Em São Roque, no interior de São Paulo, a primeira festa do vinho do Brasil nasceu em 1942. Hoje, três estradas formam o roteiro mais conhecido do enoturismo do estado, com videiras, alcachofras e casarões portugueses entre as serras.
Como nasceu a tradição vitivinícola da cidade?
O cultivo da uva chegou no século XVII, quando o capitão paulista Pedro Vaz de Barros fundou a cidade em 1657 e plantou os primeiros vinhedos. A produção ganhou força com a chegada de imigrantes portugueses, italianos e espanhóis a partir de 1884, que cobriram as encostas com parreirais.
A primeira Festa do Vinho do país aconteceu em julho de 1942, segundo a Secretaria de Turismo de São Paulo. Em 1990, o município foi elevado a estância turística e hoje produz cerca de 20 milhões de litros por ano, distribuídos entre 75% de vinho de mesa e 25% de vinhos finos.

Como funciona o Roteiro do Vinho na prática?
O Roteiro do Vinho tem cerca de 10 km e percorre três vias: Estrada do Vinho, Estrada dos Venâncios e Rodovia Quintino de Lima. O trajeto é gratuito, sinalizado e pode ser feito de carro, moto ou bicicleta.
São cerca de 15 vinícolas ao longo do percurso, somadas a restaurantes, pesqueiros, fazendinhas e empórios. A região recebe mais de 600 mil visitantes por ano, com pico nos fins de semana e durante a colheita da uva, entre janeiro e fevereiro.
São Roque, a cerca de 60 km de São Paulo, é apresentada neste vídeo do canal De fora em Juiz de Fora como a “Terra do Vinho” paulista, unindo tradição europeia, gastronomia e lazer para todas as idades.
Quais vinícolas merecem uma parada no roteiro?
Cada vinícola tem uma personalidade, desde casarões portugueses centenários até wine bars com vista panorâmica. A maioria oferece degustação gratuita de vinhos de mesa e degustações pagas para os finos.
- Vinícola Góes: a mais tradicional do roteiro, fundada por imigrantes portugueses em 1938. O complexo reúne casarão, lago com carpas, restaurantes e o vinho fino Philosophia.
- Quinta do Olivardo: famosa pelo Vinho dos Mortos, com garrafas enterradas por seis meses. A tradição vem das invasões napoleônicas em Portugal.
- Villa Don Patto: vilarejo gastronômico com restaurante português, italiano, boulangerie e jardim com lagos.
- Alma Galiza: vinícola intimista no alto de um morro, com deque externo e vista dos vales.
- Vinícola XV de Novembro: parreirais ao lado de plantação de alcachofra, com food truck e empório.
Por que a cidade também é a terra da alcachofra?
Trazida por imigrantes italianos no fim do século XIX, a alcachofra roxa virou identidade local. A safra acontece entre setembro e novembro, e os restaurantes do roteiro lançam cardápios temáticos no período.
A Expo São Roque, que une vinho e alcachofra, é realizada todos os anos em outubro e novembro. Empórios como o Quintal das Alcachofras oferecem colheita participativa, em que o visitante colhe direto do pé e paga apenas pelo que leva.

Que outras atrações vale a pena visitar?
O turismo na cidade vai além do vinho. Patrimônio histórico, mata atlântica preservada e até esqui artificial fazem parte do mapa.
- Sítio Santo Antônio: Casa Grande e Capela construídas em 1681, tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1947. A propriedade já pertenceu a Mário de Andrade.
- Ski Mountain Park: um dos maiores centros de entretenimento de montanha artificial da América Latina, com pista de esqui, snowboard, arvorismo e teleférico.
- Mata da Câmara: maior reserva ecológica da região, com 54 alqueires de mata atlântica e trilha do Caminho das Águas.
- Morro do Cruzeiro: mirante com a imagem do padroeiro e vista panorâmica da cidade.
- Igreja Matriz: templo do século XIX com vitrais em mosaico que contam a vida do santo e relíquia autêntica do antebraço de São Roque.
Quando ir conforme o clima e os eventos?
O clima serrano é um dos atrativos da estância. Verões giram em torno dos 30°C, enquanto invernos baixos favorecem dias longos de degustação ao lado da lareira.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a São Roque saindo da capital?
A cidade fica a 67 km de São Paulo pela Rodovia Castello Branco (SP-280), com saída pelo km 54B. Outra opção é a Rodovia Raposo Tavares, sem pedágios e com trajeto um pouco mais longo. O trajeto leva cerca de 1h15 e o carro é a melhor forma de circular pelo roteiro.
Brinde com a serra paulista bem perto da capital
São Roque reúne em poucos quilômetros uma combinação rara: vinhedos, alcachofrais, patrimônio bandeirante e até pista de esqui. Tudo isso a uma hora da maior cidade do país, num ritmo que pede dia inteiro de mesa, taça e contemplação.
Você precisa subir a serra, percorrer o Roteiro do Vinho e descobrir por que São Roque virou o destino preferido de quem quer um pedaço da Europa sem sair do interior paulista.










