A forma como lidamos com emoções intensas pode influenciar diretamente o bem-estar e a rotina. Em uma publicação do El Confidencial de 25 de setembro de 2026, a psicóloga Beatriz Ruiz González aparece no centro dessa discussão sobre emoções e saúde mental. O ponto central é simples: sentir raiva, medo, tristeza ou ansiedade não significa que algo esteja necessariamente errado, mas a maneira de responder a essas emoções faz diferença.
Regular uma emoção não significa deixar de senti-la
Beatriz Ruiz, psicóloga geral sanitária e especialista em inteligência emocional, explica em seu próprio conteúdo sobre regulação emocional que o objetivo não é reprimir, esconder ou fingir que nada aconteceu. Regular emoções significa reconhecer o que está acontecendo e escolher uma forma mais adequada de responder, sem deixar que a intensidade do momento determine automaticamente uma atitude.
O problema começa quando toda emoção desagradável vira inimiga
Tristeza, medo, frustração e raiva costumam ser tratadas como sentimentos que deveriam desaparecer rapidamente. Essa lógica pode criar uma segunda camada de sofrimento: além de experimentar uma emoção desconfortável, a pessoa passa a se cobrar por estar sentindo aquilo ou tenta evitar a emoção a qualquer custo.
A orientação publicada pelo UNICEF segue uma linha semelhante ao explicar que as emoções fazem parte das respostas humanas ao que acontece ao redor e não precisam ser classificadas simplesmente como boas ou ruins. Reconhecer e encontrar maneiras de expressar o que se sente pode ser mais útil do que guardar tudo ou sentir vergonha da própria reação emocional.

Quatro passos ajudam a interromper uma reação automática
Em sua abordagem prática, Beatriz Ruiz reúne estratégias que podem criar algum espaço entre a emoção intensa e a resposta impulsiva. Elas não prometem eliminar desconforto nem substituem acompanhamento profissional, mas funcionam como formas de observar melhor o que está acontecendo antes de agir.
- Respirar conscientemente: direcionar a atenção para a respiração pode ajudar a reduzir a ativação do momento e criar uma pequena pausa antes da reação.
- Reavaliar a situação: perguntar se existe outra maneira de interpretar o que aconteceu evita assumir que a primeira leitura é necessariamente a única possível.
- Observar sem reagir imediatamente: práticas de atenção ao presente permitem perceber a emoção sem tentar modificá-la no mesmo instante.
- Expressar de forma saudável: conversar com alguém de confiança ou escrever sobre o que aconteceu pode ajudar a organizar pensamentos e sentimentos.
Saúde mental não depende apenas de controlar pensamentos
Falar sobre gestão emocional também exige evitar uma simplificação comum: nem todo sofrimento psicológico pode ser resolvido apenas mudando pensamentos ou fazendo exercícios de respiração. O Ministério da Saúde explica que a saúde mental resulta da interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais, além de ser afetada pelas condições de vida, apoio social e ambiente em que cada pessoa está inserida.
Isso ajuda a entender por que duas pessoas podem reagir de maneiras muito diferentes diante de acontecimentos parecidos. História de vida, recursos disponíveis, relacionamentos, situação financeira, saúde física e experiências anteriores também entram nessa equação, portanto transformar qualquer dificuldade emocional em uma suposta falta de controle individual reduz um problema que pode ser muito mais amplo.
Quando é hora de procurar ajuda profissional
Emoções intensas fazem parte da vida, mas merecem mais atenção quando deixam de ser episódios passageiros e começam a interferir repetidamente no sono, nas relações, nos estudos, no trabalho ou nas tarefas cotidianas. A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo orienta considerar ajuda profissional quando mudanças em emoções, pensamentos ou comportamentos passam a perturbar a vida diária e os objetivos pessoais.
No Brasil, o cuidado em saúde mental também está disponível pelo SUS, com a atenção básica funcionando como uma das principais portas de entrada e encaminhamento para outros serviços quando necessário. A ideia de regulação emocional, portanto, não é aprender a nunca sofrer, mas desenvolver recursos para reconhecer o que se sente, responder de maneira menos automática e perceber quando o sofrimento persistente já pede apoio especializado.




