Por que palavras tão comuns como “sessão” e “senso” ainda derrubam tanta gente nas provas de concurso em 2026? A confusão entre o S e o C não é só um problema de quem escreve pouco, ela está enraizada na própria fonética da língua, que iguala o som dessas letras em vários contextos e faz com que palavras com S grafadas com C sejam um dos erros mais persistentes entre estudantes e concurseiros.
Por que o S e o C causam tanta confusão na hora de escrever?
O português tem um grupo numeroso de palavras homófonas, termos com som idêntico mas grafia diferente. Quando o C assume o som de /s/ diante das vogais E e I, ele se torna foneticamente indistinguível do S.
É o caso de pares como acender e ascender, em que a diferença de uma única letra decide se a frase fala de fogo ou de subir na vida.

Sessão (com S) no lugar de cessão (com C)
Sessão vem do latim sessio e significa um intervalo de tempo dedicado a uma atividade. Fala-se em sessão de cinema, sessão de terapia ou sessão plenária. Já cessão, com C, deriva do verbo ceder e significa o ato de transferir algo a alguém.
Um enunciado clássico de prova pergunta: “A ______ dos direitos autorais foi assinada ontem”. A resposta é cessão, e não sessão, porque o contexto fala de transferência, não de evento.
Senso (com S) no lugar de censo (com C)
Senso vem do latim sensus e está ligado à capacidade de julgar e perceber. É a palavra correta em bom senso e senso crítico. Censo, com C, vem de census e designa o levantamento estatístico feito pelo IBGE para contar a população.
Ninguém quer que as pessoas tenham “bom censo”, até porque o censo é um procedimento técnico, não uma qualidade moral. A dica para não errar é lembrar que censo e recenseamento pertencem à mesma família de palavras, todas grafadas com C.
Ascender (com S) no lugar de acender (com C)
O verbo ascender, com S, significa subir, elevar-se. Vem do latim ascendere e é o verbo usado em frases como “ela ascendeu na carreira”. Já acender, com C, significa atear fogo, ligar a luz ou pôr em funcionamento.
O erro aparece com frequência em redações quando o candidato escreve “acender socialmente” em vez de “ascender socialmente”. A dica é associar o S de ascender com subir: as duas palavras começam com a mesma letra.
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Suspenso (com S) no lugar de suspenço (com C)
Suspenso é a forma correta do particípio do verbo suspender, que vem do latim suspensus. O mesmo vale para suspensão, que muita gente escreve com Ç, mas também se grafa com S.
A regra que ajuda a memorizar é a seguinte: verbos terminados em -ender costumam formar substantivos com S, não com Ç. De pretender fazemos pretensão, de compreender fazemos compreensão e de suspender fazemos suspensão.
Conserto (com S) no lugar de concerto (com C)
Conserto, com S, é o reparo de algo quebrado. Concerto, com C, é uma apresentação musical ou um acordo entre partes. As duas palavras existem e estão corretas, mas os significados não poderiam ser mais diferentes.
Uma frase como “fui ao concerto da orquestra” está certa; já “fui ao conserto da orquestra” sugere que os músicos estavam com defeito. Para não errar, troque a palavra duvidosa por reparo ou espetáculo e veja qual delas se encaixa melhor.

Como gravar de vez a diferença entre esses pares homófonos?
As palavras homófonas que confundem S e C costumam vir do latim por rotas diferentes: as que chegaram pelo particípio passado mantiveram o S, enquanto as que vieram por outras vias trouxeram o C. Aprofundar essa etimologia ajuda, mas a solução mais prática continua sendo a leitura frequente.
A página sobre homofonia na Wikipédia explica que a semelhança sonora entre palavras de grafia distinta é um fenômeno comum a várias línguas e que a melhor forma de dominar essas diferenças é a exposição repetida aos contextos corretos de uso. Uma rotina de dez minutos diários de leitura de notícias, artigos e livros é suficiente para que o cérebro registre a grafia certa sem esforço consciente, transformando o que antes era dúvida em automatismo.









