Um trabalhador britânico passou mais de 35 anos em uma empresa de gestão imobiliária e acumulou 827 dias de férias que não conseguiu utilizar. A falta de pessoal impedia que ele se afastasse do trabalho, enquanto os períodos de descanso continuavam sendo registrados ao longo dos anos.
Como ele conseguiu acumular 827 dias de férias?
O trabalhador permaneceu por décadas na mesma companhia e, durante esse período, não conseguiu utilizar todos os dias de descanso aos quais tinha direito. A empresa enfrentava falta de pessoal, o que dificultava sua ausência por períodos prolongados.
Entre 1988 e 1996, a companhia rejeitou solicitações que somavam 200 dias de férias. Com o passar do tempo, o direito anual do funcionário também aumentou, passando de 30 para 45 dias, enquanto parte dos períodos continuava sem utilização.
O que a empresa fez com os dias que não foram usados?
Como não conseguia tirar todos os dias de férias, o trabalhador chegou a um acordo com a companhia para que os períodos não utilizados fossem acumulados. A combinação previa que esses dias poderiam ser pagos posteriormente, evitando que o saldo simplesmente desaparecesse.
O funcionário recebeu alguns pagamentos entre 2001 e 2004, mas a maior parte do valor relacionado aos dias acumulados permaneceu pendente. Dessa maneira, o saldo continuou crescendo durante os anos seguintes até chegar a mais de 800 dias.

Por que ele acabou sendo demitido pela empresa?
O conflito trabalhista ganhou uma nova dimensão em 2022, quando a empresa passou por uma mudança de direção. Dois anos depois, o funcionário foi demitido sob a alegação de que havia cometido uma falta grave durante o vínculo profissional.
Após o desligamento, ele levou a questão à Justiça britânica e afirmou que não teve uma oportunidade adequada para se defender das acusações apresentadas pela companhia. Também alegou que não conseguiu recorrer da decisão que encerrou seu contrato de trabalho.
Quanto ele recebeu pelos dias de férias acumulados?
O Tribunal do Trabalho de Watford analisou o caso e considerou injusto o procedimento utilizado pela empresa para demitir o funcionário. A Justiça determinou uma indenização de aproximadamente 105 mil libras pela demissão, valor que correspondia a mais de 120 mil euros.
Além dessa quantia, o trabalhador recebeu outros 460 mil euros relacionados aos 827 dias de férias acumulados durante os anos em que permaneceu na companhia. Somando as duas parcelas, a compensação ultrapassou 580 mil euros após a decisão judicial.
Como a Justiça decidiu o caso das férias acumuladas?
O tribunal reconheceu que o trabalhador passou décadas sem conseguir utilizar todos os períodos de descanso porque a empresa não permitia que ele se afastasse do trabalho. O acordo para acumular os dias também foi considerado na análise da disputa.
A decisão transformou os 827 dias de férias não utilizados em uma compensação de cerca de 460 mil euros. Com a indenização relacionada à demissão, o trabalhador terminou o processo com uma quantia superior a 580 mil euros, encerrando uma disputa que começou após décadas de trabalho na mesma empresa.




