Comer alho e cebola todos os dias pode fazer parte de uma alimentação saudável e aumentar a variedade de compostos vegetais consumidos. Os possíveis efeitos aparecem principalmente na saúde cardiovascular e intestinal, mas esses alimentos não funcionam como tratamento e, em algumas pessoas, podem provocar desconforto digestivo.
Alho e cebola fornecem compostos bioativos ao organismo
Alho e cebola pertencem ao grupo das plantas do gênero Allium e possuem diferentes compostos sulfurados. No alho, alguns deles são formados ou modificados quando o dente é cortado, esmagado ou mastigado, enquanto a cebola também fornece flavonoides, entre eles a quercetina.
Isso não significa que uma porção diária produza uma transformação imediata no organismo. O efeito depende da quantidade consumida, do restante da alimentação, da forma de preparo e das condições de saúde de cada pessoa.
O coração pode ser um dos principais beneficiados
O Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos informa que estudos com suplementos de alho indicam pequenas reduções no colesterol total e no LDL em pessoas com colesterol elevado. Há também evidências limitadas de uma pequena redução da pressão em pessoas com hipertensão, mas esses resultados foram observados principalmente com suplementos e não devem ser automaticamente atribuídos a qualquer quantidade de alho usada na comida.
A cebola também é estudada pela relação com a saúde metabólica
A cebola contém quercetina e outros flavonoides. Uma revisão de ensaios clínicos publicada em 2023 encontrou associações entre intervenções com produtos de cebola e melhorias em alguns indicadores, incluindo colesterol e pressão arterial, embora os resultados variassem conforme dose e duração. O estudo pode ser consultado no PubMed.
Há um detalhe importante: boa parte dessas pesquisas utiliza extratos ou suplementos, frequentemente em concentrações muito diferentes das encontradas em uma refeição comum. Portanto, comer cebola diariamente pode contribuir para uma dieta rica em vegetais, mas não há base para afirmar que ela sozinha vá controlar colesterol ou pressão.

O intestino pode reagir bem ou mal ao consumo diário
Alho e cebola contêm frutanos, carboidratos fermentáveis que chegam ao intestino grosso e são utilizados por bactérias intestinais. Para algumas pessoas isso ocorre sem problemas, mas outras podem apresentar gases e distensão abdominal.
A sensibilidade costuma ser mais evidente em pessoas com síndrome do intestino irritável. A Universidade Monash, referência em pesquisas sobre FODMAPs, classifica alho e cebola entre os alimentos ricos em frutanos fermentáveis, que podem desencadear sintomas gastrointestinais em indivíduos sensíveis.
Por isso, sentir estufamento depois de comer esses alimentos diariamente não significa necessariamente que eles sejam prejudiciais para todas as pessoas. A tolerância individual pode variar bastante, e aumentar ou diminuir a quantidade consumida costuma alterar a intensidade dos sintomas.
Comer alho cru não é obrigatório para obter benefícios
O alho cru costuma ter sabor mais intenso e também pode causar ardor, náusea ou desconforto abdominal em algumas pessoas. Cozinhar alho e cebola modifica parte de seus compostos, mas eles continuam sendo alimentos que podem integrar normalmente uma dieta equilibrada.
Na prática, não existe necessidade de consumir grandes quantidades. Usá-los diariamente como tempero de arroz, feijão, carnes, legumes, molhos ou outras preparações é uma forma simples de aumentar o consumo de alimentos vegetais sem transformar alho ou cebola em uma espécie de medicamento.
Quem precisa ter mais cuidado com o consumo diário
Quem apresenta refluxo, síndrome do intestino irritável ou desconforto frequente depois de consumir alho e cebola pode precisar ajustar a quantidade. O NCCIH também alerta que suplementos de alho podem aumentar o risco de sangramento, especialmente junto com medicamentos que interferem na coagulação; nesse caso, o uso de suplementos concentrados deve ser discutido com um profissional de saúde. Para quem tolera bem esses alimentos, incluí-los nas refeições todos os dias pode ser parte de uma alimentação saudável, mas o benefício depende muito mais do padrão alimentar completo do que de um único ingrediente.




