Uma simples caixa de papelão pode fazer mais pelo bem-estar de um gato do que alguns brinquedos caros. O veterinário Carlos Gutiérrez explica que ela permite brincar, se esconder e observar o ambiente, enquanto pesquisas indicam que oferecer um local de refúgio pode ajudar a reduzir sinais de estresse em felinos.
A caixa funciona como brinquedo e também como esconderijo
Em reportagem publicada pelo El Español, Gutiérrez destaca a caixa de papelão como um recurso especialmente interessante para gatos. O animal pode entrar, ficar agachado, observar o lado de fora e tentar capturar objetos através de aberturas, reunindo abrigo e brincadeira no mesmo espaço.
Esse comportamento combina com uma característica importante dos felinos: eles gostam de ter locais onde possam se retirar quando desejam descansar ou avaliar uma situação antes de se aproximar. A caixa cria uma espécie de barreira visual, reduzindo a exposição e permitindo que o gato escolha quando quer sair e interagir.

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Objetos simples também podem estimular o instinto de caça
O veterinário lembra que enriquecer o ambiente não exige necessariamente comprar acessórios novos. Objetos domésticos podem produzir movimento, ruídos e irregularidades que despertam a curiosidade e estimulam comportamentos associados à perseguição e captura, desde que sejam oferecidos com segurança e supervisão.
- Tubos de papelão: rolam de maneira irregular pelo chão e podem funcionar como pequenas “presas”.
- Caixas com aberturas: permitem esconder brinquedos e incentivar o gato a tentar alcançá-los com as patas.
- Toalhas ou mantas: podem esconder um brinquedo movimentado por baixo do tecido e estimular a perseguição.
- Meia com papel: uma meia limpa preenchida com bolas de papel pode formar um brinquedo maior para agarrar e chutar.
Esses recursos exploram comportamentos que já fazem parte do repertório felino. As diretrizes sobre necessidades ambientais da Feline Veterinary Medical Association e da International Society of Feline Medicine recomendam oferecer aos gatos oportunidades de brincar, caçar e se esconder, além de locais seguros para descanso.
Há estudos mostrando redução de estresse com caixas
O interesse pelas caixas não se limita à observação de que os gatos gostam de entrar nelas. Um estudo publicado na PLOS ONE acompanhou 23 gatos de abrigo divididos entre um grupo que recebeu uma caixa para se esconder e outro que permaneceu sem esse recurso durante os primeiros dias de adaptação.
Os gatos que tiveram acesso à caixa apresentaram uma redução mais rápida nos escores comportamentais de estresse. Eles atingiram um nível mais baixo e estável aproximadamente sete dias antes do grupo sem esconderijo, embora a presença da caixa não tenha impedido a perda de peso observada em vários animais durante a permanência no abrigo.
Pesquisas mais recentes reforçam o papel do esconderijo
Uma revisão publicada em 2025 analisou cinco estudos controlados sobre caixas utilizadas como esconderijo por gatos hospitalizados. Quatro deles apresentaram evidência considerada moderada de que oferecer esse tipo de abrigo estava associado a menor medo ou estresse comportamental.
Os resultados fisiológicos foram menos consistentes: medidas como cortisol e temperatura não mostraram diferenças significativas em todos os trabalhos. Isso significa que a caixa não deve ser vista como um tratamento contra ansiedade, mas como uma ferramenta simples de enriquecimento ambiental capaz de tornar determinadas situações menos desconfortáveis.

Por que os gatos procuram lugares pequenos e protegidos
Um esconderijo oferece ao animal algo particularmente valioso: controle sobre o ambiente. Dentro de uma caixa, o gato consegue limitar a quantidade de estímulos que chegam até ele e, ao mesmo tempo, acompanhar o que acontece do lado de fora antes de decidir se permanece protegido ou sai para explorar.
Esse comportamento pode ficar ainda mais evidente diante de visitas, mudanças de móveis, chegada a uma casa nova ou outros acontecimentos que alteram a rotina. Ter um lugar previsível e seguro ajuda o animal a lidar com novidades sem ser obrigado a permanecer exposto durante todo o tempo.
Nem todo objeto doméstico é seguro para virar brinquedo
Gutiérrez alerta que a criatividade precisa vir acompanhada de cuidados. Peças muito pequenas podem ser engolidas, enquanto linhas, barbantes e fios finos representam um risco especialmente sério se forem ingeridos; caixas reutilizadas também devem ser examinadas para retirar grampos, fitas soltas ou partes pontiagudas.
A caixa ideal deve estar limpa, seca, firme e ter tamanho suficiente para que o gato entre e saia sem ficar preso. Se o animal começar a arrancar e engolir pedaços do papelão ou demonstrar qualquer comportamento perigoso, o objeto deve ser retirado; a vantagem da caixa está justamente em oferecer diversão e segurança ao mesmo tempo.




