Na maré baixa, o litoral de Porto de Galinhas revela piscinas naturais de águas mornas e transparentes, onde peixes coloridos nadam entre os recifes. Jangadas conduzem os visitantes até essas formações, criando uma das paisagens mais famosas do litoral pernambucano. Por trás do cenário paradisíaco, porém, existe uma história sombria escondida no próprio nome da vila.
Como uma senha usada no tráfico de escravizados deu nome à vila?
Antes de receber o nome atual, a localidade era conhecida como Porto Rico, referência à riqueza produzida pelo pau-brasil e pelo açúcar na região de Ipojuca. A mudança de nome aconteceu em um dos períodos mais trágicos da história brasileira.
No século XIX, mesmo depois da proibição do tráfico de africanos escravizados, desembarques clandestinos continuavam acontecendo na costa pernambucana. Os traficantes escondiam pessoas escravizadas sob engradados de galinhas-d’angola e usavam a expressão “tem galinha nova no porto” como código para anunciar a chegada. A senha acabou associada ao local e deu origem ao nome que permanece até hoje. Décadas mais tarde, o símbolo ganhou outro significado: as galinhas de cerâmica criadas pelo artista Carcará passaram a representar a identidade turística da vila.

Por que as piscinas naturais são a maior atração?
As piscinas naturais de Porto de Galinhas aparecem quando a maré baixa deixa trechos de água represados entre os recifes, formando pequenos aquários a cerca de 200 metros da costa. O percurso até eles é feito em jangadas a vela, conduzidas pelos jangadeiros locais e sem o uso de motores.
A travessia dura poucos minutos e termina em áreas onde os visitantes podem nadar com snorkel entre peixes coloridos. Entre as formações mais conhecidas está o chamado “mapa do Brasil”, desenho que pode ser observado nos recifes. Como o passeio depende diretamente do nível da maré, é importante consultar a tábua antes de definir o horário da visita.
O que fazer além de mergulhar nas piscinas?
O litoral de Ipojuca concentra praias com características bastante diferentes, permitindo alternar entre áreas movimentadas, trechos de mar tranquilo e paisagens preservadas. Muitos desses lugares ficam a poucos minutos de carro do centro de Porto de Galinhas.
- Muro Alto: praia de águas rasas e protegidas por arrecifes, formando uma extensa área de mar calmo que costuma agradar especialmente às famílias.
- Maracaípe: conhecida pelas ondas que atraem surfistas, também oferece acesso ao manguezal e passeios pelo rio em áreas próximas à foz.
- Passeio de buggy Ponta a Ponta: roteiro que acompanha o litoral entre Muro Alto e Pontal de Maracaípe, com paradas para banho e contemplação.
- Praia dos Carneiros: localizada em Tamandaré, tornou-se um dos passeios mais procurados da região graças à faixa de areia, à capela à beira-mar e aos passeios de catamarã.
- Projeto Hippocampus: iniciativa voltada à pesquisa e conservação de cavalos-marinhos, oferecendo uma perspectiva diferente sobre a fauna dos ambientes costeiros e estuarinos.
Planeje suas férias perfeitas no litoral de Pernambuco. O vídeo é do canal Status Viajante, referência em roteiros práticos, e detalha um itinerário completo por Porto de Galinhas, destacando o passeio de buggy de ponta a ponta e um bate-volta à Praia dos Carneiros:
Um santuário de corais protegido por lei
Porto de Galinhas integra a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC), a maior unidade de conservação federal marinha costeira do Brasil. Segundo o ICMBio, a área soma mais de 400 mil hectares e cerca de 120 km de praia e mangues, do litoral sul pernambucano ao norte de Alagoas.
É essa proteção que mantém os recifes vivos e as águas cristalinas. A unidade abriga espécies ameaçadas como o peixe-boi marinho, tartarugas e baleias, e ajuda a explicar por que apenas parte das piscinas fica aberta à visitação.
Quanto custa visitar as piscinas naturais?
Há duas formas de conhecer as piscinas, uma paga e uma gratuita. O passeio de jangada tem preço tabelado, vendido no quiosque da Associação dos Jangadeiros, à beira-mar.
Para quem prefere não pagar, a Prefeitura do Ipojuca distribui 200 pulseiras gratuitas na Praça do Relógio nas manhãs de maré baixa. A recomendação é chegar por volta das 7h30, já que as pulseiras são limitadas e dependem das condições do mar. Vale levar sapatilhas aquáticas para não machucar os pés nos corais.
O que comer entre um mergulho e outro?
A cozinha de Porto de Galinhas mistura frutos do mar com a tradição pernambucana. Os restaurantes se concentram no centrinho, entre as ruas de artesanato.
- Frutos do mar: camarão, lagosta e peixes frescos dominam os cardápios da orla, servidos grelhados ou em moquecas.
- Carne de sol: clássico do sertão pernambucano, geralmente acompanhado de macaxeira e queijo coalho.
- Galinha cabidela: prato regional de raiz, uma referência ao próprio nome da vila.

Qual a melhor época para conhecer o destino?
O clima é quente o ano inteiro, mas a estação seca deixa o mar mais claro e favorece as piscinas. Entre setembro e março as chuvas rareiam e as águas ficam no ponto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Porto de Galinhas?
A vila fica no município de Ipojuca, a pouco mais de 50 km do Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes, cerca de uma hora de carro. A ligação é feita pela PE-009 e por transfers, táxis e aplicativos que saem da capital.
Vá conhecer o paraíso de águas mornas
Poucos lugares no Brasil reúnem piscinas naturais, história viva e recifes protegidos em um só destino. Porto de Galinhas guarda esse encontro raro entre natureza e memória a uma hora do Recife.
Você precisa subir numa jangada ao amanhecer e ver com os próprios olhos por que essa praia foi eleita, tantas vezes, a melhor do país.




