Poucos litorais brasileiros conseguem tanto num só município. Angra dos Reis, no sul do Rio de Janeiro, concentra 365 ilhas na Baía da Ilha Grande, o único sítio misto do Brasil reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO e uma praia frequentemente citada entre as mais bonitas do planeta. Batizada em 6 de janeiro de 1502, é um dos destinos mais visitados da Costa Verde.
Por que Ilha Grande virou Patrimônio Mundial da UNESCO?
Pela combinação rara de natureza preservada e cultura tradicional. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o sítio Paraty e Ilha Grande: Cultura e Biodiversidade foi inscrito na lista da UNESCO em 5 de julho de 2019, durante a 43ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Baku, no Azerbaijão. É o primeiro sítio misto brasileiro, categoria que reconhece ao mesmo tempo valor cultural e natural excepcional.
A área protegida abrange quase 149 mil hectares distribuídos por oito municípios de dois estados, com a maior parte da área núcleo em Angra dos Reis e em Paraty. O território reúne quatro unidades de conservação: o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu. Segundo a Prefeitura Municipal de Angra dos Reis, o título aumenta a responsabilidade coletiva pela preservação da região.

Como o nome nasceu de uma passagem no calendário?
Pelo Dia dos Reis Magos. O navegador português Gonçalo Coelho chegou à enseada em 6 de janeiro de 1502, data em que a Igreja Católica celebra os Reis Magos, e batizou a angra em homenagem à passagem litúrgica. A cidade nasceu como um dos primeiros povoamentos do litoral fluminense e virou porto importante entre São Paulo e o Rio de Janeiro ainda no período colonial.
O centro histórico ainda preserva construções coloniais, com destaque para o Convento São Bernardino de Sena, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e o Convento Nossa Senhora do Carmo. É o roteiro urbano que costuma passar despercebido para quem chega focado apenas nas ilhas.
O que se encontra na Ilha Grande, a maior do arquipélago?
Cerca de 100 praias, trilhas em Mata Atlântica preservada e vilas sem acesso rodoviário. Segundo o portal oficial Visite Angra dos Reis, mantido pela Fundação de Turismo do município, a Ilha Grande tem cerca de 192 km², com 106 praias, cachoeiras e montanhas cobertas de floresta.
A ilha era originalmente habitada pelos tamoios e pelos tupinambás, que a chamavam de Ipaum Guaçu (Ilha Grande). São eles que abriram as trilhas usadas até hoje. Não há acesso rodoviário: chega-se de barco a partir de Angra dos Reis ou Mangaratiba, e a principal vila é a Vila do Abraão, com pousadas, restaurantes e ponto de partida para trilhas e passeios de barco.
Quais são as praias e ilhas imperdíveis?
O arquipélago cobre uma variedade que vai da praia badalada à enseada deserta. Segundo o guia turístico oficial da Prefeitura, os principais destaques são:
- Praia de Lopes Mendes: na costa oceânica da Ilha Grande, frequentemente citada entre as mais bonitas do Brasil e do mundo, com areia branca e mar aberto.
- Lagoa Azul: piscina natural rasa entre ilhotas próximas à Ilha Grande, ponto de parada obrigatória dos passeios de escuna.
- Ilha da Gipoia: com destaque para a Praia do Dentista, a Praia da Piedade e a Praia das Flechas.
- Ilha de Cataguases: areia branca e mar azul-esverdeado, um dos cenários mais fotografados da baía.
- Ilhas Botinas: duas ilhotas quase juntas, cartão-postal da região próxima à Ilha da Gipoia.
- Praia Grande: praia continental a poucos quilômetros do centro, com boa estrutura de bares e restaurantes.
- Praia do Bonfim: continental, com águas calmas e infraestrutura para famílias.
- Praia do Anil: no centro urbano, próxima ao cais de embarque para as ilhas.

Como funcionam os passeios de escuna e lancha?
São a principal forma de conhecer o arquipélago. As escunas saem do Cais Santa Luzia, no centro de Angra, com roteiros de dia inteiro que incluem paradas para banho em três a quatro ilhas e almoço em ilha ou em restaurante flutuante. Os passeios mais tradicionais percorrem Lagoa Azul, Ilha da Gipoia, Ilhas Botinas e Ilha de Cataguases.
Para quem quer mais flexibilidade de horário e paradas em enseadas menos visitadas, o aluguel de lancha com capitão é a alternativa. As marinas do centro e da Rodovia BR-101 concentram a maior parte da oferta. Segundo a Prefeitura, a atividade náutica é a principal vocação turística do município, que integra o Mapa do Turismo Brasileiro como Destino Indutor categoria A.
O que provar na gastronomia da Costa Verde?
A cozinha combina frutos do mar frescos, receitas caiçaras e a influência da imigração portuguesa. Alguns pratos e paradas essenciais:
- Peixe na folha da bananeira: receita caiçara tradicional, assado lentamente com legumes.
- Camarão à moda caiçara: preparado com legumes e ervas nativas, servido em restaurantes da orla.
- Moqueca capixaba: sem dendê, típica dos restaurantes de frutos do mar da região sudeste.
- Lula à provençal: pedida clássica das barracas das praias continentais.
- Restaurantes flutuantes: instalados entre as ilhas, com almoço à base de peixes frescos, muitos incluídos no pacote das escunas.
- Mercado do Peixe: no centro, com o pescado do dia diretamente das embarcações locais.
Como chegar a Angra dos Reis?
A cidade fica na Costa Verde, a cerca de 150 km do centro do Rio de Janeiro, com acesso pela Rodovia Rio-Santos (BR-101). O trajeto é considerado uma das viagens de carro mais cênicas do Brasil, com mar de um lado e a Serra do Mar de outro.
De São Paulo, são cerca de 390 km pela BR-101 sentido Rio, passando por Ubatuba e Paraty. Os aeroportos mais próximos com voos comerciais são o Santos Dumont e o Galeão, ambos no Rio de Janeiro. Para chegar à Ilha Grande é preciso pegar um barco a partir do Cais de Santa Luzia, em Angra, ou do porto de Mangaratiba, com traslados regulares de escunas, catamarãs e barcas.
A baía que tem uma ilha para cada dia
Angra dos Reis oferece o que raramente se encontra num único destino brasileiro: 365 ilhas espalhadas por uma baía preservada, mais de dois mil quilômetros de linha costeira, um sítio misto reconhecido pela UNESCO e o acesso mais direto a uma das praias mais bonitas do país. É a cidade que combina história colonial, natureza intocada e a cena náutica mais estruturada da Costa Verde.
Você precisa reservar pelo menos cinco dias em Angra dos Reis, dividindo o roteiro entre o centro histórico, um passeio de escuna pela baía e uma travessia até a Ilha Grande com pernoite na Vila do Abraão.




