Às margens do Rio Vermelho, a Cidade de Goiás guarda um dos conjuntos históricos mais preservados do Brasil, onde nasceu a poeta Cora Coralina, figura essencial para a literatura nacional e para a valorização da memória do antigo centro goiano. Entre casarões coloniais e ruas de pedra, a cidade mantém viva a atmosfera da antiga capital do estado.
A antiga capital goiana que o isolamento ajudou a preservar
A história da Cidade de Goiás começa no início do século XVIII, quando o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, encontrou ouro na região e deu origem ao arraial que se transformaria na antiga Vila Boa de Goiás, oficializada em 1727. O município foi a primeira capital da capitania e um dos primeiros núcleos urbanos organizados a oeste da linha do Tratado de Tordesilhas, marcando o ciclo inicial da ocupação do Centro-Oeste brasileiro.
Com o declínio da mineração e a transferência da capital para Goiânia em 1937, a cidade entrou em um período de isolamento que acabou sendo decisivo para sua preservação. Esse afastamento ajudou a manter intacto o conjunto colonial, com ruas de pedra, casarões e igrejas barrocas. O centro histórico foi tombado pelo IPHAN em 1978 e posteriormente reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2001, reforçando seu valor cultural e arquitetônico único no país.

A poeta doceira que transformou a antiga capital goiana em símbolo cultural
A vida de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, conhecida como Cora Coralina, começou na Cidade de Goiás em 1889, onde cresceu em meio às tradições do antigo núcleo colonial. Depois de décadas vivendo em São Paulo, ela retornou viúva ao casarão às margens do Rio Vermelho em 1956, retomando uma rotina simples entre a produção de doces e a escrita, que daria forma a uma das vozes mais autênticas da literatura brasileira.
O reconhecimento veio apenas em sua maturidade, quando publicou em 1965 “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, obra que chamou a atenção de nomes como Carlos Drummond de Andrade. O casarão onde viveu, hoje conhecido como Casa Velha da Ponte, foi transformado em museu em 1989 e se tornou um dos principais pontos turísticos da cidade, preservando a memória da escritora que ajudou a projetar a antiga capital goiana para o país inteiro.
O que conhecer caminhando pelo centro histórico?
Explorar a Cidade de Goiás a pé é parte essencial da experiência. As ruas de pedra conectam, em poucos minutos, igrejas, museus e construções históricas que guardam séculos de memória, formando um roteiro compacto e cheio de significado.
Entre os principais pontos, vale incluir:
- Igreja de Santa Bárbara: localizada em um dos pontos mais altos, oferece uma vista ampla da cidade e da Serra Dourada.
- Museu Casa de Cora Coralina: instalado às margens do Rio Vermelho, preserva objetos pessoais, manuscritos e o ambiente onde a poetisa viveu e produziu seus doces.
- Palácio Conde dos Arcos: antiga sede administrativa, reúne mobiliário histórico e um jardim que remete ao período colonial.
- Museu das Bandeiras: funciona no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia, com acervo ligado ao período bandeirante.
- Museu de Arte Sacra da Boa Morte: abriga importantes obras religiosas, incluindo peças do escultor barroco Veiga Valle e coleções em prata.
O vídeo é do canal Viajantes de Estação em Estação, que conta com mais de 73 mil inscritos, e apresenta um roteiro de 20 pontos turísticos em Goiás Velho, incluindo a Casa de Cora Coralina e a deslumbrante Cachoeira das Andorinhas. Um guia histórico dos Viajantes de Estação em Estação:
Que sabores o Cerrado coloca no prato?
A gastronomia de Goiás Velho é marcada pelo uso de ingredientes do Cerrado e por receitas que passam de geração em geração.
- Empadão goiano: torta recheada com frango, linguiça, guariroba e queijo, vendida em quase todas as casas do centro histórico.
- Alfenins: doces artesanais em formato de pássaros, flores e símbolos do Divino Espírito Santo, feitos com técnica centenária.
- Sorvete de castanha de baru: vendido no coreto da praça central, usa a castanha nativa do Cerrado.
- Doces cristalizados: de caju, figo e laranja, preparados com a técnica aprimorada por Cora Coralina.
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Quando o clima favorece a visita?
O período seco, de maio a setembro, é o mais indicado. As noites são amenas e o céu limpo favorece caminhadas e eventos ao ar livre.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à antiga Vila Boa?
A Cidade de Goiás fica a cerca de 140 km de Goiânia, com acesso principal pela GO-070, em um trajeto totalmente asfaltado que dura em média duas horas de viagem. Para quem parte de Brasília, o percurso é de aproximadamente 300 km, seguindo pela BR-060 até Anápolis e, em seguida, por rodovias estaduais até o destino.
O principal ponto de chegada aérea é o Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, que recebe voos de diversas regiões do país. A partir dele, o deslocamento até a antiga capital goiana é feito por estrada, geralmente de carro ou ônibus intermunicipal, em um trajeto que já antecipa a transição entre a capital moderna e o cenário histórico preservado da Vila Boa.










