Frango, peru e ovos bem cozidos não transmitem o vírus da doença de Newcastle, que levou à interdição de uma granja de perus em Santa Catarina. A infecção é um problema de sanidade das aves, não de segurança dos alimentos. O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que o consumo de produtos avícolas com inspeção oficial continua seguro. Autoridades sanitárias de outros países dizem o mesmo há anos.
O foco em perus de Nova Itaberaba foi confirmado pelo Mapa
O foco foi confirmado em 18 de outubro em uma criação comercial de perus de corte em Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. A suspeita surgiu durante uma investigação epidemiológica do serviço veterinário oficial do estado. A confirmação veio do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como referência para esse diagnóstico.
A propriedade foi interditada e a movimentação de aves, suspensa. As ações de controle e erradicação seguem o plano de contingência nacional para influenza aviária e doença de Newcastle. O caso também será notificado à OMSA e aos parceiros comerciais do país. São medidas para impedir que o vírus chegue a outros plantéis da região, e não um sinal de risco no supermercado.

Por que a doença de Newcastle não passa pela comida cozida?
Porque o vírus circula entre aves vivas e se espalha principalmente pelo contato entre elas. Segundo a página da Organização Mundial de Saúde Animal sobre a doença, a transmissão mais comum ocorre por contato direto com aves doentes ou portadoras. Ração, água, equipamentos e roupas contaminados também levam o vírus de uma granja a outra, e ele pode sobreviver semanas no ambiente, sobretudo no frio.
Em pessoas, a OMSA trata a infecção como uma zoonose menor, que pode causar inflamação nos olhos, em geral leve e passageira. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vai além. Em comunicado do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do USDA, o órgão afirma que nenhum caso humano jamais ocorreu pelo consumo de produtos avícolas. Os raros contágios atingem quem trabalha diretamente com aves doentes.
Cozimento e inspeção oficial derrubam o risco no prato
O calor elimina o vírus em temperaturas abaixo das alcançadas no fogão. Em um estudo do Serviço de Pesquisa Agrícola do USDA, derivados de ovo contaminados com os vírus da influenza aviária e da doença de Newcastle foram testados. Os vírus foram inativados entre 55 °C e 63 °C, e o tempo necessário variou conforme a cepa e o produto. O comunicado do USDA resume: aves bem cozidas são seguras para consumo.
A inspeção oficial é a segunda barreira entre a granja e a mesa. Carne de frango, de peru e ovos vendidos com selo passam pelo controle do serviço veterinário. Uma granja com foco confirmado, por sua vez, fica impedida de enviar aves adiante. Foi o que aconteceu em Nova Itaberaba: com a interdição, os perus da propriedade deixaram de circular.
Em casa, o cuidado é o mesmo que já protege contra salmonela e outras bactérias: carne sem partes rosadas e ovos com clara e gema firmes. Medir a temperatura no centro da peça ajuda a acertar o ponto sem ressecar o frango.
O que muda para quem compra frango e ovos depois do foco?
Na lista de compras, nada muda. Vale olhar o selo de inspeção na embalagem, manter os produtos refrigerados e cozinhar bem, hábitos que já servem contra outras contaminações. O efeito do foco aparece mais no comércio exterior, porque a notificação à OMSA pode levar parceiros comerciais a impor restrições temporárias.
A resposta à dúvida do começo, portanto, continua firme. O frango e os ovos que chegam bem cozidos ao prato não levam o vírus que fechou a granja catarinense. A doença de Newcastle segue como um desafio de sanidade animal, acompanhado de perto pelo Ministério da Agricultura. Se a dúvida aparecer na hora da compra, confira o selo, capriche no cozimento e mantenha seu cardápio de sempre, sem medo.

Para quem gosta de entender o que vai para a panela, a cor da pele do frango também costuma gerar dúvida no açougue. A explicação está na ração das aves.
Afinal, frango com pele amarela é melhor que o de pele branca?➔




