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Início Cidades

Com mais de 1.000 metros de altura, o maior conjunto de cânions da América Latina encanta entre dois municípios brasileiros

Por Maura Pereira
01/04/2026
Em Cidades, Turismo
Cambará do Sul ostenta o título de "Terra dos Cânions" por abrigar as bordas dos maiores desfiladeiros da América do Sul. / Imagem Ilustrativa

Cambará do Sul ostenta o título de "Terra dos Cânions" por abrigar as bordas dos maiores desfiladeiros da América do Sul. / Imagem Ilustrativa

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O vento frio dos Campos de Cima da Serra corta o rosto antes mesmo de se chegar à borda. A 1.000 metros de altitude, Cambará do Sul guarda o maior conjunto de cânions da América Latina, reconhecido como Geoparque Mundial da UNESCO em 2022.

Por que a região virou Geoparque Mundial da UNESCO?

Em abril de 2022, a UNESCO chancelou o território de sete municípios entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina como Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul. A área de 2.830 km² abriga escarpas com desníveis de até 1.300 metros e uma história geológica que remonta à fragmentação do supercontinente Gondwana.

Cambará do Sul é a principal porta de entrada para esse território. Os dois parques nacionais que protegem os cânions mais visitados ficam a menos de 25 km do centro da cidade, administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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Os cânions de Cambará do Sul ganharam destaque recente com novo manejo nos parques Aparados da Serra e Serra Geral e aumento da procura por turismo de trilhas e natureza extrema.​ // Créditos: depositphotos.com / lltrarbach

Quais cânions visitar na Terra dos Cânions?

Os dois gigantes da região ficam em parques nacionais distintos e estão em lados opostos de Cambará do Sul. O Cânion Itaimbezinho integra o Parque Nacional de Aparados da Serra, criado em 1959. O nome vem do tupi-guarani: “ita” (pedra) e “aimbé” (afiada). Seus paredões têm 5,8 km de extensão e até 720 metros de profundidade.

O Cânion Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral, é o maior do Brasil. São 7,5 km de paredões que alcançam 900 metros de altura em alguns pontos. A estrada de chão até o portão exige atenção, mas a vista compensa cada solavanco.

Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, é mundialmente famosa pelos seus cânions, mas este documentário do canal Diogo Elzinga revela que a cidade esconde tesouros muito além do Itaimbezinho e do Fortaleza.

O que fazer além dos dois cânions principais?

A Terra dos Cânions tem atrações para vários dias de roteiro. Algumas ficam a poucos minutos do centro, outras pedem guia credenciado e disposição para trilhas longas.

  • Trilha do Rio do Boi: 8 km por dentro do Itaimbezinho, com travessias de rio e piscinas naturais. Acesso por Praia Grande (SC), obrigatório com guia.
  • Cachoeira dos Venâncios: quatro quedas em sequência formadas pelo Rio Camisas, a 23 km do centro. Águas cristalinas e boas para banho no verão.
  • Voo de balão: sobrevoo dos campos e das bordas dos cânions ao amanhecer, atividade que virou marca registrada de Cambará.
  • Cavalgada na borda dos cânions: passeios de 1h a 3h por campos nativos, com vista para os paredões dos cânions Cambajuva e Pinheirinho.
  • Cânion Malacara: trilha de 3 a 4 horas com travessias de rio até piscinas naturais, considerada uma versão mais leve da Trilha do Rio do Boi.

Sabores serranos que aquecem depois da trilha

A culinária de Cambará do Sul carrega a tradição campeira do Rio Grande do Sul. Carreteiro de charque, pinhão assado no fogão a lenha, paçoca de pinhão e queijo serrano aparecem nos restaurantes e nas mesas dos moradores. A truta fresca, criada em águas geladas da serra, virou o prato mais emblemático da cidade.

  • Galpão Costaneira: buffet campeiro com comida de panela de ferro, sanfoneiro e cachaças artesanais na fila de espera.
  • Restaurante do Lago: truta grelhada com ervas frescas, especialidade da casa.
  • Sabores da Querência: fábrica artesanal de geleias com bistrô e plantação aberta à visitação.
  • Du Perau Gastropub: cervejas da Grota Bier, produzidas com águas que descem dos cânions em Praia Grande.
O paraíso pouco conhecido do RS que guarda um dos maiores cânions da América Latina
Em Cambará, curta mirantes incríveis, banhos de cascata e balonismo no clima fresco e aventureiro da serra gaúcha perfeita para desconectar! // Créditos: depositphotos.com / nidohuebl.gmail.com

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

A temperatura média anual de Cambará gira em torno de 16 °C. No inverno, geadas cobrem os campos pela manhã. No verão, a neblina pode encobrir os cânions sem aviso, mas também libera dias de céu aberto para cachoeiras e trilhas aquáticas.

Guia de sazonalidade: Cânions, Balonismo e Natureza
Planejamento climático para aproveitar a Trilha do Rio do Boi e as belezas dos Aparados da Serra
Estação
Meses
Temperatura
Chuva
O que fazer
☀️ Verão
Dez-Fev
12-25 °C
Alta
Aproveite para fazer a incrível Trilha do Rio do Boi e se refrescar nas cachoeiras.
🍂 Outono
Mar-Mai
8-20 °C
Média
Época excelente para trilhas nos cânions com céu limpo e ótima visibilidade panorâmica.
🎈 Inverno
Jun-Ago
2-14 °C
Baixa
Curta a paisagem com geadas, os inesquecíveis voos de balão e a farta gastronomia serrana.
🐎 Primavera
Set-Nov
8-22 °C
Média
Clima ideal para cavalgadas na borda dos cânions e para apreciar os campos floridos.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar, especialmente a neblina nos cânions.

O paraíso pouco conhecido do RS que guarda um dos maiores cânions da América Latina
Cambará do Sul inspira com paredões vertiginosos, pores do sol dramáticos e céu estrelado que renovam a alma em paraíso selvagem e isolado dos cânions brasileiros. // Créditos: depositphotos.com / lltrarbach

Como chegar a Cambará do Sul saindo de Porto Alegre?

Cambará do Sul fica a cerca de 190 km de Porto Alegre pela RS-020 e RS-453. O trajeto de carro leva aproximadamente 3h30. Há ônibus a partir da capital gaúcha, mas o carro próprio facilita o acesso às atrações, já que as estradas dentro do município são de chão batido. Quem vem de Gramado ou Canela percorre cerca de 130 km pela serra.

Leia também: Segundo a psicologia, pessoas que dormem tarde mesmo cansadas têm um hábito mais comum do que parece.

Vá antes que a neblina chegue

Cambará do Sul é daqueles lugares que fazem o viajante encostar na borda, olhar para baixo e ficar em silêncio. A combinação de paredões esculpidos há milhões de anos, campos abertos e gastronomia de fogão a lenha cria uma experiência rara no Brasil.

Você precisa sentir o vento gelado na borda do Itaimbezinho e entender por que os primeiros habitantes chamaram aquelas rochas de pedra afiada.

Tags: América LatinaCambará do sulRio Grande do Sul
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