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Início Cidades

Com 20 praias entre a Mata Atlântica e o Atlântico, uma plataforma continental de 8 milhas e o Parque Estadual da Serra do Conduru

Por Maura Pereira
08/09/2026
Em Cidades, Turismo
O Havaí Baiano ficou escondido por décadas e hoje abriga mais de 20 praias cercadas por Mata Atlântica

Itacaré oferece mais de 20 praias entre urbanas e acessíveis apenas por trilha. / Imagem ilustrativa

A 70 km ao norte de Ilhéus, na chamada Costa do Cacau, o litoral sul da Bahia guarda um dos destinos mais preservados do Brasil. Itacaré se ergue exatamente onde o Rio de Contas, que nasce na Chapada Diamantina e cruza o interior baiano, encontra o Oceano Atlântico. A cidade reúne mais de 20 praias distribuídas em um litoral recortado por costões rochosos, o Parque Estadual da Serra do Conduru com 9.275 hectares de Mata Atlântica, uma das maiores biodiversidades do planeta e uma plataforma continental de apenas 8 milhas de extensão, que permite ao mar chegar à costa com força e constância raras no litoral baiano. É essa combinação que transformou Itacaré na principal referência nacional de ecoturismo, surfe e cachoeiras em contato direto com o oceano.

Do jesuíta Luís da Grã em 1731 ao asfalto que só chegou em 1998

A história começa no século XVIII, quando o jesuíta Luís da Grã ergueu uma capela dedicada a São Miguel na foz do Rio de Contas, sobre uma antiga aldeia dos índios Pataxós. Em 1731, o povoado foi elevado à categoria de vila com o nome de São Miguel da Barra do Rio de Contas, e no ano seguinte virou município. O nome atual, adotado apenas em 1931, tem origem tupi e significa jacaré de pedra, referência direta à geografia acidentada da foz do rio. Antes das estradas modernas, a região era marcada pela navegação fluvial, pela presença de contrabandistas e por quilombos formados por escravizados fugitivos.

No fim do século XIX, o cacau transformou a economia local. O porto de Itacaré escoava toneladas do fruto para o mundo, financiando os casarões coloniais que hoje pontuam o centro histórico. A crise veio nos anos 1980, quando a praga da vassoura-de-bruxa dizimou as lavouras da região e a vila entrou em silêncio. Segundo o Correio Braziliense, foi esse isolamento que salvou a paisagem: a Mata Atlântica avançou de volta sobre os morros, as praias permaneceram selvagens e, quando o asfalto finalmente chegou pela BA-001 em 1998, revelou um dos destinos mais preservados do país.

Um litoral do Nordeste guarda praias selvagens e o segredo por trás de sua fama no surfe e na ecologia
Itacaré é refúgio baiano perfeito para se reconectar com a natureza, surfar e curtir pores do sol inesquecíveis. // Créditos: depositphotos.com / PedroTruffi

Por que Itacaré tem ondas raras no litoral baiano?

A resposta está na geografia submarina. A plataforma continental em frente à cidade tem apenas 8 milhas de extensão, uma das mais estreitas da costa nordestina brasileira, o que permite que as ondas do Atlântico cheguem à costa com força e constância que praticamente não existem em outros pontos da Bahia. Esse desenho natural transformou praias como Tiririca e Engenhoca em paradas obrigatórias do circuito nacional do surfe, com etapas de campeonatos brasileiros disputados regularmente na região.

A cidade preserva ainda uma coleção rara de praias urbanas caminháveis a partir do centro, o que a diferencia da maior parte dos destinos do Nordeste. A sequência urbana forma um circuito de cerca de 3 km que reúne Praia do Resende, Tiririca, Praia da Costa e Ribeira. Já a Praia da Concha, com águas calmas protegidas por um recife natural, fica a apenas cinco minutos do centro e é o principal ponto de banho para famílias com crianças.

O que fazer em Itacaré?

O roteiro combina praias urbanas, praias selvagens acessadas por trilha, cachoeiras a poucos quilômetros do centro e o Parque Estadual da Serra do Conduru. A maioria fica a menos de 30 minutos do centro urbano.

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  • Praia da Concha: piscinão natural protegido por recife, a cinco minutos do centro, principal ponto de banho para famílias com águas calmas.
  • Praia da Tiririca: ondas fortes com trapiches de acesso e o principal pico de surfe da cidade, sede de etapas de campeonatos nacionais.
  • Praia da Engenhoca: acessada por trilha na Mata Atlântica, com ondas famosas no circuito internacional do surfe.
  • Prainha: praia selvagem acessível apenas por trilha de 40 minutos a partir da Ribeira ou por atalho pelo condomínio Villa de São José.
  • Praia Grande: 3,5 km de extensão, ideal para caminhadas longas, mergulho e ponto de desova de tartarugas marinhas entre setembro e março.
  • Cachoeira do Tijuípe: queda de 4 metros de altura por 15 de largura na estrada para Serra Grande, com piscina natural ao pé da queda e trilha leve de acesso.
  • Cachoeira do Cleandro: travessia de barco ou caiaque pelo mangue do Rio de Contas até fazenda de cacau com três quedas d’água no meio da mata densa.
A vila baiana do cacau que virou capital do surf tem mais de 20 praias e a primeira estrada ecológica do país
Ruas charmosas, clima descontraído e gastronomia típica fazem de Itacaré um destino leve e acolhedor o ano todo.​ // Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

O Parque Estadual da Serra do Conduru e o rafting no Rio de Contas

Fora do circuito das praias, Itacaré está cercada por unidades de conservação que preservam um dos maiores acervos de biodiversidade da Mata Atlântica. O Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC) tem 9.275 hectares e abrange os territórios de Itacaré, Ilhéus e Uruçuca. Já a Área de Proteção Ambiental Costa de Itacaré/Serra Grande guarda espécies ameaçadas de extinção, como a preguiça-de-coleira e o mico-leão-de-cara-dourada, endêmicos do sul da Bahia.

