Entre vinhedos, cantinas familiares e casarões coloniais, São Roque se consolidou como um dos principais destinos de enoturismo do estado de São Paulo. A apenas 60 km da capital paulista, a cidade transformou a herança dos imigrantes em tradição vitivinícola e hoje abriga o roteiro de vinho mais famoso do interior paulista.
Como São Roque se tornou referência no enoturismo brasileiro?
A história da vitivinicultura em São Roque começou no século XVII, quando Pedro Vaz de Barros fundou o município em 1657 e introduziu os primeiros vinhedos na região. O cultivo ganhou força no final do século XIX, com a chegada de imigrantes portugueses, italianos e espanhóis a partir de 1884, que passaram a ocupar as encostas da serra com parreirais e pequenas cantinas familiares.
Em julho de 1942, a cidade realizou a primeira Festa do Vinho do Brasil, marco que ajudou a consolidar sua vocação turística e produtiva. Desde então, São Roque se desenvolveu como estância turística e mantém uma produção anual em torno de 20 milhões de litros de vinho, entre rótulos de mesa e vinhos finos, fortalecendo seu papel como referência nacional em enoturismo.

Como funciona o Roteiro do Vinho de São Roque na prática?
O Roteiro do Vinho de São Roque se estende por cerca de 10 km, conectando três principais vias: a Estrada do Vinho, a Estrada dos Venâncios e a Rodovia Quintino de Lima. O percurso é totalmente sinalizado, gratuito e pode ser feito de carro, moto ou bicicleta, permitindo ao visitante explorar a região no próprio ritmo.
Ao longo do trajeto, estão distribuídas cerca de 15 vinícolas, além de restaurantes, pesqueiros, empórios e pequenas fazendinhas que completam a experiência. A região recebe mais de 600 mil visitantes por ano, com maior movimento nos fins de semana e no período da colheita da uva, entre janeiro e fevereiro, quando as propriedades ficam mais movimentadas e abertas à visitação.
São Roque, a cerca de 60 km de São Paulo, é apresentada neste vídeo do canal De fora em Juiz de Fora como a “Terra do Vinho” paulista, unindo tradição europeia, gastronomia e lazer para todas as idades.
Quais vinícolas merecem uma parada no roteiro?
Cada vinícola tem uma personalidade, desde casarões portugueses centenários até wine bars com vista panorâmica. A maioria oferece degustação gratuita de vinhos de mesa e degustações pagas para os finos.
- Vinícola Góes: a mais tradicional do roteiro, fundada por imigrantes portugueses em 1938. O complexo reúne casarão, lago com carpas, restaurantes e o vinho fino Philosophia.
- Quinta do Olivardo: famosa pelo Vinho dos Mortos, com garrafas enterradas por seis meses. A tradição vem das invasões napoleônicas em Portugal.
- Villa Don Patto: vilarejo gastronômico com restaurante português, italiano, boulangerie e jardim com lagos.
- Alma Galiza: vinícola intimista no alto de um morro, com deque externo e vista dos vales.
- Vinícola XV de Novembro: parreirais ao lado de plantação de alcachofra, com food truck e empório.
Por que São Roque também é conhecida como terra da alcachofra?
A alcachofra roxa chegou a São Roque com os imigrantes italianos no final do século XIX e acabou se adaptando bem ao clima da região serrana. Com o tempo, o cultivo deixou de ser apenas uma tradição familiar e passou a integrar a identidade agrícola e gastronômica do município.
A safra acontece entre setembro e novembro, quando restaurantes do Roteiro do Vinho criam cardápios especiais com a flor como protagonista. Nesse período também ocorre a Expo São Roque, que une vinho e alcachofra, além de experiências em propriedades como o Quintal das Alcachofras, onde visitantes podem participar da colheita e pagar apenas pelo que consomem.

Quais outras atrações valem a pena visitar em São Roque?
Além do famoso Roteiro do Vinho, São Roque oferece atrações que misturam história, natureza e lazer ao ar livre. Um dos principais destaques é o Sítio Santo Antônio, conjunto formado por Casa Grande e Capela de 1681, tombado pelo IPHAN em 1947 e que já pertenceu ao escritor Mário de Andrade, preservando parte importante da memória colonial paulista.
Outro ponto bastante procurado é o Ski Mountain Park, um dos maiores complexos de entretenimento de montanha artificial da América Latina, com pista de esqui, snowboard, arvorismo e teleférico. Já para quem prefere natureza, a Mata da Câmara reúne 54 alqueires de Mata Atlântica preservada, enquanto o Morro do Cruzeiro oferece um dos melhores mirantes da cidade. A visita se completa na Igreja Matriz, do século XIX, conhecida pelos vitrais históricos e por abrigar uma relíquia de São Roque.
Quando ir conforme o clima e os eventos?
O clima serrano é um dos atrativos da estância. Verões giram em torno dos 30°C, enquanto invernos baixos favorecem dias longos de degustação ao lado da lareira.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: O “Paraíso Ecológico” de Minas reúne mais de 150 cachoeiras, Queijo Canastra premiado e um dos acessos mais preservados à Serra da Canastra.
Como chegar a São Roque saindo da capital?
A cidade está a cerca de 67 km de São Paulo, com acesso principal pela Rodovia Castello Branco (SP-280), saindo pelo km 54B. Outra alternativa é a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), que não tem pedágios, mas costuma levar um pouco mais de tempo até o destino.
O trajeto dura em média 1h15 de carro, sendo essa a forma mais prática para explorar o Roteiro do Vinho e as atrações rurais da região. Como os pontos turísticos ficam espalhados, o carro facilita bastante o deslocamento entre vinícolas, restaurantes e áreas de lazer.










