O cachorro que começa a lamber as patas todas as noites depois dos passeios na grama pode não estar apenas criando um novo hábito. Com a chegada da primavera, o aumento da exposição a pólen, gramíneas e outros elementos do ambiente pode desencadear coceira e revelar um quadro que merece avaliação veterinária.
A lambedura das patas pode ser um sinal de coceira
Lamber as patas ocasionalmente faz parte do comportamento normal dos cães, principalmente depois de caminhar em locais úmidos ou sujos. O cenário muda quando a lambedura se torna frequente ou intensa, aparece sempre depois dos passeios ou faz o animal interromper outras atividades para continuar mordendo e lambendo os pés.
Segundo o Manual Veterinário Merck, a coceira é um dos principais sinais das alergias em cães, e patas, face e orelhas estão entre as regiões frequentemente afetadas. Alguns animais também esfregam o rosto, mordem os pés ou apresentam irritação em outras partes do corpo.
Por que a primavera pode piorar o problema
As alergias ambientais podem ter um padrão sazonal. Pólens de árvores, ervas e gramíneas estão entre os possíveis alérgenos envolvidos na dermatite atópica, e a exposição pode aumentar em determinadas épocas do ano. A Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Cornell informa que a coceira da dermatite atópica apresenta componente sazonal em parte dos cães afetados, embora também possa ocorrer durante todo o ano.

O passeio na grama ajuda a revelar uma possível relação
Quando a lambedura aparece repetidamente depois de o cachorro caminhar na grama, a sequência pode oferecer uma pista importante ao veterinário. Patas, barriga e pernas entram em contato direto com vegetação, solo e partículas do ambiente, aumentando a exposição da pele durante o passeio.
Isso não significa que todo cão que lambe os pés depois de sair tenha alergia ao pólen. Ferimentos, espinhos, pequenos corpos estranhos, parasitas, irritações por contato, infecções e até dor também podem provocar comportamento semelhante. O American Kennel Club orienta observar inclusive a região entre os dedos, unhas e almofadas quando a lambedura surge de maneira repentina.
O padrão também faz diferença. Quando apenas uma pata é afetada, por exemplo, uma lesão ou objeto preso entre os dedos pode entrar entre as suspeitas. Quando várias patas coçam e o problema retorna em certas épocas, o histórico de exposição ambiental passa a ter mais relevância na investigação.
Lamber demais pode criar um ciclo de irritação
A própria lambedura pode agravar o quadro. O atrito repetitivo e a umidade da saliva prejudicam a pele já irritada, e lesões provocadas pelo ato de morder ou coçar podem favorecer infecções secundárias por bactérias ou leveduras. A VCA Animal Hospitals explica que alergias estão entre as causas comuns da coceira nas patas e que esse processo pode formar um ciclo de coceira e irritação.
Algumas alterações ajudam o tutor a perceber que já não se trata de uma simples limpeza das patas:
- vermelhidão entre os dedos ou sobre as patas;
- lambedura ou mordidas que acontecem todos os dias;
- queda de pelos ou mudança na cor da pelagem pela saliva constante;
- inchaço, feridas, secreção ou mau cheiro;
- coceira também nas orelhas, face, barriga ou outras regiões.

O veterinário precisa separar alergia de outras causas
A época do ano e o contato com a grama ajudam a construir o histórico, mas não são suficientes para fechar um diagnóstico. O veterinário pode precisar investigar parasitas, infecções, alergias alimentares, corpos estranhos e outras doenças de pele antes de concluir que existe uma reação ambiental.
Também não existe uma única solução adequada para todos os cães. Dependendo da causa e da intensidade dos sintomas, o tratamento pode envolver controle da exposição, cuidados com a pele e medicamentos prescritos pelo profissional. Usar por conta própria pomadas ou remédios destinados a humanos pode mascarar o problema ou trazer riscos.
O que observar depois dos próximos passeios
Enquanto a causa é investigada, o tutor pode registrar quando a coceira começa, quais locais foram visitados e se há piora depois do contato com grama ou vegetação. Limpar suavemente patas e áreas que encostaram no solo após o passeio também pode ajudar a remover partículas aderidas, uma medida citada por entidades veterinárias para reduzir a exposição ambiental.
Se a lambedura persistir, aumentar ou vier acompanhada de vermelhidão, feridas, inchaço, secreção, mau cheiro ou dificuldade para andar, a avaliação veterinária não deve ser adiada. O comportamento que parecia apenas um novo hábito pode ser justamente a forma mais visível de o cachorro mostrar que a pele está coçando — e perceber a relação com a primavera pode ajudar a chegar mais rápido à causa correta.




