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Início Cidades

Com 2 pontes de pedra com mais de 200 anos, sem nenhum dano na estrutura, ligam as margens da cidade mineira que nasceu à beira de um córrego de ouro

Por Maura Pereira
01/10/2026
Em Cidades, Turismo
Uma Maria Fumaça de 1881 e sinos que falam desde o século XVIII são guardados nessa cidade barroca no Campo das Vertentes

São João del-Rei é uma das cidades mais preservadas da Estrada Real. / Imagem ilustrativa

Quase toda cidade histórica é lembrada pelas igrejas, e poucas pelas pontes que ligam uma rua à outra. Em São João del-Rei, no Campo das Vertentes, em Minas Gerais, elas contam boa parte da história: o centro antigo se divide entre as duas margens do Córrego do Lenheiro, e as travessias de pedra construídas na virada do século XVIII para o XIX seguem firmes. Restauradas pelo patrimônio federal, as pontes viraram cartões-postais e um roteiro próprio dentro da cidade.

Por que São João del-Rei nasceu à beira do Córrego do Lenheiro?

Por causa do ouro. Segundo monografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os primeiros povoadores foram paulistas atraídos pelos cascalhos com ouro da bacia do Rio das Mortes. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acrescenta que o arraial se formou às margens do Córrego do Lenheiro em decorrência da mineração e foi elevado a vila em 8 de dezembro de 1713.

Com a vila dividida pela água, atravessar o córrego virou necessidade diária. As primeiras travessias eram de madeira e precisavam de conserto constante, até que a administração local passou a investir em pontes de pedra e cal, mais resistentes. Duas delas sobreviveram até hoje e se tornaram, nas palavras do próprio Iphan, elementos arquitetônicos de grande poder simbólico na imagem da cidade.

A cidade fundada em 1713 conhecida como “terra onde os sinos falam” que une tradição e vida universitária em Minas Gerais
O encanto colonial de São João del-Rei, onde sinos ecoam histórias de ouro e fé eterna // Créditos: Wikipédia

Qual é a história da Ponte da Cadeia?

É a mais antiga das duas pontes de pedra. De acordo com o Iphan, a Ponte da Cadeia, em arcos de pedra, foi construída em 1797 para substituir uma antiga ponte de madeira. O nome vem da cadeia que funcionava no primeiro andar do prédio onde hoje está a Prefeitura, bem ao lado da travessia.

A qualidade da construção impressiona até os técnicos. O Iphan registra que, apesar de mais de 200 anos de uso, a Ponte da Cadeia não apresentava nenhum tipo de dano estrutural quando passou pela restauração mais recente. Para uma estrutura erguida no fim do século XVIII e usada até hoje por pedestres e carros, é um atestado da habilidade dos antigos mestres de cantaria.

O que fica em cada lado da Ponte do Rosário?

Duas igrejas e um memorial. Construída em 1800, segundo o Iphan, a Ponte do Rosário tem de um lado a Igreja do Rosário e, do outro, o Memorial Tancredo Neves e a Igreja de São Francisco. É um dos pontos em que a ligação entre as duas margens da cidade fica mais evidente, com a arquitetura religiosa emoldurando a travessia.

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A posição faz da ponte um bom ponto de partida para caminhar pelo centro histórico. De um lado da água fica a Igreja do Rosário; do outro, o conjunto da Igreja de São Francisco. Em poucos minutos a pé, é possível cruzar o córrego várias vezes e perceber como a cidade cresceu espelhada nas duas margens.

São João del Rei é uma cidade fundada em 1713 que oferece uma jornada pelo século XVIII sem perder a pulsação do presente.
Visite São João del-Rei, a terra dos sinos falantes, igrejas douradas e ponte histórica no Rio das Mortes. // Créditos: Wikimedia Commons

O que ver no roteiro das pontes do Lenheiro?

As travessias sobre o córrego e seus afluentes formam um percurso curto, que pode ser feito a pé. O Iphan destaca os principais pontos desse caminho.

1
Ponte da Cadeia Arcos de pedra de 1797, ao lado do prédio da Prefeitura, onde funcionava a antiga cadeia.
2
Ponte do Rosário Construída em 1800, liga a Igreja do Rosário ao lado onde ficam o Memorial Tancredo Neves e a Igreja de São Francisco.
3
Ponte do Teatro Travessia em frente ao Teatro Municipal, incluída no mesmo programa de restauração.
4
Passarela da Estação Ferroviária Leva os pedestres até a estação de onde parte o passeio de Maria Fumaça.
5
Igreja de São Francisco e Memorial Tancredo Neves Conjunto na margem oposta à Igreja do Rosário, a poucos passos da ponte de 1800.

Como as pontes históricas foram restauradas?

Com recursos federais e foco na segurança. Segundo o Iphan, as pontes da Cadeia, do Rosário e do Teatro, além da passarela da estação, receberam cerca de R$ 1,5 milhão do Programa de Preservação de Cidades Históricas. As obras buscaram preservar o patrimônio e, ao mesmo tempo, garantir a segurança de pedestres e motoristas que usam as travessias diariamente.

A entrega teve data simbólica. O instituto informa que as quatro pontes foram entregues em 8 de dezembro, no aniversário de 308 anos da cidade, a mesma data em que o arraial foi elevado a vila em 1713. Nas palavras da superintendência do Iphan em Minas, as pontes são referências simbólicas da cidade, e a restauração devolveu aos moradores alguns dos principais cartões-postais do centro histórico.

Como é o clima de São João del-Rei ao longo do ano?

O clima tem verões chuvosos e invernos secos e frescos. Dezembro concentra 246 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 12 mm, com mínima de 11°C.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 18-26°C
Chuva: Muito alta
Igrejas e memorial nas tardes de chuva.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 13-26°C
Chuva: Média
Caminhada pela Ponte do Rosário.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 11-23°C
Chuva: Muito baixa
Roteiro a pé pelas margens do Lenheiro.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 14-25°C
Chuva: Média
Passeio de Maria Fumaça a partir da estação.
💡 Dica do especialista: de junho a agosto, a chuva quase desaparece e as ladeiras de pedra ficam secas, ótimas para caminhar entre as pontes. Em dezembro, o aniversário da cidade coincide com o período mais chuvoso, então vale reservar as manhãs para o roteiro ao ar livre.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: Nessa ilha amazônica, uma festa virou patrimônio do Brasil e nasceu para ajudar a erguer uma catedral, hoje a arte segue viva o ano inteiro.

As travessias que costuram a cidade

São João del-Rei nasceu dividida pela água e aprendeu a se unir por meio da pedra. O córrego que atraiu os mineradores de ouro segue cortando o centro histórico, e as pontes da Cadeia e do Rosário, erguidas há mais de dois séculos, continuam fazendo o que sempre fizeram: aproximar as duas metades da cidade. Restauradas e reconhecidas como símbolos locais, elas mostram que o patrimônio não precisa estar dentro de um museu para contar histórias.

Você precisa atravessar a Ponte da Cadeia no fim da tarde, seguir pela beira do Lenheiro até a Ponte do Rosário e parar entre as igrejas das duas margens para entender como São João del-Rei se construiu de um lado e do outro da água.

Tags: Minas GeraisSão João del-Rei
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