A frase “A educação deve formar cidadãos e não apenas profissionais”, associada ao pensamento de Edgar Morin, resume uma concepção de ensino que ultrapassa a preparação para o mercado de trabalho. Para o pensador francês, aprender também envolve compreender a condição humana, a sociedade e as responsabilidades coletivas.
A educação não deveria terminar na preparação para uma profissão
Edgar Morin ficou conhecido por defender uma formação capaz de conectar conhecimentos e preparar as pessoas para lidar com problemas complexos. Em sua perspectiva, aprender conteúdos técnicos é necessário, mas não suficiente quando a vida exige também pensamento crítico, compreensão e responsabilidade.
A UNESCO encomendou a Morin, no fim dos anos 1990, uma reflexão sobre conhecimentos necessários à educação do futuro. Dessa iniciativa surgiu a obra Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, publicada originalmente em 1999.

“A educação deve formar cidadãos e não apenas profissionais”
A formulação “A educação deve formar cidadãos e não apenas profissionais” pode ser entendida como uma síntese das ideias educacionais de Morin, e não necessariamente como uma citação literal de uma única passagem de sua obra. Ela expressa a crítica a uma educação reduzida exclusivamente à especialização e à empregabilidade.
Para Morin, conhecer determinada área profissional não elimina a necessidade de compreender questões humanas, sociais e ambientais. Uma pessoa pode dominar uma técnica e ainda precisar desenvolver capacidade de avaliar consequências, conviver com diferenças e participar conscientemente da sociedade em que vive.
Conhecimento fragmentado pode dificultar a compreensão da realidade
Um dos pontos recorrentes de Morin é a crítica à excessiva fragmentação do conhecimento em disciplinas que pouco dialogam entre si. Problemas reais, como desigualdade, mudanças ambientais, tecnologia e conflitos sociais, normalmente envolvem várias dimensões ao mesmo tempo.
A UNESCO recupera essa contribuição ao destacar a defesa de Morin por um conhecimento capaz de relacionar partes e totalidade. A educação integral, nesse sentido, não elimina disciplinas, mas ajuda o estudante a perceber conexões entre diferentes saberes.
Formar cidadãos também significa ensinar a lidar com incertezas
Morin inclui entre seus sete saberes a necessidade de ensinar a enfrentar a incerteza. A escola não pode preparar alguém para todas as situações futuras, mas pode desenvolver recursos para analisar informações, revisar decisões e reconhecer quando uma resposta precisa ser modificada diante de novos fatos.
Essa capacidade é importante tanto na profissão quanto na vida pública. Um cidadão precisa interpretar argumentos, distinguir informação de desinformação e compreender que questões sociais raramente possuem soluções simples. A formação deixa, assim, de ser apenas acumulação de conteúdo e passa a envolver autonomia intelectual.

Cidadania envolve compreender direitos, deveres e convivência
Uma educação voltada à cidadania também prepara as pessoas para participar da sociedade de maneira informada. A UNESCO relaciona educação cidadã ao conhecimento de direitos e responsabilidades, ao pensamento crítico, à empatia e à participação ativa na vida coletiva.
Isso não significa transformar a escola em espaço de formação para uma única visão política. Pelo contrário, uma educação cidadã consistente precisa oferecer condições para que estudantes consigam analisar posições diferentes, argumentar, conviver com divergências e formar suas próprias conclusões com base em conhecimento e reflexão.
Educação integral prepara para o trabalho e também para a vida em sociedade
A formação profissional continua tendo importância concreta: pessoas precisam desenvolver competências para trabalhar, produzir e conquistar autonomia econômica. A proposta associada a Morin amplia esse objetivo ao lembrar que um profissional também é cidadão, integrante de uma comunidade e participante das decisões que afetam outras pessoas.
Por isso, “A educação deve formar cidadãos e não apenas profissionais” é uma síntese adequada para discutir educação integral, desde que não seja apresentada automaticamente como citação literal de Morin. A ideia central está em formar pessoas capazes de exercer uma profissão sem abandonar pensamento crítico, responsabilidade social, compreensão humana e cidadania.




