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Um motorista com infrações cometidas em junho de 2020 tentou derrubar 2 processos de cassação abertos em agosto de 2024, mas o TJSP decidiu que o prazo de 5 anos ainda não havia acabado

Por Patrick Silva
20/08/2026
Em Notícias
Um motorista com infrações cometidas em junho de 2020 tentou derrubar 2 processos de cassação abertos em agosto de 2024, mas o TJSP decidiu que o prazo de 5 anos ainda não havia acabado

Infrações antigas geraram processos de cassação e uma disputa judicial sobre a contagem do prazo de cinco anos. - imagem ilustrativa

Um condutor cometeu infrações em 2020 e acreditou que o risco de punição e cassação da habilitação já estava prescrito. Quatro longos anos depois, ele foi duramente surpreendido com a abertura de dois processos no Detran, bloqueando sua licença. A história de Antônio é baseada em casos reais, mas o nome é fictício para ilustrar por que a contagem do tempo na lei não perdoa descuidos.

Como surgiram as pesadas infrações antigas de Antônio?

Antônio usava o veículo diariamente para trabalhar e resolver todas as pendências de sua casa. Em meados de junho de 2020, durante um período de muita pressa e extrema desatenção pessoal, ele cometeu infrações graves consecutivas que abalaram profundamente o seu histórico como condutor.

Naquele momento tenso no trânsito urbano, as notificações impressas chegaram pelo correio. Como o Detran estadual demorou muito tempo para finalizar a etapa burocrática, ele acreditou sinceramente que o órgão estatal havia esquecido o seu caso, esquecido em alguma gaveta administrativa.

Um motorista com infrações cometidas em junho de 2020 tentou derrubar 2 processos de cassação abertos em agosto de 2024, mas o TJSP decidiu que o prazo de 5 anos ainda não havia acabado
Infrações antigas geraram processos de cassação e uma disputa judicial sobre a contagem do prazo de cinco anos. – imagem ilustrativa

O que aconteceu quando ele acreditou que estava livre?

O alívio provisório durou muito pouco. Em pleno mês de agosto de 2024, o sistema digital do departamento instaurou oficialmente os dois processos punitivos, bloqueando sumariamente a sua capacidade e o seu direito de continuar dirigindo pelas ruas da cidade.

Inconformado com a aparente demora de mais de quatro anos, o motorista contratou defesa e acionou o Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele exigia a extinção imediata das punições, alegando que a máquina estatal havia perdido o prazo legal para puni-lo pelas falhas isoladas de 2020.

Um motorista com infrações cometidas em junho de 2020 tentou derrubar 2 processos de cassação abertos em agosto de 2024, mas o TJSP decidiu que o prazo de 5 anos ainda não havia acabado
Infrações antigas geraram processos de cassação e uma disputa judicial sobre a contagem do prazo de cinco anos. – imagem ilustrativa

Mas afinal, o que a lei diz sobre a prescrição das multas?

E se o atraso dos fiscais parecia motivo mais do que suficiente para perdoar a infração, a legislação federal impõe uma matemática bastante fria e rigorosa. No Brasil, o prazo para que o Estado perca o direito de aplicar as pesadas penalidades de trânsito é regulado normativamente pelo Conselho Superior.

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A Resolução Contran nº 723/2018, em seu artigo 24, determina com clareza o longo limite de cinco anos para a prescrição da ação punitiva. Como as faltas ocorreram e os processos abriram dentro dessa margem legal, os magistrados confirmaram que o tempo limite ainda estava plenamente ativo.

Leia também: Em trabalho de parto, uma gestante ouviu que o bebê estava em sofrimento fetal e pegou uma ambulância para outro hospital; a indenização caiu de R$ 100 mil para R$ 20 mil porque urgência gestacional era cobertura obrigatória

Quais são as regras exatas para a contagem desse tempo?

A matemática estatal da prescrição não permite interpretações flexíveis ou atalhos milagrosos para quem tenta escapar das penalidades. Os requisitos que regem esse engessado calendário burocrático das ruas brasileiras são os seguintes:

⏳
Prazo quinquenal
O departamento possui até cinco anos inteiros, contados a partir da data da infração, para abrir o procedimento de punição.
📅
Marco inicial
Na reincidência perigosa, a contagem de tempo começa no exato dia seguinte ao encerramento administrativo da multa que a gerou.
📑
Andamento regular
Se a autoridade competente movimentar a documentação exigida sem deixá-la abandonada, o processo segue possuindo total validade.

O sistema age para arrecadar ou para proteger as vias?

Esse dilatado prazo de meia década não existe unicamente para garantir o implacável caixa das administrações públicas estaduais. Ele existe porque a dura exclusão de motoristas exige sempre um amplo direito de defesa, o que naturalmente arrasta os ritos administrativos com lentidão pelos anos seguintes.

O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que a vida das pessoas deve ser a prioridade suprema. Eliminar a carteira de quem acumula atitudes irregulares visa preservar a segurança viária e o bem-estar de todos, independentemente da natural vagareza institucional do poder público em dar as respostas.

O que muda quando comparamos o cálculo de Antônio com o caminho legal?

A frustrante diferença entre a esperança temporária de Antônio e o real funcionamento da engrenagem estatal não reside na injustiça da cobrança, mas num forte equívoco de interpretação sobre os limites cronológicos das instituições.

A comparação entre a pressa do condutor e o que a tabela jurídica nacional exige do Estado fica evidente abaixo:

EtapaO que Antônio fezO que a lei exige
Infração A autuaçãoCometeu o erro em 2020Registrar o fato no sistema
Espera O tempoAchou que prescrevia em 4 anosPrazo é de cinco anos inteiros
Ação O processoTentou anular na via judicialAbertura válida até 2025
Defesa O ritoContou apenas com a demoraGarantir que a multa não pare

O que se aprende com a história de Antônio?

A história de Antônio carrega nome fictício, mas a amarga surpresa de ter a CNH bloqueada anos após a infração reflete uma ilusão perigosa cultivada por muitos condutores. O esquecimento dele sobre o erro não curou as infrações. A falha custosa foi depositar as fichas no relógio, desconhecendo que o limite de tolerância estatal abrange duradoura meia década de fiscalização.

Quem realmente quer evitar suspensões de longo prazo precisa seguir esse roteiro: manter extremo cuidado com a validade das próprias atitudes ao volante, monitorar ativamente qualquer notificação de autuação pelo aplicativo oficial do governo, e protocolar os devidos recursos técnicos na janela imediata de trinta dias iniciais. É muito mais cauteloso e angustiante do que tentar esquecer os próprios erros. Mas é a única postura que efetivamente resguarda a liberdade de seguir dirigindo pelo país afora.

Tags: CTBDetranprescriçãosuspensão de cnh
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