Entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, Mostardas se estende por uma estreita faixa do litoral gaúcho, onde dunas, áreas naturais e construções antigas contam diferentes capítulos da história local. O município conserva casas do período colonial com influência açoriana e guarda um endereço ligado a um dos casais mais emblemáticos da Revolução Farroupilha: foi ali que nasceu, em 1840, o único filho brasileiro dos dois.
De onde veio o nome Mostardas e como começou o povoamento?
A ocupação da região tem registros anteriores à criação da freguesia. Em 1742, os portugueses mantinham no local uma instalação militar chamada Guarda de Mustardas. A grafia com a letra “u” continuou em uso até o início do século XX. Uma das explicações mais aceitas para a origem do nome está nas plantas de mostarda usadas para disfarçar as trincheiras. Por demorarem mais a murchar, elas ajudavam a esconder as estruturas de vigilância em meio à vegetação.
A freguesia foi oficialmente estabelecida em 18 de janeiro de 1773, com a chegada de portugueses vindos da ilha açoriana de Pico, conforme registra o portal de Turismo do Rio Grande do Sul. Também em 1773 foi erguida a Igreja Matriz São Luiz Rei, apontada como a sétima igreja mais antiga do estado. Sua construção reforçou a influência açoriana na formação histórica e cultural de Mostardas.

Quais raízes formaram a identidade afro-açoriana de Mostardas?
A história cultural de Mostardas também foi construída por quem chegou ao território em condições de escravidão. Depois do estabelecimento dos açorianos, africanos escravizados foram trazidos para trabalhar na formação da comunidade. Seus descendentes deram origem a quilombos que continuam habitados na região.
Essa convivência de heranças é tão marcante que a praça principal exibe um painel que identifica o município como afro-açoriano. Costumes religiosos, manifestações culturais e celebrações dos dois povos atravessaram gerações e permanecem presentes em grupos folclóricos e festas locais.
Onde nasceu o filho de Anita e Giuseppe Garibaldi?
Em 16 de setembro de 1840, um rancho da família Costa, na localidade de São Simão, foi o cenário do nascimento de Domenico Menotti Garibaldi. Primeiro filho de Anita e Giuseppe Garibaldi, ele foi o único dos quatro filhos do casal que nasceu em território brasileiro.
A tranquilidade durou pouco. Apenas doze dias depois do parto, Anita teve de escapar a cavalo de um ataque imperial, levando o recém-nascido nos braços e fugindo seminua enquanto Garibaldi estava ausente. O episódio é registrado pelo governo do Rio Grande do Sul nas celebrações do bicentenário da heroína.
Como Menotti Garibaldi entrou para a história da Itália?
O menino que sobreviveu à fuga em Mostardas cresceu e participou de um dos processos históricos mais importantes da Europa no século XIX. Em 1860, Menotti lutou ao lado do pai na Expedição dos Mil, tornou-se general do Exército Real Italiano e ocupou uma cadeira de deputado por Velletri entre 1876 e 1900.
A ligação histórica entre o município gaúcho e a Itália permanece reconhecida oficialmente. Desde 26 de abril de 1996, Mostardas é cidade-irmã de Aprília, em homenagem a Menotti, conforme o registro da Prefeitura de Mostardas. Foi nessa cidade italiana que ele foi sepultado, em 1903.

Quais construções e lugares revelam a história de Mostardas?
Uma caminhada de aproximadamente 1h30 pelo centro permite observar elementos da arquitetura açoriana que resistiram ao passar dos séculos. Nas fachadas, símbolos religiosos como a Santíssima Trindade e a Pomba do Divino Espírito Santo remetem às tradições trazidas das ilhas do Atlântico.
- Igreja Matriz São Luiz Rei: construída em 1773, é considerada a sétima igreja mais antiga do Rio Grande do Sul e conserva estruturas originais.
- Praça Prefeito Luís Chaves Martins: espaço arborizado, cercado por casas históricas e onde está o painel que reconhece a identidade afro-açoriana do município.
- Marco histórico de São Simão: local do antigo rancho onde Anita Garibaldi deu à luz Menotti, transformado em ponto de romaria cívica.
- Telhados com eira e beira: característica da arquitetura açoriana que ainda pode ser vista nas construções do centro histórico tombado pelo município.
- Farol de Mostardas: torre de 30 metros situada às margens da Laguna dos Patos. O acesso é feito por uma estrada que atravessa áreas com bandos de emas e capões de mata nativa.
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Quando visitar a cidade entre dois mares?
Mostardas tem clima subtropical úmido e pode receber visitantes o ano inteiro. O verão é a alta temporada das praias, mas o outono e a primavera oferecem o melhor equilíbrio entre temperatura e tranquilidade.
☀️ Verão
Dez – Fev19-29°C
Temperatura🍂 Outono
Mar – Mai14-24°C
Temperatura❄️ Inverno
Jun – Ago9-19°C
Temperatura🌸 Primavera
Set – Nov13-24°C
TemperaturaTemperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade no istmo gaúcho?
Mostardas fica a cerca de 200 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-101, totalmente pavimentada. A cidade está exatamente no meio do caminho entre Osório e Rio Grande, a 165 km de cada uma.
A cidade onde dois mundos se encontram
Poucos lugares no Brasil reúnem em tão pouco espaço uma freguesia portuguesa do século XVIII, raízes africanas vivas em quilombos e o nascimento de um dos artífices da Unificação Italiana. Tudo isso entre uma laguna e o oceano.
Você precisa visitar Mostardas para caminhar por um centro histórico onde o casario açoriano ainda guarda os símbolos das ilhas e o eco de uma fuga noturna a cavalo que mudou a história de dois continentes.




