O esmalte em gel conquistou espaço pela durabilidade e pelo acabamento brilhante, mas seu uso frequente pode trazer consequências para a saúde das unhas. Dermatologistas alertam que lixamento excessivo, remoção inadequada e exposição repetida à radiação ultravioleta estão entre os cuidados que merecem atenção antes de fazer uma nova aplicação.
Por que o esmalte em gel pode prejudicar as unhas naturais?
Diferentemente do esmalte tradicional, o esmalte em gel precisa passar por um processo de endurecimento com uma lâmpada específica. Sua resistência ajuda a manter a manicure por mais tempo, mas também pode tornar a remoção mais trabalhosa. Quando o produto é retirado incorretamente, parte das camadas superficiais da unha pode ser danificada.
A dermatologista Chris Adigun, em orientações divulgadas pela Academia Americana de Dermatologia (AAD), alerta que manicures em gel podem provocar afinamento, descamação e fragilidade. A entidade médica recomenda moderação e cuidados específicos durante a aplicação e retirada. Isso não significa que toda manicure em gel cause danos, mas que o uso repetido exige atenção.

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Unhas fracas e descamando podem ser consequência da retirada do gel
Um dos principais problemas acontece quando a pessoa arranca o esmalte depois que ele começa a levantar nas pontas. O movimento pode remover pequenas camadas da superfície da unha natural, deixando-a mais fina e irregular. A utilização excessiva de lixas e equipamentos abrasivos também pode contribuir para a fragilidade das unhas.
A acetona utilizada em determinados procedimentos de remoção pode aumentar o ressecamento das unhas e da pele ao redor. Por isso, a AAD orienta utilizar métodos compatíveis com o produto aplicado e evitar retirar o gel à força. Quando houver necessidade de dissolução, o contato com o removedor deve ser limitado à região necessária, reduzindo a exposição da pele aos solventes.
Lâmpadas UV e LED oferecem riscos para a pele das mãos?
As lâmpadas utilizadas para endurecer esmaltes em gel emitem radiação ultravioleta, inclusive determinados aparelhos comercializados como LED. Essa exposição merece atenção porque a radiação UV está associada ao envelhecimento precoce da pele e ao desenvolvimento de câncer cutâneo. Entretanto, o risco individual por sessão depende da intensidade do aparelho, do tempo de exposição e da frequência de utilização.
A Academia Americana de Dermatologia recomenda preferir equipamentos LED adequados ao procedimento, pois geralmente apresentam tempos de cura menores. Também orienta aplicar protetor solar FPS 30 ou superior, de amplo espectro e resistente à água, nas mãos antes da exposição, ou utilizar luvas opacas próprias com as pontas dos dedos descobertas. Separamos esse vídeo da especialista Dra. Marina Hayashida falando mais sobre esse tema:
O esmalte em gel também pode provocar alergias?
Sim. Alguns produtos contêm substâncias da família dos acrilatos e metacrilatos, utilizadas para formar o revestimento resistente sobre as unhas. Quando esses componentes entram em contato com a pele antes de endurecerem adequadamente, podem provocar sensibilização. Os sintomas incluem coceira, vermelhidão, inchaço e irritação, principalmente ao redor dos dedos.
A Associação Britânica de Dermatologistas alerta que kits domésticos podem aumentar os riscos quando utilizados sem treinamento ou com lâmpadas incompatíveis. As reações também podem aparecer em outras regiões do corpo, como pálpebras e rosto. Uma alergia confirmada a esses compostos merece acompanhamento, pois substâncias relacionadas são utilizadas em materiais odontológicos e médicos.
Quais cuidados ajudam a reduzir os danos durante a manicure?
Manter as unhas bonitas não exige necessariamente abandonar todos os esmaltes em gel. A escolha de um profissional qualificado, o uso correto dos equipamentos e a remoção cuidadosa podem diminuir os riscos. Também é recomendável observar a saúde das unhas antes de repetir o procedimento, especialmente quando existem descamação ou sensibilidade.
Entre as medidas recomendadas por dermatologistas estão:
- Evitar arrancar o gel: nunca puxar ou descascar o esmalte quando começar a soltar.
- Reduzir o lixamento: não desgastar excessivamente a superfície da unha natural.
- Proteger as mãos: utilizar protetor solar ou luvas apropriadas durante a exposição à lâmpada.
- Preservar as cutículas: evitar cortes profundos, pois elas ajudam a proteger contra infecções.
- Hidratar regularmente: aplicar produtos hidratantes nas unhas e na pele ao redor.
- Observar reações: interromper o procedimento diante de ardência, coceira ou outros sinais de irritação.
É necessário fazer pausas entre as aplicações de esmalte em gel?
A pausa pode ser útil, principalmente quando as unhas apresentam sinais de desgaste. A AAD sugere considerar um intervalo de uma a duas semanas ou mais sem esmalte, acompanhado de hidratação frequente. Esse período permite observar alterações que poderiam permanecer escondidas sob o revestimento e reduzir a exposição contínua aos procedimentos.
Entretanto, não existe um intervalo universal capaz de garantir recuperação completa. As unhas crescem gradualmente, e regiões danificadas precisam avançar até serem cortadas. A AAD também orienta hidratar as unhas depois da remoção do esmalte e preservar as cutículas. Se houver dor, descolamento, mudança persistente de cor ou sinais de infecção, o mais seguro é procurar um dermatologista antes de realizar uma nova aplicação.




