Poucas cidades brasileiras conseguem combinar tantas praias com um patrimônio histórico tão relevante em um mesmo território. Localizada no Litoral Norte de São Paulo, a 220 km da capital paulista, Ubatuba tem 102 praias distribuídas em cerca de 80 km de litoral e 80% do território coberto por Mata Atlântica preservada. Fundada em 1637, ganhou o apelido de Capital do Surfe pela qualidade das ondas de praias como Itamambuca. Foi nas terras ubatubenses que aconteceu um dos capítulos mais antigos e importantes da história do continente: em 1563, o padre José de Anchieta permaneceu quatro meses como prisioneiro de uma aldeia tupinambá enquanto participava das negociações que originaram a Paz de Iperoig, considerada o primeiro tratado de paz das Américas. A cidade integra ainda o Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica remanescente do país.
Como Ubatuba abrigou o primeiro tratado de paz das Américas em 1563?
Segundo publicação do Correio Braziliense, um dos capítulos mais antigos da história de Ubatuba aconteceu em 1563, quando o padre jesuíta José de Anchieta permaneceu quatro meses como prisioneiro em uma aldeia tupinambá enquanto participava das negociações que originaram a Paz de Iperoig. O acordo é considerado o primeiro tratado de paz firmado nas Américas e teve como objetivo interromper os confrontos entre portugueses e a Confederação dos Tamoios, aliança indígena que reunia povos tupinambás do litoral entre o Rio de Janeiro e o litoral paulista.
No mesmo trecho de praia, atualmente conhecido como Praia do Cruzeiro, o jesuíta escreveu o célebre Poema à Virgem, obra fundadora da literatura em língua portuguesa no Brasil. A cidade completou 386 anos em 2023, sendo oficialmente fundada em 1637. Outros pontos históricos ainda visíveis incluem as Ruínas da Lagoinha, próximas à Praia da Lagoinha, onde funcionou em meados do século XVII a Fazenda Bom Retiro, que produzia café, aguardente de cana e açúcar mascavo, e o Cais de Ubatuba, por onde eram escoadas mercadorias vindas do Vale do Paraíba e do Norte de Minas Gerais em lombo de burro.

Quais são as praias imperdíveis de Ubatuba?
A cidade oferece uma das maiores diversidades de praias do litoral brasileiro, distribuídas ao longo de cerca de 80 km de costa. As opções variam de trechos badalados com estrutura completa a enseadas isoladas acessíveis apenas por trilha ou barco.
- Praia de Itamambuca: cenário de competições internacionais de surfe, combina ondas fortes com a paisagem formada pelo encontro entre o rio e o mar, uma das mais procuradas do litoral norte paulista.
- Praia do Félix: possui extensa faixa de areia ao norte do município, com áreas de mar agitado para surfe e outras mais tranquilas para banho de família.
- Praia Grande: uma das mais conhecidas de Ubatuba, com ampla faixa de areia branca, águas cristalinas e infraestrutura completa de bares e restaurantes.
- Praia das Toninhas: badalada, com boa estrutura e vida noturna ativa durante a alta temporada.
- Praia do Cruzeiro: trecho histórico onde o padre José de Anchieta escreveu o Poema à Virgem em 1563.
- Praia de Picinguaba: ao norte, entrada para as ilhas e para o Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar.
- Praia da Lagoinha: ao sul, ponto de partida da Trilha das Sete Praias e próxima às Ruínas da Lagoinha.
Como visitar as ilhas Anchieta e das Couves?
A Ilha Anchieta é uma das visitas obrigatórias em Ubatuba. Segundo publicação do Correio Braziliense, o antigo presídio da ilha foi transformado em Parque Estadual em 1977, e hoje reúne praias de águas cristalinas, trilhas históricas entre ruínas do antigo complexo penitenciário e áreas procuradas para mergulho no litoral paulista. O acesso é feito de barco a partir do Saco da Ribeira, com escunas e lanchas que partem regularmente durante a alta temporada. A ilha preserva vestígios do presídio desativado nos anos 1950 e cenários naturais que combinam a Mata Atlântica e a costa rochosa.
