Poucas cidades brasileiras conseguem carregar uma tradição vitivinícola tão antiga e reconhecida internacionalmente. Localizada na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, a 120 km de Porto Alegre e a 613 metros de altitude, Garibaldi tem cerca de 35 mil habitantes distribuídos em 169,7 km² e é conhecida como a Capital Brasileira do Espumante. A colônia foi criada em 24 de maio de 1870 pelo presidente da Província Dr. João Sertório com o nome de Colônia Conde d’Eu, homenagem ao Príncipe Gaston de Orléans, genro do imperador Dom Pedro II e marido da Princesa Isabel. Foi emancipada em 31 de outubro de 1900, quando ganhou o nome atual em homenagem a Giuseppe Garibaldi, herói italiano da Revolução Farroupilha. Em 2025, a cidade celebra 125 anos de emancipação, e é aqui que a família Peterlongo produziu o primeiro espumante brasileiro pelo método champenoise em 1913.
Como Garibaldi virou o primeiro núcleo de colonização da Serra Gaúcha?
A Prefeitura de Garibaldi promoveu ao longo de 2025 uma programação especial com mais de 60 atrações para celebrar os 125 anos de emancipação do município, comemorados em 31 de outubro. A colônia foi criada em 24 de maio de 1870, quando o presidente da Província do Rio Grande do Sul, Dr. João Sertório, batizou o território como Colônia Conde d’Eu em homenagem ao Príncipe Gaston de Orléans, genro do imperador Dom Pedro II. Os primeiros colonos chegaram em 9 de julho de 1870 e eram prussianos, seguidos, a partir de 1874, por suíços, italianos, franceses, austríacos e poloneses.
Os italianos, em maior número, deram o rosto definitivo à colônia, que se tornou o primeiro núcleo de colonização da Serra Gaúcha e já contava com 870 moradores em 1876. Em 26 de abril de 1884, pela Lei Provincial 1.455, o território virou distrito de Bento Gonçalves. O Decreto Estadual 327, de 31 de outubro de 1900, criou a vila, instalada em 25 de novembro de 1900, e trocou o nome do príncipe pelo do herói italiano da Revolução Farroupilha. No começo do século XX, chegaram famílias sírio-libanesas que assumiram o comércio, e congregações religiosas francesas que por décadas comandaram a educação, entre elas os Irmãos Maristas, chegados em 1904.

Por que o primeiro espumante brasileiro nasceu em Garibaldi em 1913?
A família Peterlongo elaborou em 1913 o primeiro espumante brasileiro produzido pelo método champenoise, técnica clássica francesa desenvolvida na região de Champagne. Manoel Peterlongo, imigrante vindo de Trentino, na Itália, trouxe o conhecimento acumulado na tradição vitivinícola europeia e o adaptou ao terroir da Serra Gaúcha. A residência da família, ao lado da vinícola, foi construída em traços de pequeno castelo francês, elemento que ainda hoje surpreende visitantes que chegam ao centro histórico da cidade. O filho Armando Peterlongo sucedeu o pai em 1924 e ampliou a produção, construindo uma adega de 10.000 m².
Os espumantes Peterlongo ganharam fama nacional a partir de 1930, quando o presidente Getúlio Vargas passou a servir os produtos gaúchos a seus convidados internacionais, incluindo a Rainha Elizabeth. A vitivinicultura em Garibaldi tinha começado antes, em 1904, quando o Irmão Pacômio Sion, dos Maristas, plantou parreiras nos terrenos vizinhos à Congregação para produzir vinho para consumo dos religiosos, seguindo a tradição francesa. Em 1911, o Irmão Siforiano fundou a Granja Pindorama, considerada a primeira cantina do município. A cidade se autointitula desde então Capital Nacional do Espumante e continua sendo o principal produtor da bebida no país.
Quais vinícolas visitar em Garibaldi?
A cidade concentra algumas das vinícolas mais tradicionais e premiadas do Brasil, muitas delas abertas à visitação com tours guiados, degustações e experiências enoturísticas completas. É recomendável agendar as visitas com antecedência.
