Encravada no coração do Acre, a poucos km das fronteiras com Bolívia e Peru, Rio Branco nasceu em 28 de dezembro de 1882 quando o cearense Neutel Maia aportou às margens do Rio Acre e fundou o Seringal Volta da Empreza. Da fazenda de látex ao redor de uma gameleira frondosa, a cidade cresceu até virar capital do estado e hoje reúne 400 mil habitantes, o Palácio Rio Branco, o Parque Ambiental Chico Mendes e uma das cenas gastronômicas mais originais da Amazônia.
Da gameleira à capital que nasceu do lado errado do rio
Foi ao redor de uma imponente gameleira, próxima a uma curva do Rio Acre, que Neutel Maia decidiu fundar seu seringal em 28 de dezembro de 1882, em terras habitadas pelos indígenas Aquiris, Canamaris e Maneteris. O Seringal Volta da Empreza virou porto comercial e ponto de escoamento da borracha rumo à Bolívia, que na época dominava o território.
Uma curiosidade histórica marca a formação da cidade. O núcleo original ficou na margem direita do rio, área que deveria ser o Primeiro Distrito, mas acabou virando o Segundo por razões políticas. Segundo o Ministério do Turismo, o Acre foi anexado ao Brasil em 1903 após a Revolução Acreana e o Tratado de Petrópolis. A vila passou a se chamar Penápolis, em homenagem ao então presidente Afonso Pena, e só em 1912 recebeu o nome Rio Branco, em homenagem ao Barão do Rio Branco, diplomata que negociou a anexação. Em 1920, virou capital unificada do Território Federal do Acre.

O que fazer em Rio Branco em três dias?
A cidade cabe bem em dois dias inteiros, com um terceiro reservado ao Parque Ambiental Chico Mendes ou a bate-voltas para os arredores. O centro histórico é acessível a pé e concentra a maior parte das atrações.
- Palácio Rio Branco: sede do governo estadual, com projeto original do arquiteto alemão Alberto Massler nos anos 1920, abriga museu com a história das 16 etnias indígenas, da Revolução Acreana, do ciclo da borracha e da vida de Chico Mendes.
- Gameleira histórica: no centro histórico, a árvore original que motivou a fundação da cidade em 1882 ainda é símbolo do local, cercada por calçadão à beira do rio.
- Novo Mercado Velho: prédio amarelo à margem esquerda do Rio Acre, construído nos anos 1920, hoje reúne bares, restaurantes e lojas de artesanato.
- Praça Plácido de Castro: também conhecida como Praça da Revolução, tem monumento de 12 metros em homenagem aos revolucionários acreanos.
- Catedral Nossa Senhora de Nazaré: templo em estilo romano e basílica, inaugurado nos anos 1960 próximo ao Palácio Rio Branco.
- Parque Ambiental Chico Mendes: inaugurado em 1996 na Rodovia AC-040, tem 53 hectares com trilhas, minizoológico e o Memorial Chico Mendes, dedicado ao seringueiro assassinado em 1988.
- Museu da Borracha: contam a história do ciclo do látex e a Batalha da Borracha da Segunda Guerra Mundial, que trouxe milhares de nordestinos ao Acre.
- Passarela Joaquim Macedo: liga o Primeiro e o Segundo Distrito sobre o Rio Acre, com vista privilegiada da cidade ao entardecer.

A cidade que muda de fuso e faz fronteira com dois países
Rio Branco tem duas curiosidades geográficas que a diferenciam de outras capitais brasileiras. O Acre está no fuso horário de duas horas a menos que Brasília, o único estado do Brasil nessa faixa horária.
A cidade também está a poucos km da tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Peru, o que faz de Rio Branco uma vitrine da diversidade cultural amazônica. A capital acreana é rota do turismo religioso ligado à ayahuasca, bebida ritual de origem indígena preparada com o cipó mariri, associada às religiões do Santo Daime e da União do Vegetal. O Céu do Mapiá, comunidade próxima a Boca do Acre, atrai visitantes do mundo todo.
Sabores da mesa acreana
A cozinha rio-branquense é fruto do encontro entre tradições indígenas, ribeirinhas e nordestinas. Os pratos combinam peixes amazônicos, mandioca e frutas locais.
- Tacacá: caldo servido quente em cuia, com tucupi, goma de mandioca, jambu e camarão seco, tradição do fim de tarde na praça.
- Pirarucu na brasa: peixe amazônico assado, servido com farofa de banana e arroz branco.
- Baixaria: prato típico com carne de sol acompanhada de arroz, feijão, banana frita e farofa, herança dos migrantes nordestinos.
- Tucumã e cupuaçu: frutas amazônicas presentes em sorvetes, sucos e sanduíches como o x-caboquinho.

Qual a melhor época para visitar Rio Branco?
O clima é equatorial quente e úmido, com duas estações bem marcadas: cheia e vazante do Rio Acre. Entre maio e setembro, a chuva é escassa e o calor mais intenso.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Entre junho e agosto, o Acre pode ser atingido pela friagem, fenômeno climático em que massas de ar frio vindas da Antártica derrubam as temperaturas em poucas horas, com marcas abaixo de 15°C mesmo em plena Amazônia.
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Como chegar em Rio Branco?
A capital acreana fica a cerca de 3 mil km de Brasília e é uma das capitais brasileiras mais isoladas. O acesso mais comum é feito de avião pelo Aeroporto Internacional Plácido de Castro, a 25 km do centro, com voos diretos para São Paulo, Brasília, Manaus, Porto Velho e Cruzeiro do Sul.
O acesso terrestre é limitado. A BR-364 liga Rio Branco a Porto Velho, mas o trecho é longo e passa por trechos vulneráveis a alagamentos na cheia amazônica. Ônibus rodoviários operam de Porto Velho e de outras cidades do Norte, com viagens que ultrapassam 12 horas.
Vá conhecer Rio Branco
Poucas capitais brasileiras conseguem contar em pouco mais de 140 anos a história de um seringal virando cidade, uma revolução transformando território boliviano em brasileiro e uma floresta seguindo como pano de fundo da rotina urbana. Rio Branco continua no ritmo do Rio Acre e das gameleiras que testemunharam o começo de tudo.
Você precisa caminhar pela Gameleira histórica ao entardecer e provar um tacacá no Mercado Velho para entender por que a capital do Acre virou a porta de entrada mais autêntica da Amazônia ocidental.


