A aposentada Helena Martins, de 68 anos, entregou cinco tapetes a uma empresa especializada para realizar uma lavagem. Entretanto, ao procurar o estabelecimento para retirar as peças, recebeu uma cobrança adicional de R$ 1,8 mil por serviços de restauração que afirma não ter autorizado. A situação levanta uma dúvida: uma empresa pode executar trabalhos extras e exigir o pagamento sem a aprovação do cliente?
Aposentada solicita lavagem e recebe cobrança inesperada
Helena decidiu contratar uma empresa para higienizar cinco tapetes que estavam em sua residência havia vários anos. Alguns apresentavam manchas e sinais naturais de uso, mas sua intenção era apenas realizar uma limpeza profissional. No momento da entrega, explicou o que desejava e recebeu informações sobre o serviço de lavagem.
Quando chegou a data de buscar as peças, a aposentada foi informada de que a empresa também havia realizado procedimentos de restauração. Segundo o estabelecimento, os trabalhos foram necessários para melhorar a aparência dos tapetes. Helena contestou a cobrança de R$ 1.800 adicionais, alegando que ninguém havia solicitado sua autorização.

A empresa pode cobrar por uma restauração não autorizada?
O artigo 39, inciso VI, do Código de Defesa do Consumidor considera prática abusiva executar serviços sem orçamento prévio e autorização expressa do consumidor, ressalvadas situações decorrentes de práticas anteriores entre as partes.
Assim, se ficar comprovado que Helena contratou somente a lavagem e não aprovou a restauração, a cobrança adicional poderá ser contestada. A empresa não pode presumir que o cliente aceita qualquer serviço extra simplesmente porque ele poderia melhorar o estado do produto.
O orçamento precisa ser aprovado antes de qualquer serviço adicional
O artigo 40 do Código de Defesa do Consumidor determina que o fornecedor apresente orçamento prévio com discriminação de mão de obra, materiais, condições de pagamento e datas previstas para execução. Pelo parágrafo 2º, depois de aprovado, o orçamento vincula as partes e somente pode ser alterado mediante livre negociação.
Na prática, se a lavanderia identificar a necessidade de reparar bordas, substituir fios ou recuperar partes danificadas, deverá informar os custos e obter autorização antes de executar o trabalho. Uma restauração não pode ser simplesmente acrescentada à conta original como uma despesa obrigatória, sem observar as regras legais.
Quais documentos ajudam a contestar os R$ 1,8 mil?
Para demonstrar quais serviços foram contratados, Helena poderia reunir o comprovante de entrega dos tapetes, o orçamento original e as mensagens trocadas com a empresa. Esses registros ajudam a esclarecer se houve autorização para alguma intervenção além da lavagem. O ponto central é identificar o que foi efetivamente combinado.
Entre os documentos mais úteis estão:
- Orçamento inicial: indica os serviços e valores apresentados.
- Comprovante de entrega: demonstra quais tapetes ficaram sob responsabilidade da empresa.
- Mensagens e conversas: ajudam a verificar se houve autorização para a restauração.
- Nota fiscal: permite conferir os serviços cobrados.
- Fotografias: documentam as condições das peças antes e depois do atendimento.

O estabelecimento pode reter os tapetes até receber o valor extra?
Se a empresa condicionar a devolução das peças ao pagamento de uma quantia contestada, a situação poderá exigir análise jurídica. A existência de um débito alegado não significa que o estabelecimento tenha automaticamente o direito de reter os bens do consumidor, especialmente quando a própria contratação do serviço adicional está em discussão.
Além disso, o artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor proíbe que consumidores sejam submetidos a constrangimento ou ameaça na cobrança de dívidas. Helena poderia registrar a recusa de devolução, solicitar uma justificativa por escrito e procurar o Procon ou assistência jurídica para avaliar as medidas cabíveis.
O que fazer diante de uma cobrança por serviço não solicitado?
O primeiro passo seria solicitar à empresa uma cópia do orçamento aprovado e a comprovação da autorização para a restauração. Caso não exista acordo, Helena poderia apresentar uma reclamação formal, guardar os protocolos e recorrer ao Procon ou ao Consumidor.gov.br, quando o estabelecimento participar da plataforma. Também seria possível avaliar o encaminhamento ao Juizado Especial Cível, conforme as circunstâncias.
Atenção: esta é uma história fictícia. Helena Martins, os cinco tapetes e a cobrança de R$ 1,8 mil foram utilizados exclusivamente para ilustrar uma situação envolvendo direitos do consumidor. O contexto serve apenas como exemplo educativo e não representa uma denúncia real contra qualquer empresa. Os dispositivos legais mencionados são verdadeiros, mas a solução de cada caso depende dos documentos, das autorizações e das circunstâncias comprovadas.




