Antes de a eletricidade chegar a grande parte dos lares brasileiros, os candeeiros antigos ajudavam a iluminar cozinhas, quartos e salas durante a noite. Feitos geralmente de metal, esses objetos utilizavam óleo, azeite ou querosene para manter uma pequena chama acesa e permitir que as famílias continuassem suas atividades depois do pôr do sol.
Como funcionavam os antigos candeeiros usados nas casas brasileiras?
O funcionamento era simples e não dependia de fios, baterias ou qualquer instalação elétrica. O candeeiro possuía um reservatório de combustível e um pavio, geralmente de algodão, que absorvia o líquido e o conduzia até a extremidade onde a chama era acesa. Esse processo, conhecido como capilaridade, permitia que o combustível continuasse alimentando o fogo.
O segredo estava justamente no pavio, que funcionava como uma ligação entre o combustível armazenado e a chama. Enquanto houvesse líquido disponível e condições adequadas de combustão, o candeeiro poderia permanecer aceso. A plataforma Brasiliana Museus registra um exemplar brasileiro do século XIX, produzido em Goiás, com recipiente para azeite e um bico destinado ao pavio de algodão.

Por que o candeeiro era tão importante na rotina das famílias?
Em residências sem fornecimento de energia elétrica, a chegada da noite limitava tarefas que dependiam de iluminação. Os candeeiros permitiam continuar atividades como preparar refeições, conversar, costurar e circular pelos cômodos. A luz amarelada era muito mais fraca do que a iluminação elétrica atual, mas fazia diferença em ambientes que, de outra forma, permaneceriam escuros.
Era comum que a iluminação se concentrasse nos espaços ocupados pela família, em vez de alcançar toda a residência. Um candeeiro podia ser transportado entre cômodos ou colocado sobre um móvel, dependendo do modelo. Nas regiões rurais e em localidades com acesso limitado à eletricidade, esses objetos continuaram presentes mesmo depois de as lâmpadas elétricas começarem a se espalhar pelos centros urbanos.
Óleo, azeite e querosene alimentavam diferentes modelos
Nem todos os candeeiros utilizavam o mesmo combustível ou apresentavam o mesmo formato. As versões mais simples tinham pequenos recipientes metálicos, enquanto outros modelos contavam com reservatórios maiores e mecanismos para ajustar o pavio. O querosene ganhou espaço como combustível para iluminação, embora as candeias alimentadas por óleo e azeite também fizessem parte da história doméstica.
O Museu de História Julio de Castilhos, no Rio Grande do Sul, preserva um lampião a querosene com estrutura metálica, proteção de arame e recipiente de vidro. Diferentemente dos candeeiros mais simples, muitos lampiões possuíam proteção ao redor da chama, o que ajudava a reduzir a influência do vento durante o uso e facilitava o transporte em determinadas condições.
O pavio precisava de cuidados para iluminar melhor
Manter um candeeiro funcionando exigia atenção frequente. Com o uso, a ponta do pavio podia ficar carbonizada, produzindo uma chama irregular e aumentando a formação de fumaça. Era necessário ajustar ou aparar essa extremidade para melhorar a combustão e recuperar parte da intensidade da luz.
Esse cuidado era tão comum que existiam utensílios específicos para aparar pavios. Uma exposição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro apresenta a espevitadeira, instrumento utilizado para retirar partes queimadas de velas e lamparinas. A manutenção ajudava a controlar a chama, mas não eliminava os riscos de queimaduras, incêndios e fuligem associados ao uso de fogo dentro das residências.

A chegada da eletricidade mudou o destino dos candeeiros
A substituição dos candeeiros pelas lâmpadas elétricas não aconteceu ao mesmo tempo em todo o Brasil. Enquanto algumas cidades começaram a utilizar sistemas de iluminação elétrica ainda no século XIX, comunidades rurais e localidades distantes dos grandes centros permaneceram dependentes de soluções tradicionais por muito mais tempo. A eletrificação gradual transformou hábitos domésticos e ampliou as possibilidades de atividades noturnas.
Com a expansão das redes de distribuição de energia, acender uma lâmpada passou a ser mais prático do que abastecer e cuidar de um candeeiro. A eletricidade também permitiu iluminar diferentes ambientes sem manter chamas abertas. Mesmo assim, em determinadas regiões, os antigos equipamentos continuaram sendo usados como alternativa durante apagões ou em lugares onde o fornecimento ainda não estava disponível.
O que aconteceu com os candeeiros antigos e quais cuidados merecem hoje?
Atualmente, muitos candeeiros sobrevivem como peças de decoração, lembranças familiares e objetos de coleções históricas. Museus preservam exemplares que mostram diferenças de fabricação, materiais e combustíveis utilizados em diferentes épocas. Um deles pertence ao Museu das Bandeiras, na Cidade de Goiás, e foi produzido em folha de flandres no século XIX, demonstrando como objetos aparentemente simples ajudam a contar a história da vida cotidiana.
Quem possui um candeeiro antigo deve priorizar sua conservação e evitar acendê-lo sem avaliação de suas condições. Reservatórios corroídos, vazamentos e pavios inadequados representam riscos, especialmente quando existe combustível inflamável envolvido. Mais do que uma fonte de luz, o candeeiro antigo é hoje um testemunho de uma época em que iluminar a casa exigia combustível, manutenção e cuidado diário.