A Ilha das Couves, localizada ao norte de Ubatuba, tem águas transparentes e recebe no máximo 531 visitantes por dia como medida de preservação ambiental. A viagem de barco desde a Praia de Picinguaba dura cerca de 15 minutos, e o acesso é regulado por um sistema de reserva prévia. A ilha oferece piscinas naturais formadas entre as rochas, mergulho livre com equipamentos disponíveis para aluguel e uma pequena estrutura de restaurantes rústicos administrada por caiçaras da região que preservam o modo de vida tradicional das populações litorâneas.

O que fazer no Parque Estadual da Serra do Mar em Ubatuba?
O Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) foi criado em 1977 e protege 332 mil hectares de Mata Atlântica ao longo de 11 municípios paulistas, sendo uma das maiores áreas contínuas do bioma remanescente no país. Em Ubatuba, o Núcleo Picinguaba concentra atividades voltadas ao ecoturismo e à preservação, com trilhas, cachoeiras e cenários que combinam floresta preservada e faixas de praia deserta. É administrado pela Fundação Florestal, autarquia vinculada à Secretaria de Meio Ambiente do Governo de São Paulo.
Segundo a Prefeitura Municipal de Ubatuba, o Centro Cambucá de Observação de Aves é administrado conjuntamente pelo PESM, pelo Núcleo Picinguaba e pela Prefeitura. A ave-símbolo do município é o tangará-dançador, com corpo azul claro, preto e topete vermelho vivo, cores que remetem à bandeira da cidade. A Trilha das Sete Praias, com aproximadamente 6 km, começa na Praia da Lagoinha ao sul e passa por mata fechada, mirantes e enseadas pouco movimentadas. Cachoeiras como Água Branca e Prumirim complementam o roteiro natural.
Como funciona o Projeto Tamar em Ubatuba?
Segundo publicação do Projeto Tamar, o centro de visitantes de Ubatuba fica na Praia Grande e atua na reabilitação de tartarugas marinhas encontradas encalhadas ou debilitadas no litoral de São Paulo. Após alta veterinária, as tartarugas recuperadas são devolvidas ao mar em cerimônias que podem ser acompanhadas pelo público, sempre com a mediação de um monitor que explica cada caso e as ameaças que a atividade humana representa para essas espécies. A base de Ubatuba recebe cerca de 100 mil visitantes por ano.
O centro tem espaços temáticos dedicados à captura incidental de tartarugas pelos diversos tipos de pesca, ao trabalho da Fundação com pescadores parceiros e ao impacto do lixo no mar sobre as populações de tartarugas marinhas. A Fundação Projeto Tamar atua no litoral brasileiro desde a década de 1980, com a missão de promover a recuperação das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil por meio de pesquisa, conservação e inclusão social das comunidades pesqueiras. Junto ao Tamar, o Aquário de Ubatuba é um dos maiores do Brasil e complementa o roteiro de educação ambiental.
O que comer em Ubatuba?
A gastronomia local reflete a forte tradição caiçara, cultura das populações litorâneas paulistas que combinam heranças indígenas, portuguesas e africanas em pratos baseados em pescados frescos e ingredientes da Mata Atlântica. Os restaurantes concentram-se ao longo das principais praias e no centro urbano.
- Peixe azul-marinho: prato-símbolo da culinária caiçara com peixe cozido em folhas de banana verde, que dão ao caldo uma cor azulada característica.
- Moqueca caiçara: preparo com peixes frescos, camarão, leite de coco, dendê e temperos regionais, servido com farofa e arroz branco.
- Camarão na moranga: prato tradicional com camarões grandes servidos dentro de uma abóbora inteira assada, muito comum em Ubatuba.
- Bolinho de peixe: petisco tradicional dos bares de praia, com peixes frescos capturados no litoral norte paulista.