- Vinícola Peterlongo: primeira vinícola de espumantes do Brasil, com adega centenária e a icônica residência-castelo francês da família fundadora, com tours que incluem a história do método champenoise.
- Vinícola Chandon: empresa francesa Moët & Chandon que apostou em Garibaldi pela qualidade das uvas da Serra Gaúcha, com parreirais visitáveis e degustações de espumantes de luxo.
- Cooperativa Vinícola Garibaldi: mais de 80 anos de história e produtos premiados em concursos internacionais, com complexo enoturístico completo. Segundo a Cooperativa Vinícola Garibaldi, os roteiros incluem degustação de três vinhos ícones e dois espumantes.
- Cooperativa Vinícola Aurora: iniciada em 1931 com 16 famílias, hoje reúne 1.110 famílias associadas e produz 38 milhões de litros anuais, sendo a maior cooperativa vinícola da América Latina.
- Adega Chesini: cantina familiar com tradição centenária e produção artesanal de vinhos e espumantes.
- Casa Pedrucci: vinícola boutique com produção limitada e visitação personalizada.
- Vinícola La Cantina: com experiências gastronômicas que combinam vinhos e culinária italiana tradicional.
O que é o Vale dos Vinhedos e como Garibaldi participa dele?
O Vale dos Vinhedos é uma das regiões vitivinícolas mais famosas do Brasil, com cerca de 80 km² distribuídos entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Segundo o Momondo, Bento Gonçalves detém 60% da área, Garibaldi tem 33% e Monte Belo do Sul completa com 7% do território. A região concentra pequenas propriedades rurais que dividem espaço com vinícolas de diferentes portes, desde cantinas familiares até grandes empresas com parceiros internacionais. Todo o legado histórico, cultural e gastronômico dos imigrantes italianos que chegaram em 1875 está representado nesses vinhedos.
O trajeto entre as três cidades é curto, o que permite roteiros de fim de semana que combinam visitas em várias vinícolas sem pressa. Os parreirais se estendem por colinas verdes com paisagens de cortar o fôlego, especialmente durante a colheita das uvas no verão e no outono. Muitos visitantes optam por alugar um carro em Porto Alegre e percorrer o Vale dos Vinhedos com estadias em pousadas boutique da região, aproveitando a proximidade entre Bento Gonçalves, Garibaldi, Farroupilha e Caxias do Sul.
Como funciona a Fenachamp e o passeio de Maria Fumaça?
A Fenachamp (Festa Nacional do Espumante Brasileiro) é o principal evento do calendário garibaldense e acontece a cada dois anos, nos anos ímpares, entre setembro e outubro. Segundo o Jornal de Brasília, a edição de 2025 teve programação estendida até 26 de outubro, coincidindo com as celebrações dos 125 anos de emancipação do município. O evento reúne exposições, feiras gastronômicas, shows musicais, degustações de rótulos das principais vinícolas da região e desfiles temáticos que celebram a cultura vitivinícola brasileira e a herança italiana.
Outra atração imperdível é o passeio de Maria Fumaça, trem histórico que percorre o trajeto entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa. O passeio dura cerca de duas horas e mostra a paisagem dos parreirais, com apresentações artísticas ao vivo, música típica italiana e degustação de vinhos e sucos. A Estação Ferroviária de Garibaldi foi restaurada e frequentemente recebe apresentações culturais. O trecho ferroviário Carlos Barbosa-Garibaldi foi inaugurado em 1918 como parte da antiga linha Caxias-Porto Alegre.
O que comer em Garibaldi?
A gastronomia local reflete a forte herança italiana dos imigrantes que se estabeleceram na Serra Gaúcha a partir de 1874. Os restaurantes concentram-se ao longo do centro histórico e na Rota do Sabor (também chamada de Estrada do Sabor), roteiro rural com cantinas tradicionais e produtores coloniais.
- Galeto ao primo canto: prato-símbolo da culinária ítalo-gaúcha, com frango jovem assado em espeto e servido com polenta e saladas.
- Polenta: acompanhamento tradicional feito com fubá de milho, servido cremoso, frito ou grelhado com queijos e molhos.
