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Início Curiosidades

O algoritmo pioneiro que vasculhou 100 milhões de fotos do Hubble em dois dias e meio, revelando mais de 800 anomalias cósmicas inéditas

Por Ryan Cardoso
21/09/2026
Em Curiosidades
O algoritmo pioneiro que vasculhou 100 milhões de fotos do Hubble em dois dias e meio, revelando mais de 800 anomalias cósmicas inéditas

O uso de redes neurais na astronomia para identificar estruturas galácticas raras em imagens - Imagem ilustrativa

O arquivo histórico de 35 anos de observações do telescópio espacial Hubble contém um volume de dados astronômicos impossível de ser analisado visualmente por olhos humanos. Em janeiro de 2026, astrônomos da Agência Espacial Europeia (ESA) utilizaram um programa pioneiro de inteligência artificial para examinar quase 100 milhões de imagens em apenas 2,5 dias.

Como o programa AnomalyMatch conseguiu analisar 100 milhões de imagens em 2 dias e meio?

Os pesquisadores David O’Ryan e Pablo Gómez desenvolveram a rede neural AnomalyMatch, treinada para reconhecer padrões visuais fora do padrão comum do cosmos. Em vez de exigir que humanos inspecionassem recorte por recorte do Hubble Legacy Archive, o algoritmo realizou a varredura contínua de recortes medindo cerca de 8 segundos de arco cada.

O sistema utilizou aprendizado semissupervisionado: a inteligência artificial aprendeu o que é uma galáxia típica e passou a classificar as imagens por grau de bizarrice. O processamento que exigiria décadas de trabalho manual de milhares de cientistas foi concluído em um único final de semana de computação em nuvem.

O algoritmo pioneiro que vasculhou 100 milhões de fotos do Hubble em dois dias e meio, revelando mais de 800 anomalias cósmicas inéditas
O uso de redes neurais na astronomia para identificar estruturas galácticas raras em imagens – Imagem ilustrativa

O que são as anomalias cósmicas resgatadas do arquivo histórico?

Após a seleção automática do software, os astrônomos revisaram manualmente os candidatos e confirmaram mais de 1.300 anomalias astrofísicas reais. O dado mais impressionante do estudo é que mais de 800 desses objetos cósmicos nunca haviam sido descritos na literatura científica.

Para conhecer a natureza dos fenômenos raros revelados pelo rastreamento algorítmico, veja o detalhamento no card a seguir:

✦
💡 CORREIO EXPLICA

Mineração de tesouros esquecidos: A IA não descobriu coisas novas no céu apontando o telescópio para novos alvos; ela encontrou fenômenos raríssimos escondidos em fotografias antigas que já estavam salvas nos servidores há décadas sem que ninguém tivesse reparado.

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Quais objetos bizarros foram identificados pela inteligência artificial?

Entre os achados confirmados pela Agência Espacial Europeia (ESA), destacam-se lentes gravitacionais raras, onde a gravidade de uma galáxia de primeiro plano deforma o espaço-tempo e curva a luz de galáxias distantes em arcos circulares luminosos.

O programa também catalogou as chamadas “galáxias-água-viva”, estruturas estelares que perdem gás na forma de tentáculos brilhantes ao atravessarem aglomerados densos, além de colisões galácticas violentas e discos protoplanetários em formato de hambúrguer.

Leia também: Eles disparam um laser contra o plástico PET e cada pulso gera cerca de 10 trilhões de nanodiamantes ultrapuros. – Correio Braziliense

Como essa tecnologia prepara os astrônomos para a nova geração de telescópios?

Com a entrada em operação de observatórios espaciais como o telescópio Euclid e o futuro Observatório Vera C. Rubin, a astronomia entrará na era do Big Data extremo. Esses instrumentos produzirão petabytes de novas imagens todas as noites.

O uso de redes neurais como o AnomalyMatch viabiliza a triagem inteligente desse mar de informações sem sobrecarregar pesquisadores humanos:

  • 🌌 Filtro de raridades: O algoritmo separa objetos com morfologias deformadas em segundos para análise prioritária.
  • 🔭 Catálogos automatizados: Classificação instantânea de milhões de galáxias espirais e elípticas sem intervenção manual.
  • ⏱️ Detecção de transientes rápidos: Alerta imediato para supernovas e explosões estelares transitórias logo após a captura.

Quais as principais dúvidas sobre o uso de inteligência artificial na astronomia?

A confiabilidade dos achados algorítmicos e a necessidade de astrônomos humanos continuam gerando debates. Esclareça as principais dúvidas a seguir.

📄

Dúvidas Frequentes

?

Respostas com base nos relatórios de astrofísica da ESA e NASA

A inteligência artificial substitui os astrônomos na confirmação de descobertas? +

Não. O programa apenas realiza a triagem estatística inicial; a confirmação física de que se trata de uma lente gravitacional ou galáxia real continua exigindo a inspeção de cientistas humanos.

O arquivo do telescópio espacial Hubble é aberto para qualquer pessoa pesquisar? +

Sim. O *Hubble Legacy Archive* é um repositório público online mantido pela NASA e pela ESA, permitindo que astrônomos profissionais e entusiastas civis analisem dados coletados pelo telescópio.

A aplicação de modelos neurais em arquivos legados inaugura uma nova fronteira na exploração do universo. Minerando dados antigos em tempo recorde, a inteligência artificial revela que o cosmos ainda guarda centenas de segredos ocultos à espera de um novo olhar algorítmico.

Tags: AstronomiaTelescópio Espacial Hubble
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