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Início Curiosidades

O veterinário Manuel Manzano, explica: “A pessoa favorita de um gato é sempre aquela que parece um pouco mais distante.”

Por Daniely Cardoso
13/09/2026
Em Curiosidades
A diferença não está necessariamente na quantidade de afeto, mas na possibilidade de o gato escolher quando se aproximar e quando encerrar o contato.

A diferença não está necessariamente na quantidade de afeto, mas na possibilidade de o gato escolher quando se aproximar e quando encerrar o contato.

Seu gato pode demonstrar uma preferência clara por uma pessoa da casa, e essa escolha nem sempre recai sobre quem oferece comida ou tenta fazer mais carinho. Segundo o veterinário Manuel Manzano, respeitar o espaço do felino pode pesar bastante na construção desse vínculo.

Por que o gato pode preferir a pessoa mais distante

Em entrevista publicada pelo El Español, Manzano explica que gatos tendem a se aproximar de pessoas que não ficam perseguindo o animal pela casa nem forçam contato físico. Na prática, esse comportamento mais reservado pode oferecer ao gato algo que ele valoriza: controle sobre a interação.

Isso ajuda a explicar uma situação comum: uma visita que aparentemente ignora o gato pode acabar recebendo mais aproximações do que o próprio tutor que tenta pegá-lo constantemente no colo. A diferença não está necessariamente na quantidade de afeto, mas na possibilidade de o gato escolher quando se aproximar e quando encerrar o contato.

Distância não significa falta de carinho

A ideia não é que uma pessoa precise passar a ignorar completamente o animal. O ponto é oferecer espaço e previsibilidade, evitando carícias prolongadas ou aproximações quando o gato demonstra vontade de sair, dormir ou ficar sozinho. Cada felino também tem personalidade, histórico de socialização e tolerância ao toque diferentes, por isso não existe uma regra que determine de forma absoluta quem será sua pessoa favorita.

Cada felino também tem personalidade, histórico de socialização e tolerância ao toque diferentes, por isso não existe uma regra que determine de forma absoluta quem será sua pessoa favorita.

O que a ciência já sabe sobre o vínculo entre gatos e humanos

Há evidências de que gatos domésticos conseguem estabelecer laços de apego com humanos. Um estudo da Oregon State University observou padrões de apego entre gatos e seus cuidadores semelhantes, em alguns aspectos, aos identificados em crianças e cães. A pesquisa pode ser consultada na página oficial da Oregon State University.

Outro trabalho ajuda a entender por que não forçar carinho pode funcionar. Pesquisadores que avaliaram interações entre pessoas e gatos verificaram melhores respostas quando o animal tinha escolha e controle sobre a aproximação, enquanto os humanos prestavam atenção à linguagem corporal e limitavam o toque. O estudo, publicado na Frontiers in Veterinary Science, analisou centenas de interações.

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Por isso, a afirmação de que o gato “sempre” prefere a pessoa mais distante deve ser entendida com cautela. A literatura científica sustenta melhor uma interpretação menos absoluta: gatos podem reagir positivamente a humanos que respeitam seus sinais e permitem que eles decidam como a interação acontece.

Quais sinais podem revelar a pessoa favorita do gato

Manzano aponta comportamentos que podem indicar uma relação social mais próxima. Nenhum deles, isoladamente, prova que alguém é a pessoa preferida, mas a repetição de vários sinais ajuda a identificar com quem o animal mantém um vínculo mais próximo.

  • procurar espontaneamente uma determinada pessoa e permanecer perto dela;
  • esfregar a cabeça ou a face no humano durante as interações sociais;
  • amassar superfícies ou o colo com as patas em momentos de relaxamento;
  • escolher repetidamente dormir ou descansar perto da mesma pessoa.

Esfregar a face é especialmente interessante porque gatos possuem glândulas odoríferas nessa região e usam esse comportamento em contextos de familiaridade. Já ronronar deve ser interpretado junto com a postura e o ambiente, pois o ronronado não significa apenas felicidade e também pode aparecer em outras situações.

A história do gato também influencia a escolha

De acordo com Manzano, a fase em que o animal chega à família pode interferir na formação dos primeiros vínculos. Um filhote que recebe alimento, calor, proteção e contato seguro de determinada pessoa pode criar uma associação muito forte com esse cuidador, enquanto um gato adotado adulto traz experiências anteriores que também influenciam seu comportamento.

Temperamento e nível de atividade entram nessa equação. Um gato jovem e brincalhão pode buscar mais frequentemente alguém disposto a brincar, enquanto um felino tranquilo pode se sentir confortável perto de uma pessoa igualmente calma. Por isso, a escolha não depende de um único fator.

Como melhorar sua relação com o gato sem forçar aproximação

O caminho mais seguro é deixar o animal participar da decisão. Ofereça a mão sem avançar sobre ele, permita que se aproxime e faça pequenas pausas durante o carinho; se o gato voltar a encostar, pode estar pedindo continuidade. Se virar a cabeça, afastar o corpo, movimentar a cauda com irritação ou sair, interrompa o contato.

Também não é preciso competir para ser a pessoa favorita. Alimentação adequada, brincadeiras, rotina previsível e respeito aos momentos de descanso costumam contribuir mais para uma boa convivência do que insistir em colo ou carinho. Dar ao gato liberdade para escolher quando interagir pode ser justamente o comportamento que faz com que ele queira ficar mais perto.

Tags: AnimaiscomportamentoNaturezapets
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