Cuidar da pele e do corpo não exige dietas extremas nem transformar o exercício em punição depois de comer mais. Para Claudia Popa, química e especialista em dermocosmética e formulação, o caminho passa por hidratação, alimentação equilibrada, movimento e descanso trabalhando juntos.
Especialista defende menos cobranças e cuidados mais consistentes
A proposta apresentada por Claudia Popa em entrevista publicada pelo El Español, em 14 de agosto de 2026, parte de uma ideia simples: bem-estar não deveria significar acumular regras. A especialista, que também é fundadora da EIRALABS, relaciona o cuidado diário a pequenos ajustes sustentáveis em vez de rotinas difíceis de manter.
Essa lógica ganha espaço principalmente em períodos nos quais os horários mudam, o sono fica irregular e a alimentação sai da rotina. Em vez de tentar compensar esses dias com restrição alimentar ou treino excessivo, a recomendação é observar as necessidades do organismo e retomar hábitos básicos.

Alimentação não precisa virar uma dieta extrema
Popa sugere olhar além da quantidade de calorias e prestar atenção também em como o corpo responde às refeições. Verduras, frutas, proteínas de digestão mais simples, azeite de oliva extravirgem, abacate e oleaginosas estão entre os alimentos mencionados pela especialista para montar refeições mais leves sem abandonar a variedade nutricional.
A orientação está alinhada, em termos gerais, aos princípios apresentados pela Organização Mundial da Saúde. Em atualização publicada em janeiro de 2026, a OMS afirma que uma alimentação saudável deve considerar quatro pontos centrais: adequação, equilíbrio, moderação e diversidade, com prioridade para alimentos pouco ou não processados.
Outro comportamento citado é comer mais devagar. A ideia é perceber melhor os sinais de saciedade e evitar um padrão no qual a pessoa restringe demais a alimentação durante o dia para depois chegar à noite com fome intensa.
Hidratação também interfere na rotina de cuidados
Nos períodos de calor e maior transpiração, a atenção não deve ficar apenas na quantidade de água ingerida. Popa lembra que o organismo também perde minerais e cita melancia, melão e frutas cítricas, além de fontes alimentares de potássio e magnésio, como opções que podem fazer parte de uma alimentação variada.
Cuidar de dentro não substitui o protetor solar
A expressão “cuidar de dentro” pode causar uma interpretação errada se for entendida como substituição dos cuidados dermatológicos. A própria especialista ressalta que alimentação e nutrientes devem funcionar como parte de um conjunto, e não tomar o lugar da fotoproteção ou dos produtos tópicos adequados para cada pele.
A American Academy of Dermatology recomenda protetor solar com FPS 30 ou superior, proteção de amplo espectro contra UVA e UVB e resistência à água. A entidade também orienta a reaplicação durante a exposição, especialmente após nadar, suar ou se secar com toalha.

Exercício não deve funcionar como castigo por comer mais
A mesma lógica vale para a atividade física. Popa rejeita a ideia de usar exercícios como compensação por excessos na alimentação ou nas bebidas e cita alternativas simples, como caminhar, nadar ou fazer sessões curtas de treinamento de força.
Isso não significa que exercício seja dispensável. A OMS reforça os benefícios da atividade física para a saúde e considera que algum movimento é melhor do que nenhum; o ponto é separar uma rotina saudável da lógica de punição depois de uma refeição ou de um período fora dos hábitos habituais.
O sono fecha a estratégia de cuidado diário
O descanso aparece como outro componente que costuma ser deixado em segundo plano. Calor, compromissos sociais, horários diferentes e refeições tardias podem reduzir ou fragmentar o sono, aumentando a sensação de cansaço no dia seguinte e alterando também a aparência da pele.
Entre os ajustes mencionados estão jantar com antecedência antes de deitar, diminuir o contato com telas no período noturno, manter o ambiente confortável e reservar alguns minutos para desacelerar. São medidas simples que combinam com a proposta central da especialista: não adicionar mais obrigações, mas organizar melhor os hábitos que já fazem parte do cotidiano.
Suplementos precisam ser vistos como complemento
Popa também relata o uso de produtos de suplementação em sua própria rotina, incluindo fórmulas com ingredientes como creatina monohidratada, magnésio, vitamina C, peptídeos de colágeno e outros compostos. Isso, porém, não significa que suplementos sejam necessários para todas as pessoas ou que produzam os mesmos resultados em qualquer organismo.
No Brasil, a Anvisa esclarece que suplementos têm a função de complementar a alimentação, e não substituir uma dieta saudável. Antes de adotar qualquer produto para pele, desempenho, sono ou alimentação, especialmente em caso de doenças ou uso de medicamentos, a avaliação individual com um profissional de saúde ajuda a evitar escolhas desnecessárias ou inadequadas.
O que aplicar dessa ideia na rotina
A mensagem prática não é abandonar dieta, exercício ou cosméticos, mas evitar soluções extremas. Alimentação variada, movimento regular, hidratação, proteção solar e descanso formam uma estratégia mais ampla e realista do que tentar corrigir alguns dias fora da rotina com restrições ou excesso de treinamento.
Para quem quer começar, a mudança pode ser pequena: regularizar refeições e sono, voltar a se movimentar e manter a fotoproteção diária antes de acrescentar novas regras ou produtos. A proposta defendida por Claudia Popa é justamente essa: fazer menos, mas fazer melhor, respeitando as necessidades do corpo em vez de transformar autocuidado em mais uma fonte de cobrança.




