Numa sexta-feira à tarde, no inverno entre 2024 e 2025, um menino italiano chegou da escola, assistiu a um vídeo de Minecraft no YouTube e decidiu que também podia construir algo grande. Cerca de um ano e meio depois, Davide, de 12 anos, tinha erguido sozinho uma cidade no Minecraft com arranha-céus, casas, parques e fontes, tudo num Nintendo Switch.
Agora ele tenta entrar para o Guinness World Records. A candidatura foi aceita no início de agosto de 2026, segundo o jornal VareseNews, com resposta prevista para 20 de outubro. Até 27 de outubro, porém, a revista Focus Junior informava que o recorde ainda não era oficial, e nenhuma decisão do Guinness havia sido publicada.
A história saiu primeiro na imprensa local do norte da Itália, na Lombardia, em 3 de agosto de 2026. Depois foi repetida por outros veículos italianos, como o jornal Avvenire, que entrevistou o garoto em 25 de outubro.

Como nasceu a cidade no Minecraft
Davide conta que se inspirou em dois lugares dos Estados Unidos onde nunca esteve: Manhattan, pelos arranha-céus, e Buffalo, pela tranquilidade. A cidade tem banco, shopping, delegacia de polícia e uma ponte que lembra a do Brooklyn, segundo o Avvenire, com os interiores mobiliados.
O detalhe que mais pesa é o modo de jogo. Ele construiu tudo no modo Sobrevivência, sem trapaças, comandos ou mods. Nesse modo, cada bloco precisa ser coletado antes de ser colocado.
Ao Avvenire, o garoto comparou: no modo Criativo, um prédio sobe em 20 minutos; no Sobrevivência, pode levar uma hora. A delegacia foi a construção mais difícil, e também uma das preferidas dele. Recriar fontes redondas num jogo feito de cubos deu trabalho extra.
Houve ainda um obstáculo técnico. O Switch não dava conta de processar uma cidade tão grande, então Davide escavou áreas inteiras do mapa e trocou os blocos originais pelos próprios prédios, conforme o VareseNews. Foi o jeito de evitar que o console travasse.
O tamanho, segundo a imprensa italiana
A imprensa italiana fala em cerca de 500 mil blocos. Os jornais, no entanto, não deixam claro o que esse número mede. O VareseNews descreve a extensão no mapa, da coordenada X −250.000 à +250.000, enquanto o Avvenire trata o número como blocos empilhados.
O tempo de jogo também gera dúvida. O VareseNews cita 10 mil horas, mas a conta não fecha: um ano e meio inteiro tem cerca de 13 mil horas, o que exigiria jogar quase 18 horas por dia. O dado seguro é o calendário, perto de 18 meses de trabalho.
A mãe, que acompanhou o projeto, resumiu o filho ao jornal local: “Davide é um menino que, quando coloca uma coisa na cabeça, ninguém o segura”. Segundo o VareseNews, foi o próprio garoto quem cuidou da candidatura ao Guinness, depois de uma primeira tentativa que não deu certo.
Os recordes que o Guinness já reconhece
A cidade de Davide não é a maior já feita no jogo. O Guinness atribui o título de maior cidade no Minecraft a Greenfield, um projeto coletivo inspirado em Los Angeles, com 38 km² registrados em 15 de agosto de 2022. Iniciada em 2011, ela reuniu mais de 500 construtores, segundo a entidade.
Há também um recorde individual em console. O Guinness registra Titan City, do americano Duncan Parcells, com 4,5 milhões de blocos, feita no Xbox 360 e apresentada em outubro de 2014.
Por isso a disputa do italiano é mais estreita. O próprio Davide disse ao Avvenire que ninguém, sozinho e num Nintendo Switch, construiu uma cidade maior. O site Webboh observou, em setembro de 2026, que não existe hoje um recorde desse tipo oficialmente reconhecido. Com ou sem certificado, construir bloco a bloco sem atalho por 18 meses já é uma prova de paciência rara aos 12 anos.
Teimosia de infância já rendeu Guinness antes. O CB Radar contou a história de um jovem que começou a montar a própria prótese com peças de Lego e acabou no livro dos recordes.
O próximo projeto de Davide
O videogame, aliás, costuma ensinar mais do que parece, como mostra o relato de quem dividiu um único console com três irmãos.
Davide já tem o próximo projeto: reproduzir o Burj Khalifa, em Dubai, com os interiores. E avisa que não pretende ser arquiteto. “Quando crescer, vou ser piloto de avião. Ou, no máximo, programador”, disse ao Avvenire.




