Um homem de 72 anos foi condenado em Ohio, nos Estados Unidos, após instalar um rastreador GPS no veículo de uma entregadora para descobrir onde seriam entregues cartas de Pokémon. O caso, que ganhou repercussão durante as comemorações dos 30 anos do jogo de cartas, terminou com uma punição que inclui monitoramento eletrônico do próprio colecionador.
Rastreador foi colocado no veículo da entregadora
O caso envolve Kent Kubasta, morador de Medina, em Ohio. Segundo documentos judiciais citados pela imprensa americana, ele colocou um dispositivo GPS da Spytec no veículo de uma mulher que trabalhava com entregas de produtos Pokémon enquanto o automóvel estava próximo à loja Operation Fandom, na cidade de Wooster.
A intenção, conforme relatado às autoridades, era acompanhar a localização das entregas e descobrir em quais estabelecimentos novos lotes de cartas seriam disponibilizados. A funcionária encontrou o aparelho em 18 de junho de 2026, durante uma entrega em uma unidade do Walmart, e o caso chegou à polícia de Wooster.
Homem acabou condenado pelo uso ilegal do GPS
A notícia publicada inicialmente pelo Everyeye destacava que Kubasta poderia receber até 180 dias de prisão e multa de até US$ 1 mil. Esses são limites previstos para determinadas contravenções de primeiro grau em Ohio.
O processo, porém, avançou. Kubasta inicialmente declarou-se inocente, mas posteriormente apresentou uma declaração de “no contest”, pela qual não contesta a acusação. Ele foi condenado pelo uso ilegal de dispositivo ou aplicativo de rastreamento, conduta classificada normalmente como contravenção de primeiro grau pela legislação estadual.
A regra está prevista na seção 2903.216 do Código Revisado de Ohio. A legislação estabelece restrições ao uso de equipamentos capazes de acompanhar a localização ou movimentação de outra pessoa ou de seus bens sem autorização, além de prever situações específicas em que o rastreamento é permitido.

A punição tem um detalhe incomum
De acordo com registros judiciais reproduzidos pelo The Register, Kubasta recebeu 12 meses de supervisão comunitária, equivalente a uma forma de liberdade condicional. Durante os primeiros 90 dias, ele próprio deverá permanecer sob monitoramento eletrônico por GPS.
A sentença também determinou que o homem não mantenha contato com a entregadora. Além disso, foi aplicada uma multa de US$ 500, além de taxas de supervisão e custos relacionados ao processo.
Procura por cartas cresceu no aniversário de Pokémon
O episódio ocorreu em um período de grande atenção sobre o Pokémon Estampas Ilustradas. Em 16 de setembro de 2026, a The Pokémon Company lançou mundialmente a expansão Celebração de 30 Anos, criada para marcar três décadas do jogo de cartas colecionáveis.
Segundo a página oficial de Pokémon no Brasil, a coleção reúne mais de 150 cartas e inclui cartas raras de Pikachu e uma Coleção Clássica baseada em lançamentos de diferentes períodos da história do jogo. Produtos comemorativos também começaram a chegar ao varejo ao longo de 2026.
Esse cenário ajuda a explicar o interesse em descobrir antecipadamente pontos de reposição, mas não justifica o método utilizado. A busca por produtos disputados não autoriza alguém a rastrear trabalhadores ou veículos de terceiros sem consentimento, principalmente quando o dispositivo permite acompanhar deslocamentos em tempo real.
O caso deixa um alerta para consumidores e trabalhadores
Para colecionadores, a alternativa segura continua sendo acompanhar canais oficiais, lojas autorizadas e informações públicas sobre lançamentos e reposições. A disponibilidade limitada de um produto não elimina regras de privacidade nem transforma informações sobre a rotina de entregadores em dados que possam ser obtidos por qualquer meio.
Já quem encontrar um dispositivo desconhecido preso ao próprio veículo deve evitar simplesmente ignorá-lo. Dependendo das circunstâncias e da legislação local, um rastreador pode indicar monitoramento não autorizado; registrar a descoberta e procurar as autoridades pode ajudar a preservar provas. No caso de Ohio, a tentativa de localizar cartas Pokémon terminou justamente com o responsável sendo obrigado a experimentar, por ordem judicial, o monitoramento por GPS que havia imposto à entregadora.