  • Rafting no Rio de Contas: corredeiras em Taboquinhas, a 30 km do centro, com trecho reconhecido como um dos melhores do país para o esporte.
  • Fazenda Vila Rosa: em Taboquinhas, com visita à produção artesanal de chocolate bean-to-bar feito a partir do cacau da região.
  • Arvorismo com tirolesa: percurso de 280 metros sobre a Praia da Ribeira, um dos maiores circuitos do gênero em praia no Brasil.
  • Passeio de caiaque pelos manguezais: percurso guiado pela foz do Rio de Contas com observação de fauna aquática e vegetação de mangue.
  • Mirante do Xaréu: ponto alto sobre a foz do Rio de Contas com o pôr do sol mais fotografado da cidade.
  • Mirante de Serra Grande: à beira da BA-001, com uma das vistas mais amplas do litoral baiano.

O que se come na vila do cacau?

A gastronomia mistura raízes baianas do dendê com influência caiçara e ingredientes locais como cacau, cupuaçu e peixes frescos. A vida noturna concentra-se na Rua Pedro Longo, conhecida como Pituba, com bares de música ao vivo e casas de forró pé-de-serra que se estendem até a madrugada.

  • Moqueca baiana de peixe: ensopado tradicional em panela de barro com dendê, leite de coco, coentro e pimenta, servido nos restaurantes do centro.
  • Bobó de camarão: creme de mandioca com camarão fresco, leite de coco e dendê, um dos pratos mais pedidos da cozinha regional.
  • Peixe grelhado com molho de cupuaçu: releitura contemporânea que usa a fruta amazônica como acompanhamento ácido para peixes locais.
  • Chocolate bean-to-bar: produção artesanal das fazendas da Costa do Cacau, com barras rastreadas do fruto ao produto final.
  • Acarajé e frutos do mar frescos: nas barracas da Praia da Concha e nas cabanas da Praia da Ribeira, durante o dia.
Com praias selvagens e cachoeiras, esse paraíso do Nordeste encanta com a Costa do Cacau e surpreende com chocolates incríveis
Em Itacaré o visitante encontra praias urbanas estruturadas, trilhas para praias selvagens e passeios em rios e cachoeiras. // Créditos: depositphotos.com / Junot

Como é o clima e como chegar

Itacaré tem clima tropical úmido, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e temperaturas amenizadas pela brisa constante do Atlântico. Segundo o Climatempo, os meses de setembro a março concentram a temporada de desova das tartarugas marinhas na Praia Grande.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 23-31°C
Chuva: Média
Praia Grande e desova de tartarugas.
🍂 Outono chuvoso Mar-Mai
Média: 22-29°C
Chuva: Alta
Cachoeiras cheias e rafting no Rio de Contas.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 20-27°C
Chuva: Alta
Surfe em Tiririca e Engenhoca.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 22-29°C
Chuva: Baixa
Trilhas no Parque da Serra do Conduru.
💡 Dica do especialista: A primavera (setembro a novembro, 22°C a 29°C) apresenta baixa precipitação e é ideal para curtir as trilhas no Parque da Serra do Conduru. No verão, aproveite a Praia Grande e a desova de tartarugas com média incidência de chuva; o outono chuvoso convida para as cachoeiras cheias e o rafting no Rio de Contas; e o inverno destaca o surfe em Tiririca e Engenhoca!

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

O acesso mais comum é pelo Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, a 70 km pela BA-001, cerca de uma hora e quinze minutos de carro. De Salvador, são aproximadamente 270 km via balsa de Itaparica ou 391 km pela BR-101. Ônibus intermunicipais partem regularmente das duas cidades para a rodoviária local. A cidade integra o roteiro da Costa do Cacau com Ilhéus e Uruçuca.

Leia também: A “Veneza Brasileira” ganha fama com sua aparência que mistura rios, mais de 50 pontes e uma história que atravessa gerações.

A vila do cacau que virou paraíso do surfe

Itacaré entrega o que quase nenhum destino brasileiro reúne. Mais de 20 praias distribuídas entre a Mata Atlântica preservada e o Atlântico, uma plataforma continental de apenas 8 milhas que garante ondas raras no litoral baiano, um parque estadual com 9.275 hectares habitat de espécies ameaçadas de extinção e cachoeiras a poucos minutos do centro urbano. Tudo isso preservado por décadas de isolamento e revelado ao país apenas depois que o asfalto chegou em 1998.

Você precisa conhecer Itacaré num fim de semana de primavera, caminhar até a Prainha pela trilha da Mata Atlântica e reservar uma manhã para a Cachoeira do Tijuípe para entender por que a antiga vila do cacau virou o principal refúgio de surfistas e ecoturistas da Costa do Cacau baiana.

Tags: Bahiailhéusitacaré
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