Em 1882, o cearense Neutel Maia chegou de canoa às margens do Rio Acre e escolheu a sombra de uma gameleira centenária para instalar o Seringal Volta da Empreza. O local daria origem a Rio Branco, capital mais ocidental do Brasil, que segue duas horas atrás de Brasília e recebe visitantes com sabores amazônicos, açaí e uma história marcada por um conflito decisivo para a formação do território brasileiro.
Como o Acre deixou de pertencer à Bolívia e passou ao Brasil?
Até o começo do século XX, o Acre era reconhecido oficialmente como território boliviano, embora seringueiros nordestinos já explorassem a região em busca do chamado “ouro branco” da borracha havia décadas. A tensão aumentou quando o governo da Bolívia começou a cobrar impostos elevados sobre a produção de látex. O confronto teve início em 6 de agosto de 1902, quando o gaúcho José Plácido de Castro, então com apenas 26 anos, organizou seringueiros e enfrentou as tropas bolivianas em Xapuri.
A campanha militar avançou rapidamente e, em 170 dias, os combatentes haviam tomado toda a região. Ao receber a espada do coronel boliviano rendido, Plácido de Castro teria declarado: “Não fazemos a guerra senão para conquistar o que é nosso”. A disputa terminou diplomaticamente com o Tratado de Petrópolis, firmado em 17 de novembro de 1903 pela diplomacia do Barão do Rio Branco, que oficializou a incorporação do Acre ao Brasil. O território só alcançaria a condição de estado em 1962.

O que visitar na capital que nasceu debaixo de uma gameleira?
A maior parte das atrações de Rio Branco fica no centro, acessível a pé ou por aplicativo de transporte. Dois dias completos cobrem os principais pontos.
- Calçadão da Gameleira: a árvore centenária que testemunhou a fundação da cidade marca o início da primeira rua de Rio Branco. As casas coloridas às margens do rio são tombadas pelo Departamento do Patrimônio Histórico.
- Palácio Rio Branco: inaugurado na década de 1930, tem estilo neoclássico inspirado na arquitetura grega. O primeiro andar abriga exposições sobre as 16 etnias indígenas do estado, a Revolução Acreana e a história de Chico Mendes.
- Memorial dos Autonomistas: conta a luta pela transformação do Acre em estado. Inclui galeria de arte, mausoléu e o Theatro Hélio Melo, com 150 lugares.
- Museu da Borracha: acervo de mais de 5 mil peças entre objetos arqueológicos, fotos e documentos dos antigos seringais.
- Parque Ambiental Chico Mendes: 50 hectares de mata preservada em um antigo seringal, com zoológico e memorial dedicado ao líder ambientalista.
- Novo Mercado Velho: a primeira construção em alvenaria da cidade, erguida na década de 1920 e recentemente revitalizada. Ervas medicinais, artesanato e comida regional dividem espaço com vendedores que trabalham ali há mais de 40 anos.
O que comer na capital que mistura floresta e sertão?
A culinária de Rio Branco é resultado do encontro entre tradições indígenas, nordestinas e ribeirinhas. O peixe de rio domina as mesas, preparado assado, cozido ou em caldeirada. O tucunaré e o tambaqui aparecem nos cardápios com frequência.
O tacacá, herança dos povos amazônicos, disputa espaço com o baião de dois nordestino e a tapioca recheada. Açaí puro, sem açúcar e acompanhado de farinha e peixe, é refeição, não sobremesa. As cantinas do Mercado Velho servem café da manhã regional e almoço caseiro por preços acessíveis. Para quem busca ingredientes locais com técnica contemporânea, restaurantes no Parque da Maternidade e no entorno do Lago do Amor ampliam as opções.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Rio Branco tem clima equatorial, com calor o ano inteiro e duas estações bem marcadas: a chuvosa e a seca. O período seco, entre maio e setembro, concentra as melhores condições para turismo.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital mais ocidental do Brasil?
O Aeroporto Internacional Plácido de Castro recebe voos diretos de Brasília, São Paulo e Manaus, além de conexões por Porto Velho. Por terra, a BR-364 liga Rio Branco a Porto Velho (530 km). A cidade fica a 230 km da fronteira com a Bolívia (via Brasiléia) e a 340 km da divisa com o Peru (via Assis Brasil), o que permite combinar o roteiro com países vizinhos.
A floresta que virou capital e não esqueceu suas raízes
Rio Branco carrega no nome a homenagem ao diplomata que trouxe o Acre para o mapa brasileiro, nas ruas a memória dos seringueiros que lutaram por esse chão e nos parques a floresta que a cidade nunca quis derrubar por completo.
Você precisa acertar o relógio, cruzar o Rio Acre pela Passarela Joaquim Macedo e entender por que quem nasce nessa capital diz com orgulho que mora no coração da Amazônia.




