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Início Curiosidades

Judit Halász, atriz, sobre conhecimento “Os verdadeiros intelectuais fracassam se permitirem ser rebaixados ao nível de exercer poder.”

Por Bruno Vaz
22/08/2026
Em Curiosidades
Halász Judit

Uma das memórias mais fortes surge logo depois dessa leitura. Judit recorda que, quando finalmente se recuperou da escarlatina, Stálin havia acabado de morrer.

Escolher um único livro para resumir uma vida de leituras deixa histórias importantes pelo caminho. Halász Judit prefere falar das obras que acompanharam fases diferentes de sua vida. Entre Tolstói, Saint-Exupéry e Jorge Semprún, ela conta como aprendeu história muito além da sala de aula.

Retrato de Judit Halász

Quem é Judit Halász

ATRIZ E CANTORA • 1942–PRESENTE

Ícone da cultura húngara, Judit Halász é uma célebre atriz e pioneira na musicalização de poesia para o público infantojuvenil. Integrante histórica do prestigiado teatro Vígszínház, formou a sensibilidade artística de múltiplas gerações no teatro, na música e no cinema.

Principais Ideias
Teatro e Cinema Poesia Musicada Cultura Infantojuvenil Música Popular Húngara
No Radar (O que combateu / Obras)

⌖ Popularização da Literatura: Transformou poemas de mestres húngaros em canções acessíveis, quebrando o elitismo acadêmico e aproximando a poesia clássica das crianças.

⌖ Palcos e Cinema de Vanguarda: Brilhou em produções cinematográficas consagradas da Nova Onda Húngara e manteve presença contínua nos palcos do Vígszínház de Budapeste.

⌖ Prêmios e Humanismo: Laureada com os prêmios Kossuth e Jászai Mari, além de ter sido condecorada com a Ordem do Sorriso e o Prêmio Antirracista Radnóti Miklós por seu impacto social.

Guerra e Paz chegou quando ela tinha apenas 11 anos

A primeira lembrança escolhida por Halász Judit vem da infância. Doente com escarlatina e sem mais livros infantis disponíveis em casa, ela procurou entre os volumes do pai algo suficientemente grosso para ocupar os dias e encontrou Guerra e Paz, de Liev Tolstói.

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Ela tinha apenas 11 anos e meio. Mesmo tão jovem, terminou o romance e ficou frustrada por não poder continuar acompanhando os personagens de que havia gostado. A leitura ainda lhe apresentou Napoleão, o general Kutuzov e acontecimentos da história russa que não tinham aparecido nas aulas.

A recuperação coincidiu com a morte de Stálin

Uma das memórias mais fortes surge logo depois dessa leitura. Judit recorda que, quando finalmente se recuperou da escarlatina, Stálin havia acabado de morrer. O líder soviético morreu em 5 de março de 1953, o que situa com precisão aquela lembrança de infância.

Essa ligação entre acontecimentos históricos e livros atravessa todo o seu relato. Para ela, experiências da infância não desaparecem simplesmente com a passagem dos anos, e a literatura acabou funcionando como uma espécie de mapa para compreender épocas que ainda eram difíceis de explicar abertamente na Hungria.

Halász Judit
Escolher um único livro para resumir uma vida de leituras deixa histórias importantes pelo caminho.

O Pequeno Príncipe continuou mudando com a idade

Entre os livros que voltaram às mãos de Judit em diferentes momentos está O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Ela leu a obra quando criança e voltou a ela na vida adulta, encontrando novas interpretações conforme suas próprias experiências mudavam.

  • Guerra e Paz, de Liev Tolstói;
  • O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry;
  • obras de József Lengyel;
  • livros de Jorge Semprún;
  • O Romance de um Romance, de Ervin Sinkó.

Ela evita transformar essa diferença entre leitura infantil e adulta em uma fórmula pronta. O ponto é mais direto: certos livros permanecem porque continuam oferecendo algo em fases muito diferentes da vida. Judit chega a dizer que lamenta quando alguém passa pela vida sem ler a obra de Saint-Exupéry.

Leia também: Sócrates, filósofo, ensina que “A inveja é a úlcera da alma.”

Para ela a literatura explicou melhor o século 20

A atriz afirma que aprendeu muito sobre o século 20 com escritores que viveram diretamente guerras, perseguições e regimes autoritários. Entre os autores húngaros, cita József Lengyel, cujos textos baseados em experiências pessoais lhe ensinaram mais sobre determinados acontecimentos históricos do que muitas explicações formais.

As obras de Lengyel já circulavam na Hungria em 1964, justamente quando Judit se considerava em uma fase especialmente aberta a esse tipo de leitura. A relação entre literatura e memória tornou-se tão importante que os livros deixaram de ser apenas entretenimento e passaram a servir como documentos pessoais de um século marcado por violência política.

Halász Judit
A atriz afirma que aprendeu muito sobre o século 20 com escritores que viveram diretamente guerras, perseguições e regimes autoritários.

Jorge Semprún deixou uma frase que ela guardou

Outro autor central no relato é Jorge Semprún. Judit lembra primeiro de A Grande Viagem, romance publicado em 1963 a partir das experiências do escritor durante sua deportação para Buchenwald. Mais tarde, também foram importantes para ela Que Belo Domingo! e A Escrita ou a Vida.

  1. Semprún participou da Resistência Francesa;
  2. foi deportado para o campo de Buchenwald;
  3. transformou essas experiências em literatura;
  4. seus livros chegaram a Judit em momentos de forte debate político na Hungria.

Foi de Que Belo Domingo! que ela anotou uma reflexão sobre a distância necessária entre intelectuais e o exercício direto do poder. Judit lembra que essas leituras ganharam peso especial na época da transição política húngara, quando questões sobre poder, liberdade e responsabilidade intelectual estavam presentes nas conversas de muita gente.

Um livro sobre a União Soviética ficou acima dos demais

Quando precisa apontar uma obra especialmente importante, Judit chega a O Romance de um Romance, de Ervin Sinkó. Foi ali que encontrou uma descrição pessoal do cotidiano na União Soviética stalinista, com relatos de medo, mentiras, perseguições e das dificuldades enfrentadas por escritores e intelectuais.

O interesse combina com uma carreira marcada por teatro, cinema, música e literatura. Halász Judit continua ligada ao Vígszínház, cuja página oficial registra sua trajetória artística e décadas de atuação na companhia. Para ela, os livros ficaram porque ajudaram a compreender pessoas, regimes e acontecimentos que nenhuma lista de “favoritos” conseguiria organizar.

Tags: Culturahistórialiteraturalivros
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