporada, e é o que vem depois dela que define o tamanho real dessa encomenda.
Onde os navios nascem: o estaleiro de Itajaí
As quatro fragatas saem do mesmo lugar, o Estaleiro Brasil Sul, da TKMS, em Itajaí. É ali que Santa Catarina virou o centro da estratégia naval brasileira.
A construção usa a técnica de blocos: seções montadas separadamente e depois unidas até formar o casco completo. Com pelo menos 40% de conteúdo local, o programa transfere tecnologia de engenharia naval e de sistemas de combate para o Brasil, algo que o país não dominava.

A primeira já está na esquadra
A Fragata Tamandaré, a F200, deixou de ser projeto e virou navio de guerra ativo. Segundo a Agência Marinha de Notícias, ela dá nome à classe e foi a primeira das quatro a ser lançada.
Depois de percorrer cerca de 765 quilômetros de Itajaí até o Rio de Janeiro, a embarcação foi incorporada oficialmente à Marinha em 24 de abril de 2026. É a mais moderna já construída no país, capaz de atuar ao mesmo tempo contra ameaças na superfície, no ar e sob a água, a até 25 nós, cerca de 47 km/h.
As três que ainda estão sendo erguidas
Enquanto a F200 já navega, as outras três avançam em ritmos diferentes no mesmo estaleiro. Cada uma está numa fase distinta do processo.
- Jerônimo de Albuquerque (F201): lançada ao mar para testes em junho de 2025, deve iniciar os testes de mar no segundo semestre de 2026.
- Cunha Moreira (F202): teve a montagem dos blocos iniciada em 2025 e lançamento ao mar previsto para julho de 2026, com incorporação estimada para 2028.
- Mariz e Barros (F203): a mais nova, teve o corte da primeira chapa de aço em 9 de janeiro de 2026.
• F201 (Jerônimo de Albuquerque): Início previsto dos testes operacionais de mar no segundo semestre de 2026.
• F202 (Cunha Moreira): Lançamento planejado para julho de 2026, com entrega definitiva prevista para 2028.
• F203 (Mariz e Barros): Fase inicial de corte de chapas de aço disparada em janeiro de 2026.
O momento em que o estaleiro atinge o auge
O corte da chapa da F203 não foi um marco qualquer. Com ele, o estaleiro de Itajaí passou a trabalhar nas quatro embarcações simultaneamente, atingindo sua capacidade máxima de produção.
Esse é o instante de pico do programa: quatro navios de alta complexidade tecnológica sendo erguidos ao mesmo tempo, lado a lado, no litoral catarinense. Um estágio que o projeto levou anos para alcançar.
O tamanho real da encomenda
Aqui está a dimensão que os números escondem quando se olha só para os navios. A encomenda da Marinha vai muito além do aço que flutua.
O contrato movimenta R$ 12 bilhões, viabilizados pelo novo PAC do governo federal, e gera cerca de 23 mil empregos diretos e indiretos. Não é só a compra de quatro navios: é a instalação de uma cadeia industrial de defesa que não existia com essa densidade no país.
Para um Brasil com litoral extenso e a chamada Amazônia Azul a defender, cada fragata cumpre missões de escolta, patrulha e defesa antiaérea e antissubmarino. A conta de R$ 12 bilhões compra capacidade militar, mas também soberania tecnológica.

De Itajaí para a defesa nacional
O que começou como um contrato de compra virou um polo. Santa Catarina consolidou-se como base da indústria naval militar, atraindo até visitas de embaixadores estrangeiros ao estaleiro.
Para o jovem que pensa em carreira, o programa abre portas na Força que vão de mecânico de máquinas a oficial e aviador naval, o que se conecta à discussão sobre estabilidade e planejamento financeiro de longo prazo que uma carreira pública oferece. E antes de qualquer alistamento, há sempre o acerto das obrigações civis, como a regularização de documentos pelo celular.
O que muda daqui para frente é o calendário. Com a F202 prevista para lançamento em julho de 2026 e a F203 recém-iniciada, o programa entra na reta em que cada ano deve entregar um novo navio à esquadra. Até a última fragata tocar a água, o estaleiro de Itajaí seguirá sendo o coração da mais ambiciosa aposta naval brasileira em décadas.
Este conteúdo é informativo. Datas e etapas do programa podem sofrer alterações; confirme sempre nos canais oficiais da Marinha do Brasil.



