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Início Curiosidades

Mais de 10 mil moedas são removidas das rochas da Calçada dos Gigantes após anos de tradição entre turistas

Por Daniely Cardoso
30/08/2026
Em Curiosidades
Essa prática cresceu de forma descontrolada na última década e transformou um Patrimônio Mundial da Unesco em um depósito perigoso de sucata.

Essa prática cresceu de forma descontrolada na última década e transformou um Patrimônio Mundial da Unesco em um depósito perigoso de sucata.

Deixar um trocado em frestas de pedras parece um ritual inofensivo para atrair sorte em viagens. Na prática, o hábito de cravar moedas na Calçada dos Gigantes gerou uma reação química agressiva que quase arruinou colunas com 60 milhões de anos. O que parecia uma simpatia comum virou uma operação de emergência para evitar danos irreparáveis.

Por que um simples gesto de sorte virou um pesadelo geológico

Turistas do mundo inteiro viajam até a costa da Irlanda do Norte e decidem prender peças metálicas entre os blocos hexagonais de rocha vulcânica. Muitos usavam pedras soltas do próprio chão para martelar o dinheiro cada vez mais fundo nas frestas estreitas. Essa prática cresceu de forma descontrolada na última década e transformou um Patrimônio Mundial da Unesco em um depósito perigoso de sucata.

A equipe do National Trust, instituição que administra a área desde 1961, constatou que a brincadeira cobrou uma fatura pesada da natureza. Foram retirados mais de 20 quilos de moedas, o que equivale a cerca de 10 mil unidades incrustadas nas fendas. O detalhe é que a presença de todo esse metal esconde um efeito físico destrutivo que a maioria das pessoas nem imagina.

O problema é que esse costume inconsequente também gera prejuízos em cadeia que afetam outros pontos do planeta.

Leia também: Arqueólogos encontram poço etrusco de 2.500 anos na Itália e descobrem o que foi escondido em seu interior

O efeito invisível da maresia que faz o metal destruir o basalto

O verdadeiro estrago não acontece no momento em que a moeda entra na pedra, mas durante os meses seguintes de exposição ao clima costeiro. O vento do litoral lança uma névoa contínua de água salgada sobre as rochas, acelerando a corrosão do material em ritmo recorde. Além disso, o dinheiro moderno é fabricado com misturas complexas que trazem um núcleo de aço revestido por finas camadas metálicas.

Com a oxidação agressiva, a moeda enferruja e consegue expandir até três vezes em relação à sua espessura original. Esse inchaço repentino funciona como uma cunha de ferro que empurra as paredes de basalto, abrindo trincas profundas e soltando lascas do monumento. Para piorar, a ferrugem libera resíduos químicos de cobre, níquel e óxido de ferro que mancham a pedra para sempre. Mas cuidado: retirar esse entulho metálico sem quebrar os blocos virou outro desafio monumental.

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O resgate minucioso de 10 mil peças que levou vinte minutos por fenda

Para limpar as 40 mil colunas sem quebrar as estruturas milenares, os administradores precisaram contratar o restaurador Nathan Morrow. O uso de marretas ou alavancas pesadas estava totalmente proibido, pois qualquer pressão errada partiria as quinas dos blocos. A equipe realizou primeiro uma bateria rigorosa de testes em 10 pontos estratégicos antes de autorizar a limpeza em todo o território.

Na prática, cada moeda exigiu uma verdadeira cirurgia manual para ser retirada sem deixar marcas adicionais na rocha. O profissional utilizou pinças especiais, alicates e ferramentas de rejunte, gastando até vinte minutos de paciência para destravar uma única moeda presa no fundo da fenda. Toda essa mobilização vai custar mais de 30 mil libras aos cofres da preservação britânica. O problema é que esse costume inconsequente também gera prejuízos em cadeia que afetam outros pontos do planeta.

O detalhe é que a presença de todo esse metal esconde um efeito físico destrutivo que a maioria das pessoas nem imagina.

Os impactos diretos que quase ninguém nota ao deixar lembranças na natureza

Sempre que um visitante enxerga moedas cravadas em um monumento natural, ele se sente encorajado a repetir o mesmo comportamento. Esse efeito de repetição cria um ciclo vicioso que sobrecarrega os órgãos de proteção ambiental e atrai poluição direta para o ecossistema marinho ao redor.

01
Pressão física mecânica: a dilatação térmica e a ferrugem forçam a rocha até quebrar as laterais.
02
Contaminação química severa: a água salgada dissolve metais pesados e mancha as superfícies de forma permanente.
03
Desvio de recursos financeiros: equipes qualificadas deixam de cuidar da preservação geral para consertar atos de vandalismo involuntário.

O Dr. Cliff Henry, porta-voz do National Trust, alertou que o turismo sem limites coloca em risco formações esculpidas há 60 milhões de anos. Um gesto isolado de cinco segundos parece insignificante, mas multiplicado por milhares de turistas destrói patrimônios protegidos. Entender como evitar esse impacto é o primeiro passo para mudar a sua postura durante qualquer passeio ao ar livre.

O jeito certo de apoiar a preservação histórica na sua próxima viagem

Se você pretende deixar uma marca positiva nos pontos turísticos que visita, aplique a regra de ouro de não deixar rastros. Guarde o seu dinheiro no bolso e leve apenas fotografias para recordar o passeio. Essa mudança simples de atitude protege a paisagem original.

Coloque as suas moedas nas caixas de doação oficiais espalhadas pelos centros de visitantes e parques nacionais. O dinheiro arrecadado vira verba direta para conservar trilhas, treinar guardas ambientais e manter a estrutura impecável. Na sua próxima aventura, compartilhe essa dica com seus amigos e ajude a proteger a história do planeta.

Tags: MoedasNaturezaRochasturismo
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