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Consumidor adquire lavadora de louças de inox de 14 serviços por R$ 4.200 em e-commerce, identifica vício de funcionamento no painel digital logo no primeiro ciclo e solicita a troca no 4º dia após a entrega, mas a loja exige que o cliente pague R$ 350 pelo frete de devolução do produto

Por Daniely Cardoso
22/08/2026
Em Notícias
A empresa alegou que o envio inicial era responsabilidade do cliente em casos de devolução.

A empresa alegou que o envio inicial era responsabilidade do cliente em casos de devolução.

Ao comprar uma lavadora de louças por R$ 4.200 na internet, Gustavo enfrentou uma cobrança ilegal de frete de devolução após o painel falhar no primeiro uso. Ele solicitou a coleta do eletrodoméstico no quarto dia de entrega, mas o e-commerce exigiu taxa extra de R$ 350 para o envio. A história é fictícia, mas retrata uma prática abusiva vedada pelas normas do país.

Como começou a compra da lavadora de louças no e-commerce?

Para modernizar a rotina doméstica, Gustavo pesquisou modelos e comprou um eletrodoméstico de inox em uma grande loja virtual. Ele acreditava na segurança das compras digitais, confiando nos mecanismos do Direito do consumidor.

O produto foi entregue rapidamente, mas no primeiro ciclo de lavagem o painel digital apagou por completo. No quarto dia após o recebimento, o comprador acionou o suporte da empresa para formalizar o pedido de troca do equipamento danificado.

No quarto dia após o recebimento, o comprador acionou o suporte da empresa para formalizar o pedido de troca do equipamento danificado.

Leia também: Cliente sofre intoxicação alimentar severa, comprovada por laudo médico, após consumir maionese caseira em hamburgueria artesanal e gasta R$ 850 em medicamentos; estabelecimento é condenado a ressarcir as despesas médicas e pagar R$ 5.000 de danos morais por fato do produto.

O que aconteceu quando a loja cobrou o frete de volta?

O atendente da plataforma confirmou a abertura do chamado, mas impôs o pagamento de R$ 350 para cobrir o transporte até o centro de distribuição. A empresa alegou que o envio inicial era responsabilidade do cliente em casos de devolução.

Indignado com a exigência financeira inesperada, Gustavo recusou pagar o boleto extra e recorreu ao Procon. Ele sustentou que a falha técnica ocorreu dentro do prazo inicial e que a cobrança configurava uma prática abusiva da loja.

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O que o Código de Defesa do Consumidor diz sobre frete de devolução?

A proteção em compras realizadas fora do estabelecimento físico está expressa no Código de Defesa do Consumidor. O artigo 49 garante o direito de desistência ou troca no prazo de sete dias a contar do recebimento do produto.

A legislação determina que a devolução deve ocorrer sem qualquer custo para o comprador, impondo a obrigação de logística reversa ao lojista. O fornecedor não pode repassar despesas postais ou de frete para quem exerce um direito legal.

O fornecedor não pode repassar despesas postais ou de frete para quem exerce um direito legal.

As normas de devolução existem para prejudicar as lojas virtuais?

As regras de garantia não foram criadas para inviabilizar o comércio eletrônico. A proteção ao consumidor assegurada na Constituição Federal busca reequilibrar a relação de compra e venda à distância.

Como o comprador não tem contato físico com a mercadoria antes da entrega, a lei estabelece uma rede de segurança. As exigências evitam prejuízos ao cidadão e garantem maior confiança no comércio.

Quais são os deveres da empresa em casos de vício ou desistência?

O entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça confirma que o risco da atividade econômica pertence inteiramente ao comerciante. O cliente não pode arcar com custos operacionais para devolver mercadorias defeituosas.

Para assegurar o cumprimento das normas de consumo, os órgãos de fiscalização aplicam medidas coercitivas. As obrigações da empresa são as seguintes:

01
Coleta gratuita do produto no endereço de entrega informado na compra.
02
Reembolso integral de todos os valores pagos incluindo taxas de entrega iniciais.
03
Substituição imediata do produto com defeito sem cobrança de frete adicional.
04
Cancelamento da cobrança irregular sob pena de multa aplicada pelos órgãos de defesa.

O que muda quando comparamos o caso de Gustavo com o caminho legal?

A diferença entre a conduta imposta a Gustavo e um atendimento comercial regularizado não está no modelo do produto, mas no processo.

A comparação entre a cobrança indevida e o que a legislação exige fica evidente na tabela:

EtapaO que Gustavo fezO que a lei exige
Prazo de contato Notificação da falhaAcionou o suporte no 4º dia útilGarante troca ou cancelamento em 7 dias
Custo do frete Despesa de devoluçãoRecebeu cobrança extra de R$ 350Obriga custeio integral pelo vendedor
Vício do produto Painel com defeitoRegistrou o vício imediatamenteEfetua o reparo ou troca sem ônus
Mediação estatal Atuação do ProconRegistrou queixa contra a empresaNotifica e autua a conduta abusiva

O que se aprende com a história de Gustavo?

A história de Gustavo é fictícia, mas a revolta de receber cobranças indevidas de frete atinge milhares de compradores virtuais. A compra planejada não era o problema. O erro residiu na tentativa do e-commerce de repassar os custos da operação para quem recebeu o produto quebrado.

Quem realmente quer devolver compras online precisa seguir esse roteiro: formalizar o pedido dentro dos sete dias, recusar o pagamento de taxas de postagem e acionar os órgãos de defesa em caso de negativa. É mais trabalhoso do que ceder à cobrança. Mas é o que protege contra prejuízos injustos.

Tags: arrependimentoDireito do Consumidore-commerceProcon
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