Os povos tupiniquins chamavam a região de Piaçabuçu, expressão que significa “porto grande”. O nome fazia jus à paisagem: Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, possui uma faixa contínua de areia com aproximadamente 22,5 km de extensão, ligando o Canto do Forte ao bairro Solemar, na divisa com Mongaguá. Hoje, o município figura entre os destinos mais visitados do estado durante a temporada de verão.
Como Praia Grande se transformou em um dos principais balneários paulistas?
Até 1967, o território que hoje forma Praia Grande fazia parte do município de São Vicente. A transformação da região começou ainda no início do século XX, quando teve início a construção da Fortaleza de Itaipu, em 1902, com o objetivo de proteger a entrada do Porto de Santos. A presença militar impulsionou a abertura de estradas, a instalação de infraestrutura básica e a chegada dos primeiros moradores permanentes.
Décadas mais tarde, a melhoria dos acessos rodoviários, especialmente com a implantação da ligação pela Rodovia dos Imigrantes, aproximou definitivamente a cidade da capital paulista. O antigo núcleo de pescadores passou a receber cada vez mais turistas e veranistas, consolidando-se como um dos balneários mais acessíveis do estado. Atualmente, a extensa orla é dividida em 12 praias, cada uma com características próprias, variando entre áreas mais movimentadas, como o Boqueirão, e regiões mais tranquilas e familiares, como o Canto do Forte.

O que visitar em Praia Grande além da faixa de areia?
A orla urbanizada já é um passeio por si só, mas as atrações vão além do calçadão. Algumas surpreendem pela história, outras pela natureza encravada no meio urbano.
- Fortaleza de Itaipu: complexo de três fortes em meio à Mata Atlântica, com vista da baía de Santos. Visitas gratuitas aos fins de semana. Foi ali que Pelé prestou serviço militar em 1959, um ano após vencer a Copa do Mundo.
- Estátua de Iemanjá: monumento de nove metros na Praia Mirim, cercado por espelhos d’água e 16 coqueiros que representam os orixás da Umbanda. Em dezembro, milhares de fiéis se reúnem para a tradicional Festa de Iemanjá.
- Portinho (Área de Lazer Ézio Dall’Acqua): às margens do Mar Pequeno, o espaço reúne píer de pesca, quiosques, churrasqueiras e uma escola ambiental com herbário de espécies da Mata Atlântica. Entrada gratuita.
- Palácio das Artes: centro cultural com teatro, museu da cidade e exposições ao longo do ano. Fica no Boqueirão e funciona de segunda a sexta.
- Estátua de Netuno: marco do bairro Ocian desde 1956, esculpida em bronze. O nome do bairro, aliás, não vem de “ocean”: é sigla da Organização Construtora e Incorporadora Andraus, que ergueu os primeiros 22 prédios do local em 1955.
22,5 km de ciclovia à beira-mar: como aproveitar a orla
A ciclovia que acompanha todo o calçadão é a maior à beira-mar do país. O trecho vai da divisa com Mongaguá até a Ponte do Mar Pequeno, em São Vicente, passando por 12 bairros. A cidade soma cerca de 100 km de ciclovias no total, mais que o dobro da capital paulista.
Para quem prefere caminhar, o calçadão sombreado por coqueiros oferece quiosques padronizados, espaços kids, academias ao ar livre e escolas de surf. A Praia da Aviação ganhou esse nome por abrigar o antigo Campo da Aviação e, no verão, recebe palco de shows na areia. A Guilhermina atrai praticantes de surfe e vôlei de praia.
Onde comer frutos do mar frescos no litoral?
A tradição pesqueira marca a mesa de Praia Grande. Os restaurantes do Canto do Forte, concentrados na Avenida Marechal Mallet, formam a principal rota gastronômica da cidade.
- Casquinha de siri: servida nos quiosques da orla, é o petisco mais pedido entre os banhistas.
- Moqueca e camarão: restaurantes à beira-mar apostam em porções generosas de frutos do mar frescos.
- Boutique do Peixe (Ocian): mercado em formato de barco, com boxes de pescado fresco e mirante com vista para o Forte de Itaipu.
- Feiras de artesanato: funcionam nos bairros Guilhermina, Ocian, Caiçara e Solemar aos fins de semana, com comida típica e produtos locais.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical atlântico garante temperatura média de 23 °C ao longo do ano. O verão é quente e chuvoso, enquanto o inverno oferece dias secos e agradáveis para caminhadas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à maior orla contínua do litoral paulista?
Praia Grande está localizada a aproximadamente 72 km da capital paulista, com acesso principal pela Rodovia dos Imigrantes (SP-160). Em condições normais de trânsito, o trajeto de carro entre São Paulo e o litoral pode ser feito em cerca de 1h10, o que faz da cidade um dos destinos de praia mais acessíveis para quem vive na Região Metropolitana.
Para quem prefere transporte coletivo, empresas como Cometa e Breda operam linhas regulares partindo do Terminal Jabaquara, na capital, com saídas diárias ao longo do dia. Já os visitantes que chegam a partir de Santos ou São Vicente podem acessar o município rapidamente pela tradicional Ponte do Mar Pequeno, ligação histórica entre as cidades da Baixada Santista.
Vale a pena conhecer Praia Grande?
Praia Grande reúne uma combinação pouco comum entre extensa orla urbanizada, patrimônio histórico ligado à defesa militar e uma forte tradição gastronômica baseada nos frutos do mar. O amplo calçadão à beira-mar funciona como um grande parque linear, oferecendo espaço para caminhadas, ciclismo, atividades esportivas e lazer ao ar livre sempre com o oceano ao fundo.
Descer a serra rumo a Praia Grande é descobrir uma cidade que preserva sua herança caiçara enquanto oferece infraestrutura moderna para moradores e turistas. Não por acaso, o antigo nome indígena Piaçabuçu, ou “porto grande”, continua representando perfeitamente a grandiosidade de uma das orlas mais famosas do litoral paulista.










