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Início Curiosidades

A frase atribuída a Maquiavel revela por que a política nem sempre segue os mesmos princípios da vida pessoal

Por Daniely Cardoso
18/10/2026
Em Curiosidades
A ideia aparece no capítulo 18 de O Príncipe, obra escrita em 1513 e publicada postumamente em 1532.  // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A ideia aparece no capítulo 18 de O Príncipe, obra escrita em 1513 e publicada postumamente em 1532. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A frase de Nicolau Maquiavel, “O príncipe deve fazer o bem sempre que for possível, e o mal quando for necessário”, apresenta uma das reflexões mais controversas da filosofia política. O pensador italiano defendia que um governante precisava compreender as circunstâncias do poder e reconhecer que decisões consideradas moralmente difíceis poderiam surgir durante a tentativa de preservar o Estado.

O que Maquiavel quis dizer sobre fazer o bem e o mal?

A reflexão de Maquiavel apresenta uma diferença entre a moralidade individual e as exigências do governo. Na interpretação do filósofo, um governante não poderia depender exclusivamente de boas intenções, pois enfrentaria conflitos, ameaças e adversários que nem sempre respeitariam os mesmos princípios.

Isso não significa que Maquiavel recomendasse praticar crueldades sem motivo. Sua análise procurava compreender como o poder funciona em circunstâncias concretas, especialmente quando a estabilidade de um governo está ameaçada. A expressão agir conforme a necessidade aparece ligada à preservação do Estado, embora essa justificativa continue levantando importantes questionamentos éticos.

A reflexão de Maquiavel apresenta uma diferença entre a moralidade individual e as exigências do governo. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Leia também: A frase de Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe que atravessa gerações: “O essencial é invisível aos olhos”

De onde surgiu essa famosa frase de Nicolau Maquiavel?

A ideia aparece no capítulo 18 de O Príncipe, obra escrita em 1513 e publicada postumamente em 1532. Nesse trecho, Maquiavel discute até que ponto um governante deve cumprir promessas, agir com honestidade e preservar qualidades consideradas virtuosas quando enfrenta situações que colocam seu poder em risco.

O texto original, disponível no Projeto Gutenberg, apresenta uma formulação equivalente à ideia de não abandonar o bem quando possível, mas saber recorrer ao mal quando necessário. Portanto, a frase conhecida em português funciona como uma síntese de um argumento da obra, e não necessariamente como uma reprodução literal de todas as suas palavras.

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Por que Maquiavel acreditava que um governante precisava ser flexível?

Maquiavel viveu durante um período de intensa instabilidade política na península Itálica, marcado por disputas entre cidades, famílias governantes e potências estrangeiras. Nesse ambiente, alianças podiam mudar rapidamente, enquanto decisões militares e diplomáticas influenciavam a sobrevivência dos governos. Sua preocupação estava relacionada à manutenção da autoridade política diante dessas circunstâncias.

No capítulo 15 de O Príncipe, o autor argumenta que um governante interessado em preservar o Estado precisa aprender a não agir sempre conforme aquilo que normalmente se considera bom. A proposta representa uma ruptura com modelos idealizados de liderança. Em vez de descrever apenas como um governante deveria ser moralmente, Maquiavel procurava examinar como líderes realmente agiam e quais consequências suas escolhas produziam.

Maquiavel viveu durante um período de intensa instabilidade política na península Itálica, marcado por disputas entre cidades, famílias governantes e potências estrangeiras.

A diferença entre parecer bondoso e agir de maneira justa

Outro aspecto importante do pensamento maquiaveliano envolve a relação entre imagem pública e comportamento real. No capítulo 18, o filósofo observa que as pessoas frequentemente avaliam os governantes por aquilo que conseguem perceber externamente. Por isso, a aparência de honestidade, generosidade e religiosidade poderia desempenhar um papel importante na manutenção do poder.

Entretanto, essa observação também apresenta um problema: um governante pode cultivar uma imagem virtuosa enquanto toma decisões contrárias aos valores que afirma defender. A reflexão permite compreender como a reputação política pode ser construída por discursos e símbolos, mas não substitui a análise das ações concretas e de suas consequências para a população.

Maquiavel realmente defendia que os fins justificam os meios?

A expressão “os fins justificam os meios” é frequentemente associada a Maquiavel, mas não aparece literalmente dessa forma em O Príncipe. O pensamento do autor é mais complexo do que uma autorização irrestrita para utilizar qualquer estratégia. Sua análise considera a eficácia política, os riscos enfrentados pelo governante e a maneira como determinadas ações podem contribuir para preservar ou enfraquecer o Estado.

Isso não elimina os problemas morais de suas propostas. A possibilidade de recorrer à força, ao engano ou a decisões prejudiciais em nome da estabilidade pode entrar em conflito com direitos individuais e princípios de justiça. Por essa razão, o pensamento de Maquiavel permanece como um tema de debate sobre os limites éticos do poder, especialmente quando governantes afirmam que medidas excepcionais são necessárias.

Tags: filosofiahistóriapolíticasociedade
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