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Início Cidades

Com 10 km de Roteiro do Vinho e 20 milhões de litros por ano, essa Estância Turística paulista virou refúgio oficial de quem ama degustar

Por Maura Pereira
24/09/2026
Em Cidades, Turismo
O cultivo de videiras em São Roque começou ainda no século XVII. / IMAGEM ILUSTRATIVA

O cultivo de videiras em São Roque começou ainda no século XVII. / IMAGEM ILUSTRATIVA

Poucas cidades brasileiras conseguem sustentar uma tradição vitivinícola de mais de três séculos. Localizada a apenas 60 km de São Paulo pela Rodovia Raposo Tavares, São Roque começou a cultivar videiras no século XVII com colonos portugueses e virou Estância Turística em 1990. Hoje a cidade produz cerca de 20 milhões de litros de vinho por ano, concentra mais de 30 estabelecimentos ao longo dos 10 km do Roteiro do Vinho e recebe mais de 600 mil visitantes anualmente, o que a consolida como a principal capital paulista do enoturismo.

Como a Terra do Vinho se tornou a Estância Turística mais visitada da região?

O cultivo de videiras em São Roque começou ainda no século XVII, quando os primeiros colonos portugueses ocuparam a região e plantaram parreiras nas margens dos rios locais. A chegada dos imigrantes italianos, portugueses e espanhóis a partir de 1884 transformou o cultivo doméstico em atividade econômica organizada, e a inauguração da ferrovia permitiu escoar a produção até o litoral sul do estado. Em 1924, a cidade já produzia 10 mil litros de vinho por ano, e a crise do café em 1929 acelerou a transição dos cafezais para as parreiras.

Em 1938, a família Góes, de descendência portuguesa, fundou a vinícola que se tornaria uma das mais conhecidas do Brasil. Segundo o DADETUR, órgão vinculado à Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, hoje o município concentra 15 vinícolas locais e produz cerca de 20 milhões de litros/ano, divididos entre 75% de vinho de mesa e 25% de vinhos finos. A cidade foi oficialmente transformada em Estância Turística em 1990, e a partir daí o Roteiro do Vinho virou o coração econômico e cultural do município.

A cidade a 60 km de São Paulo conhecida como Terra do Vinho que atrai casais pelo charme de vilas europeias
Vinícola Góes em São Roque-SP produz 1 milhão de garrafas anuais com caves subterrâneas e tours em 50 ha de vinhedos. // Créditos: Wikipédia

Como funciona o Roteiro do Vinho de São Roque?

O Roteiro do Vinho tem cerca de 10 km de extensão e é formado por três vias asfaltadas que concentram vinícolas, adegas, restaurantes, empórios e pousadas: a Estrada do Vinho, a Estrada dos Venâncios e a Rodovia Quintino de Lima. O trajeto é gratuito e pode ser percorrido de carro, moto ou bicicleta, com paradas livres em mais de 30 estabelecimentos ao longo do caminho. A maioria das vinícolas oferece tour guiado pela produção, degustação orientada e loja para levar rótulos e souvenires.

  • Vinícola Góes: a mais famosa do roteiro, fundada em 1938 e presente em quatro gerações da família; oferece Wine Bike (passeio de bicicleta pelos vinhedos), tour guiado e degustação harmonizada.
  • Vinícola Canguera: tradicional endereço com destaque para o pastel de alcachofra, prato-símbolo da cantina.
  • Vinícola XV de Novembro: uma das mais antigas do circuito, com produção artesanal e ambientação familiar.
  • Vinícola Ferreira & Passero: produção familiar com degustação orientada e área de piquenique.
  • Vinícola Terra do Vinho: reúne vinhos de mesa, finos e sucos, com estrutura para receber grupos.

O que ver no Sítio Santo Antônio, patrimônio do século XVII?

A Casa Grande e a Capela de Santo Antônio, mais conhecidas como Sítio Santo Antônio, foram construídas em 1681 e formam um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais antigos do interior paulista. O complexo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1947 e chegou a pertencer ao escritor Mário de Andrade, uma das figuras centrais da Semana de Arte Moderna de 1922, que passou temporadas na propriedade.

A visitação é gratuita e o casarão preserva a arquitetura rural do período colonial, com paredes de taipa de pilão, telhado de barro e a capela integrada à residência principal. O sítio funciona como museu vivo do bandeirantismo paulista e recebe roteiros guiados que percorrem também os arredores. É parada obrigatória para quem quer entender como se organizava a vida rural em torno de São Roque antes da chegada dos imigrantes italianos.

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Quais são as outras atrações imperdíveis?

São Roque tem uma rede de atrações que vai muito além das vinícolas. A mata densa, os morros e a altitude criaram um cardápio raro para uma cidade a apenas 60 km da capital paulista.

