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Início Notícias

Lançada em 1977, a Voyager 1 está prestes a cruzar um marco que nenhum objeto humano alcançou

Por João Victor
27/06/2026
Em Notícias, Tecnologia
Ilustração da sonda Voyager 1 viajando sozinha pelo espaço profundo, com antena voltada para a Terra distante.

A Voyager 1 segue viajando pelo espaço interestelar quase 50 anos após o lançamento. (Imagem: Ilustrativa IA)

Ela é mais velha que a maioria das pessoas que vão ler este texto. A Voyager 1 foi lançada em 5 de setembro de 1977 e, quase 50 anos depois, continua viajando — cada vez mais longe, cada vez mais sozinha. E ainda em 2026 ela deve cruzar uma fronteira que nenhum objeto feito por mãos humanas jamais alcançou.

A sonda é, hoje, o objeto mais distante que a humanidade já colocou no espaço. E o mais impressionante é que ela ainda funciona e ainda conversa com a Terra, mesmo movida por uma tecnologia dos anos 1970.

O que é a Voyager 1

A Voyager 1 nasceu para uma missão de poucos anos: estudar Júpiter e Saturno. Ela revelou detalhes inéditos dos anéis de Saturno e descobriu luas até então desconhecidas.

Cumprida essa etapa, a NASA decidiu não parar. A sonda seguiu rumo às bordas do Sistema Solar e, em agosto de 2012, cruzou a heliopausa — a fronteira onde a influência do Sol termina. A partir dali, passou a viajar pelo espaço interestelar, algo que você pode entender melhor neste guia sobre o que é o espaço interestelar.

O marco inédito de novembro de 2026

Por volta da metade de novembro de 2026, a Voyager 1 deve atingir a marca de um “dia-luz” de distância da Terra. Ou seja: ela estará tão longe que a luz — a coisa mais rápida do universo — levará 24 horas para percorrer essa distância.

Nesse momento, a sonda estará a cerca de 25,9 bilhões de quilômetros de casa, o que equivale a estar mais de cinco vezes mais distante do que Netuno. Nenhum objeto construído pelo ser humano jamais chegou tão longe.

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Cada sinal entre a Terra e a Voyager 1 leva quase um dia para chegar; presa à sonda viaja o Disco de Ouro. (Imagem: Ilustrativa IA)
Cada sinal entre a Terra e a Voyager 1 leva quase um dia para chegar; presa à sonda viaja o Disco de Ouro. (Imagem: Ilustrativa IA)

Por que falar com ela virou quase impossível

A enorme distância tem um efeito prático curioso: a comunicação com a sonda virou uma conversa em câmera lenta. Cada comando enviado da Terra leva quase um dia inteiro para chegar, e a resposta leva outro tanto para voltar.

Quem explica bem essa realidade é a responsável pela missão na NASA:

“Se eu mando um comando dizendo ‘bom dia, Voyager 1’ às 8h de uma segunda-feira, só recebo a resposta dela por volta das 8h da quarta-feira.” — Suzanne Dodd, gerente do projeto Voyager no Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA

Tudo isso enquanto a sonda continua se afastando a cerca de 61 mil km/h, algo em torno de 17 quilômetros a cada segundo.

A energia que está se esgotando

A Voyager 1 é alimentada por geradores movidos a plutônio, que transformam calor em eletricidade. O problema é que essa fonte perde força a cada ano: na largada, gerava cerca de 470 watts; hoje, está perto de 250 watts, caindo aproximadamente 4 watts por ano.

Para economizar, a NASA vem desligando equipamentos aos poucos. Dos 11 instrumentos científicos com que foi lançada, hoje pouquíssimos seguem ligados, e a expectativa é de que a sonda continue enviando dados até algum ponto da próxima década. Depois disso, o sinal ficará fraco demais para ser captado, e ela seguirá viagem em silêncio.

O disco de ouro que ela carrega

Presa à lateral da Voyager 1 vai uma das ideias mais poéticas da ciência: o Disco de Ouro. Idealizado por uma equipe liderada pelo astrônomo Carl Sagan, ele é uma espécie de cápsula do tempo da humanidade, com saudações em 55 idiomas, músicas de várias culturas e imagens da vida na Terra.

A ideia é que, se algum dia uma civilização encontrar a sonda, tenha em mãos um retrato de quem a enviou. Você pode conhecer mais sobre o Disco de Ouro e a mensagem de Carl Sagan. Em cerca de 40 mil anos, a Voyager 1 deve passar relativamente perto de uma estrela chamada Gliese 445.

Por que isso fascina tanta gente

No fim, o que comove é a soma das coisas: duas máquinas montadas com transistores dos anos 1970 ainda estão funcionando, ainda mandando ciência e prestes a bater um recorde de distância — tudo isso carregando uma carta de apresentação da humanidade rumo ao desconhecido. A Voyager 1 é, literalmente, o ponto mais longe que já chegamos.

Tags: Astronomiacarl saganDisco de Ouroespaçoexploração espacialnasaVoyager 1
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