- Massas caseiras: capeletti, gnocchi, tortéi e agnolotti servidos em cantinas familiares que preservam as receitas trazidas do Norte da Itália.
- Queijos coloniais: produzidos artesanalmente em pequenas propriedades rurais, com destaque para o queijo colonial curado e a ricota fresca.
- Salames e embutidos: produção colonial tradicional com temperos italianos, servidos em tábuas de frios acompanhados de vinho.
- Espumantes e vinhos: produtos locais premiados internacionalmente, com destaque para os espumantes elaborados pelo método champenoise.
Leia também: Citada entre as possíveis melhores praias do mundo, essa praia brasileira esconde seu acesso em fendas estreitas nas falésias.
Como é o clima de Garibaldi ao longo do ano?
Garibaldi tem clima subtropical úmido de altitude, típico da Serra Gaúcha, com verões amenos e invernos frios e chuvosos. As temperaturas médias variam entre 8°C e 27°C ao longo do ano, e a chuva se distribui em todos os meses de forma bastante regular. Segundo dados climatológicos, a média mensal de chuva em julho fica em torno de 173 mm, enquanto janeiro chega a 215 mm. As noites de inverno podem chegar próximas dos 5°C em episódios de frente fria, e o inverno é considerado a alta temporada para o enoturismo, com paisagens cobertas por neblina e a chegada dos vinhos jovens.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Garibaldi?
Garibaldi fica a 120 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-116 combinada com a RS-122 ou BR-470, trajeto de carro de cerca de duas horas em condições normais. O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, é o principal ponto de chegada, com voos regulares de todas as capitais brasileiras e conexões internacionais. Da capital gaúcha, muitos visitantes optam por alugar um carro para percorrer o Vale dos Vinhedos com liberdade. A cidade também está próxima de Bento Gonçalves, Farroupilha e Caxias do Sul, formando o coração da Serra Gaúcha e permitindo roteiros de fim de semana bem organizados. Empresas de turismo enoturístico partem de Porto Alegre com traslados diretos até as vinícolas de Garibaldi.
Suba a serra e conheça a Capital Brasileira do Espumante
Garibaldi é o tipo de destino que combina 155 anos de tradição vitivinícola com paisagens de colinas cobertas por parreirais em um mesmo território. Criada em 24 de maio de 1870 como Colônia Conde d’Eu pelo presidente da Província Dr. João Sertório e emancipada em 31 de outubro de 1900 pelo Decreto Estadual 327 em homenagem a Giuseppe Garibaldi herói da Revolução Farroupilha, celebra 125 anos de emancipação em 2025 e é o primeiro núcleo de colonização da Serra Gaúcha. Com cerca de 35 mil habitantes a 120 km de Porto Alegre e 613 metros de altitude, foi aqui que a família Peterlongo elaborou em 1913 o primeiro espumante brasileiro pelo método champenoise, produtos que ganharam fama nacional após 1930 quando Getúlio Vargas passou a servir aos convidados internacionais incluindo a Rainha Elizabeth. Reúne a Vinícola Peterlongo com sua icônica residência-castelo francês, a Chandon do grupo francês Moët & Chandon, a Cooperativa Vinícola Garibaldi com mais de 80 anos e produtos premiados internacionalmente, a Cooperativa Aurora como maior cooperativa vinícola da América Latina com 1.110 famílias associadas e 38 milhões de litros anuais, o Vale dos Vinhedos compartilhado com Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul, a Fenachamp como Festa Nacional do Espumante Brasileiro, o passeio de Maria Fumaça entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, a Estação Ferroviária restaurada, a Rota do Sabor no interior do município e a gastronomia italiana autêntica com galeto, polenta, massas caseiras, queijos e salames coloniais.
Você precisa reservar pelo menos três dias em Garibaldi, visitar a Vinícola Peterlongo para conhecer o berço do espumante brasileiro e brindar ao entardecer com uma taça no meio dos parreirais da Serra Gaúcha para entender por que essa cidade a 120 km de Porto Alegre virou por direito próprio a Capital Brasileira do Espumante.