  • Ski Mountain Park: parque de esqui artificial considerado um dos mais importantes centros de entretenimento de montanha artificial da América Latina, a 1.200 m de altitude.
  • Mata da Câmara: uma das maiores reservas ecológicas da região metropolitana de Sorocaba, com 54 alqueires de Mata Atlântica preservada e integrada à Reserva da Biosfera da Mata Atlântica reconhecida pela UNESCO.
  • Morro do Cruzeiro: mirante com cruz e imagem do padroeiro São Roque, com vista panorâmica de toda a cidade.
  • Vila Don Patto: complexo de restaurantes e comércio em ambiente rural, tradicional ponto de bate-volta.
  • Centro Histórico: passeio a pé por igrejas antigas, casarões e a Praça da Matriz.
  • Halloween Party: festividade tradicional em outubro, uma das mais antigas do calendário oficial da cidade, com decoração temática nas vinícolas e restaurantes.
A cidade a 60 km de São Paulo conhecida como Terra do Vinho que atrai casais pelo charme de vilas europeias
São Roque-SP revela Rota do Vinho, Ski Mountain Park e Mata da Câmara na capital paulista do enoturismo serrano preservado. // Créditos: Wikipédia

O que comer em São Roque?

A gastronomia local é dominada por dois protagonistas: o vinho produzido nas vinícolas locais e a alcachofra, cultivo que faz da cidade uma das maiores produtoras do Brasil. O prato inclusive é reconhecido pela Rota Gastronômica do Governo do Estado de São Paulo.

  • Alcachofra fresca: cultivada nas propriedades rurais do município, servida cozida, à parmegiana, em risotos, saladas e até em sorvete com calda de vinho tinto.
  • Pastel de alcachofra: especialidade da Vinícola Canguera e de outras cantinas do Roteiro do Vinho.
  • Vinho e queijo: combinação clássica das cantinas locais, com produção artesanal em vários estabelecimentos.
  • Massas italianas: nhoque, ravioli e capeletti preparados com receitas trazidas pelos imigrantes italianos do fim do século XIX.
  • Café colonial: mesa farta servida em várias pousadas rurais, com pães, embutidos, geleias e doces artesanais.

Como é o clima de São Roque ao longo do ano?

São Roque tem clima tropical de altitude, com verões amenos e invernos frescos. A altitude de 771 metros garante noites frias o ano inteiro e temperaturas mais suaves que a média do interior paulista. Os meses de maio a julho concentram o maior fluxo turístico por causa do frio, época em que fondues e vinhos ganham o cardápio das cantinas do Roteiro.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 17-27°C
Chuva: Alta
Vindima e colheita da uva nas vinícolas.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 13-25°C
Chuva: Média
Sítio Santo Antônio e Halloween Party.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 8-22°C
Chuva: Baixa
Ski Mountain Park e Festival de Inverno nas vinícolas.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 12-26°C
Chuva: Média
Mata da Câmara e Morro do Cruzeiro.
💡 Dica do especialista: O inverno (junho a agosto, 8°C a 22°C) apresenta baixa precipitação e é ideal para curtir o Ski Mountain Park e o Festival de Inverno nas vinícolas. No verão, aproveite a Vindima e a colheita da uva nas vinícolas com alta incidência de chuva; o outono convida para o Sítio Santo Antônio e a Halloween Party; e a primavera destaca a Mata da Câmara e o Morro do Cruzeiro!

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a São Roque?

São Roque fica a cerca de 60 km de São Paulo, com acesso pela Rodovia Raposo Tavares (SP-270), trajeto de carro de pouco mais de uma hora em condições normais. Também é possível chegar pela Rodovia Castello Branco, alternativa comum para quem sai da zona oeste da capital. A cidade fica a cerca de 1 hora de Sorocaba e de Itu, e os grandes aeroportos internacionais próximos são Congonhas, Guarulhos e Viracopos (Campinas). Ônibus regulares operam a linha entre a capital e a rodoviária local a partir do Terminal Tietê.

Leia também: Com um pico de 1.123 metros e Capital Mundial do Voo Livre, essa cidade recebeu o primeiro Mundial de asa-delta do Brasil em 1989.

Suba a Serra e conheça a capital paulista do vinho a uma hora da capital

São Roque é o tipo de destino que se explica pela combinação rara de proximidade e tradição. A Terra do Vinho começou a cultivar parreiras no século XVII com colonos portugueses, ganhou os imigrantes italianos, portugueses e espanhóis a partir de 1884 e transformou o Roteiro do Vinho em uma sequência de 10 km com mais de 30 estabelecimentos, 15 vinícolas locais e produção anual de 20 milhões de litros. Some a isso a alcachofra que aparece até em sorvete, o Sítio Santo Antônio tombado desde 1947 pelo IPHAN, o Ski Mountain Park a 1.200 m de altitude e a Mata da Câmara com 54 alqueires de Mata Atlântica preservada. Tudo isso a apenas 60 km da maior metrópole do Brasil.

Você precisa reservar pelo menos dois dias em São Roque, percorrer o Roteiro do Vinho de carro e provar o pastel de alcachofra da Vinícola Canguera para entender por que essa Estância Turística virou o principal endereço enogastronômico do estado paulista sem precisar sair da Região Metropolitana de São Paulo.

Tags: São PauloSão Roque
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