Poucas cidades brasileiras conseguem sustentar uma tradição vitivinícola de mais de três séculos. Localizada a apenas 60 km de São Paulo pela Rodovia Raposo Tavares, São Roque começou a cultivar videiras no século XVII com colonos portugueses e virou Estância Turística em 1990. Hoje a cidade produz cerca de 20 milhões de litros de vinho por ano, concentra mais de 30 estabelecimentos ao longo dos 10 km do Roteiro do Vinho e recebe mais de 600 mil visitantes anualmente, o que a consolida como a principal capital paulista do enoturismo.
Como a Terra do Vinho se tornou a Estância Turística mais visitada da região?
O cultivo de videiras em São Roque começou ainda no século XVII, quando os primeiros colonos portugueses ocuparam a região e plantaram parreiras nas margens dos rios locais. A chegada dos imigrantes italianos, portugueses e espanhóis a partir de 1884 transformou o cultivo doméstico em atividade econômica organizada, e a inauguração da ferrovia permitiu escoar a produção até o litoral sul do estado. Em 1924, a cidade já produzia 10 mil litros de vinho por ano, e a crise do café em 1929 acelerou a transição dos cafezais para as parreiras.
Em 1938, a família Góes, de descendência portuguesa, fundou a vinícola que se tornaria uma das mais conhecidas do Brasil. Segundo o DADETUR, órgão vinculado à Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, hoje o município concentra 15 vinícolas locais e produz cerca de 20 milhões de litros/ano, divididos entre 75% de vinho de mesa e 25% de vinhos finos. A cidade foi oficialmente transformada em Estância Turística em 1990, e a partir daí o Roteiro do Vinho virou o coração econômico e cultural do município.

Como funciona o Roteiro do Vinho de São Roque?
O Roteiro do Vinho tem cerca de 10 km de extensão e é formado por três vias asfaltadas que concentram vinícolas, adegas, restaurantes, empórios e pousadas: a Estrada do Vinho, a Estrada dos Venâncios e a Rodovia Quintino de Lima. O trajeto é gratuito e pode ser percorrido de carro, moto ou bicicleta, com paradas livres em mais de 30 estabelecimentos ao longo do caminho. A maioria das vinícolas oferece tour guiado pela produção, degustação orientada e loja para levar rótulos e souvenires.
- Vinícola Góes: a mais famosa do roteiro, fundada em 1938 e presente em quatro gerações da família; oferece Wine Bike (passeio de bicicleta pelos vinhedos), tour guiado e degustação harmonizada.
- Vinícola Canguera: tradicional endereço com destaque para o pastel de alcachofra, prato-símbolo da cantina.
- Vinícola XV de Novembro: uma das mais antigas do circuito, com produção artesanal e ambientação familiar.
- Vinícola Ferreira & Passero: produção familiar com degustação orientada e área de piquenique.
- Vinícola Terra do Vinho: reúne vinhos de mesa, finos e sucos, com estrutura para receber grupos.
O que ver no Sítio Santo Antônio, patrimônio do século XVII?
A Casa Grande e a Capela de Santo Antônio, mais conhecidas como Sítio Santo Antônio, foram construídas em 1681 e formam um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais antigos do interior paulista. O complexo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1947 e chegou a pertencer ao escritor Mário de Andrade, uma das figuras centrais da Semana de Arte Moderna de 1922, que passou temporadas na propriedade.
A visitação é gratuita e o casarão preserva a arquitetura rural do período colonial, com paredes de taipa de pilão, telhado de barro e a capela integrada à residência principal. O sítio funciona como museu vivo do bandeirantismo paulista e recebe roteiros guiados que percorrem também os arredores. É parada obrigatória para quem quer entender como se organizava a vida rural em torno de São Roque antes da chegada dos imigrantes italianos.
Quais são as outras atrações imperdíveis?
São Roque tem uma rede de atrações que vai muito além das vinícolas. A mata densa, os morros e a altitude criaram um cardápio raro para uma cidade a apenas 60 km da capital paulista.