- Farinha de mandioca artesanal: produzida na Casa da Farinha do Núcleo Picinguaba do PESM, com técnicas caiçaras tradicionais.
- Ostras e mariscos: cultivados em fazendas marinhas ao longo do litoral, servidos frescos em restaurantes especializados.
Como é o clima de Ubatuba ao longo do ano?
Ubatuba tem clima tropical úmido de zona litorânea, com verões quentes e muito chuvosos e invernos amenos com chuvas moderadas. As temperaturas médias variam entre 19°C e 26°C ao longo do ano, e a proximidade com a Serra do Mar faz da cidade uma das mais chuvosas do estado de São Paulo. Segundo dados climatológicos, a média mensal de chuva em agosto fica em torno de 100 mm, o mês mais seco do ano, enquanto janeiro chega a 208 mm. Chove em todos os meses do ano, o que mantém a exuberância da Mata Atlântica local, e a alta temporada acontece entre dezembro e fevereiro, quando as praias ficam mais movimentadas apesar das chuvas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Ubatuba?
Ubatuba fica a 220 km da capital paulista, com acesso pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) combinada com a Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125) a partir de Taubaté, ou pela Rodovia dos Tamoios (SP-099) combinada com a Rodovia Rio-Santos (BR-101). O trajeto de carro leva entre três e quatro horas em condições normais, podendo ser mais longo em feriados e alta temporada. A cidade também está próxima a Paraty (RJ), a cerca de 76 km ao norte pela BR-101, formando um roteiro combinado muito procurado entre os dois estados. O Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos é o principal ponto de chegada para voos nacionais e internacionais, com traslados regulares para o litoral norte. Ônibus regulares operam a linha entre a capital paulista e Ubatuba várias vezes ao dia, com terminal rodoviário próximo ao centro.
Suba a serra e conheça a Capital do Surfe do litoral norte paulista
Ubatuba é o tipo de destino que combina 102 praias com um dos capítulos históricos mais importantes das Américas em um mesmo território. Fundada em 1637 e conhecida como Capital do Surfe, a 220 km da capital paulista com cerca de 80 km de litoral e 80% do território coberto por Mata Atlântica preservada, foi palco em 1563 da Paz de Iperoig quando o padre José de Anchieta permaneceu quatro meses como prisioneiro em aldeia tupinambá durante as negociações do primeiro tratado de paz das Américas, escrevendo o célebre Poema à Virgem na atual Praia do Cruzeiro. Integra o Parque Estadual da Serra do Mar criado em 1977 com 332 mil hectares administrados pela Fundação Florestal, uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica remanescente do país, e reúne o Núcleo Picinguaba, o Centro Cambucá de Observação de Aves com o tangará-dançador como ave-símbolo, a Trilha das Sete Praias com 6 km a partir da Praia da Lagoinha, cachoeiras como Água Branca e Prumirim, praias emblemáticas como Itamambuca com competições internacionais de surfe, Praia do Félix, Praia Grande, Praia das Toninhas e Praia de Picinguaba, a Ilha Anchieta transformada em Parque Estadual em 1977 acessível pelo Saco da Ribeira, a Ilha das Couves com limite máximo de 531 visitantes por dia, a base do Projeto Tamar na Praia Grande com cerca de 100 mil visitantes por ano atuando na reabilitação de tartarugas marinhas desde a década de 1980, o Aquário de Ubatuba como um dos maiores do Brasil, as Ruínas da Lagoinha da Fazenda Bom Retiro do século XVII e a gastronomia caiçara autêntica com peixe azul-marinho, moqueca, camarão na moranga e farinha artesanal produzida na Casa da Farinha do Núcleo Picinguaba.
Você precisa reservar pelo menos quatro dias em Ubatuba, mergulhar nas águas cristalinas da Ilha das Couves, pegar uma onda em Itamambuca ao amanhecer e caminhar pela Trilha das Sete Praias para entender por que essa cidade a 220 km da capital paulista virou a Capital do Surfe do litoral norte e guarda um dos capítulos mais importantes da história do continente americano.




