Algumas cidades crescem para os lados; outras precisam crescer para cima. Salvador, capital da Bahia, nasceu dividida em dois níveis, a Cidade Alta e a Cidade Baixa, separados por uma grande escarpa. Para ligar as duas partes, a cidade ganhou no século XIX uma obra ousada para a época: um elevador público, movido a vapor, que se tornou um dos maiores símbolos da capital baiana. O Elevador Lacerda segue em funcionamento até hoje.
Por que Salvador precisou de um elevador?
Por causa da escarpa que divide a cidade. Segundo o jornal Bahia Notícias, o elevador faz o transporte de pessoas entre a Praça Cairu, na Cidade Baixa, e a Praça Tomé de Souza, na Cidade Alta. A mesma reportagem registra que o equipamento foi pensado não só para ligar as duas partes, mas também para facilitar o deslocamento para o sul, para onde a cidade se expandia, articulado com as linhas de bonde.
A obra foi um desafio de engenharia. Segundo a Prefeitura de Salvador, a construção durou cerca de quatro anos e o elevador foi inaugurado em 8 de dezembro de 1873, dia em que também se celebra Nossa Senhora da Conceição da Praia. O idealizador foi Antônio de Lacerda, que deu nome ao equipamento.

Como funcionava o elevador no século XIX?
A vapor. Segundo o portal Boletim Bahia, o projeto de Antônio de Lacerda resultou em uma máquina a vapor, movida por cabos de aço e contrapesos, que simplificou a mobilidade entre as duas partes da cidade. A obra enfrentou desconfiança na época, mas se tornou uma conquista de engenharia.
A tecnologia mudou com o tempo. O Boletim Bahia registra que o elevador foi eletrificado em 1930 e modernizado em 1960. A Prefeitura informa que, depois de reformas, a estrutura chegou a 72 metros de altura, com duas torres: uma que sai da rocha e atravessa a Ladeira da Montanha e outra, mais visível, que desce até a Cidade Baixa.
Quais são os marcos da história do elevador?
O Elevador Lacerda passou por várias transformações. Estes são alguns marcos.
Quantas pessoas usam o elevador hoje?
Dezenas de milhares por dia. Segundo a Prefeitura de Salvador, o elevador chega a transportar 900 mil passageiros por mês, uma média de 28 mil pessoas por dia, em um percurso de cerca de 30 segundos. O recorde foi registrado em 16 de janeiro de 2019, com 33.850 pessoas em um único dia.
O elevador também é patrimônio. A Prefeitura informa que ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2006. Para o visitante, a viagem é rápida, mas a vista do alto, sobre a Baía de Todos-os-Santos e o Mercado Modelo, é uma das mais conhecidas da cidade.

Como é o clima de Salvador ao longo do ano?
O calor é constante, e a chuva se concentra no outono e no inverno. Maio registra 187 mm em média, enquanto dezembro tem 51 mm, e as temperaturas variam pouco ao longo do ano.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que sobe e desce em 30 segundos
O Elevador Lacerda mostra como Salvador encontrou uma solução engenhosa para viver em dois níveis. Inaugurado em 1873 e movido a vapor nas primeiras décadas, ele foi eletrificado, ganhou altura e segue levando dezenas de milhares de pessoas por dia entre a Cidade Baixa e a Cidade Alta. Mais de 150 anos depois, continua sendo transporte, mirante e símbolo da capital baiana.
Você precisa entrar no Elevador Lacerda na Praça Cairu, sentir a subida de 30 segundos e sair na Cidade Alta diante da Baía de Todos-os-Santos para entender por que esse elevador é a cara de Salvador.