- Ski Mountain Park: parque de esqui artificial considerado um dos mais importantes centros de entretenimento de montanha artificial da América Latina, a 1.200 m de altitude.
- Mata da Câmara: uma das maiores reservas ecológicas da região metropolitana de Sorocaba, com 54 alqueires de Mata Atlântica preservada e integrada à Reserva da Biosfera da Mata Atlântica reconhecida pela UNESCO.
- Morro do Cruzeiro: mirante com cruz e imagem do padroeiro São Roque, com vista panorâmica de toda a cidade.
- Vila Don Patto: complexo de restaurantes e comércio em ambiente rural, tradicional ponto de bate-volta.
- Centro Histórico: passeio a pé por igrejas antigas, casarões e a Praça da Matriz.
- Halloween Party: festividade tradicional em outubro, uma das mais antigas do calendário oficial da cidade, com decoração temática nas vinícolas e restaurantes.

O que comer em São Roque?
A gastronomia local é dominada por dois protagonistas: o vinho produzido nas vinícolas locais e a alcachofra, cultivo que faz da cidade uma das maiores produtoras do Brasil. O prato inclusive é reconhecido pela Rota Gastronômica do Governo do Estado de São Paulo.
- Alcachofra fresca: cultivada nas propriedades rurais do município, servida cozida, à parmegiana, em risotos, saladas e até em sorvete com calda de vinho tinto.
- Pastel de alcachofra: especialidade da Vinícola Canguera e de outras cantinas do Roteiro do Vinho.
- Vinho e queijo: combinação clássica das cantinas locais, com produção artesanal em vários estabelecimentos.
- Massas italianas: nhoque, ravioli e capeletti preparados com receitas trazidas pelos imigrantes italianos do fim do século XIX.
- Café colonial: mesa farta servida em várias pousadas rurais, com pães, embutidos, geleias e doces artesanais.
Como é o clima de São Roque ao longo do ano?
São Roque tem clima tropical de altitude, com verões amenos e invernos frescos. A altitude de 771 metros garante noites frias o ano inteiro e temperaturas mais suaves que a média do interior paulista. Os meses de maio a julho concentram o maior fluxo turístico por causa do frio, época em que fondues e vinhos ganham o cardápio das cantinas do Roteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a São Roque?
São Roque fica a cerca de 60 km de São Paulo, com acesso pela Rodovia Raposo Tavares (SP-270), trajeto de carro de pouco mais de uma hora em condições normais. Também é possível chegar pela Rodovia Castello Branco, alternativa comum para quem sai da zona oeste da capital. A cidade fica a cerca de 1 hora de Sorocaba e de Itu, e os grandes aeroportos internacionais próximos são Congonhas, Guarulhos e Viracopos (Campinas). Ônibus regulares operam a linha entre a capital e a rodoviária local a partir do Terminal Tietê.
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São Roque é o tipo de destino que se explica pela combinação rara de proximidade e tradição. A Terra do Vinho começou a cultivar parreiras no século XVII com colonos portugueses, ganhou os imigrantes italianos, portugueses e espanhóis a partir de 1884 e transformou o Roteiro do Vinho em uma sequência de 10 km com mais de 30 estabelecimentos, 15 vinícolas locais e produção anual de 20 milhões de litros. Some a isso a alcachofra que aparece até em sorvete, o Sítio Santo Antônio tombado desde 1947 pelo IPHAN, o Ski Mountain Park a 1.200 m de altitude e a Mata da Câmara com 54 alqueires de Mata Atlântica preservada. Tudo isso a apenas 60 km da maior metrópole do Brasil.
Você precisa reservar pelo menos dois dias em São Roque, percorrer o Roteiro do Vinho de carro e provar o pastel de alcachofra da Vinícola Canguera para entender por que essa Estância Turística virou o principal endereço enogastronômico do estado paulista sem precisar sair da Região Metropolitana de São Paulo.




