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Início Cidades

Mais de 250 anos de história: a cidade gaúcha que guarda a 7ª igreja mais antiga do estado

Por Maura Pereira
12/08/2026
Em Cidades, Turismo
A formação de Mostardas não pode ser explicada apenas pela chegada dos portugueses dos Açores. / Imagem ilustrativa

A formação de Mostardas não pode ser explicada apenas pela chegada dos portugueses dos Açores. / Imagem ilustrativa

Antes de se tornar município, Mostardas nasceu como ponto estratégico em uma das paisagens mais particulares do litoral gaúcho. Espremida entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, a região servia como passagem e área de vigilância portuguesa, enquanto famílias açorianas ajudaram a formar a comunidade que ainda preserva parte dessa identidade nos casarões e nas construções religiosas.

Como surgiu o nome Mostardas?

Em 1742, os portugueses já mantinham na região um posto de vigilância conhecido como Guarda de Mustardas, grafia que permaneceu com a letra U até o começo do século XX. A explicação mais difundida relaciona o nome à vegetação utilizada para camuflar as antigas trincheiras. Plantas de mostarda teriam sido colocadas ao redor dos esconderijos porque permaneciam verdes por mais tempo e ajudavam a disfarçar a presença dos soldados.

A ocupação ganhou caráter permanente em 18 de janeiro de 1773, quando portugueses vindos da Ilha do Pico, nos Açores, fundaram oficialmente a freguesia. No mesmo ano começou a história da Igreja Matriz São Luiz Rei, considerada uma das sete igrejas mais antigas do Rio Grande do Sul e ainda hoje um dos principais marcos da presença açoriana no município.

Com aves que migram do Alasca à Patagônia, o “Nordeste” do Sul é um refúgio com uma lagoa essencial para alimentação dessas aves
Mostardas-RS emociona com horizontes infinitos de lagoa e mar, inspirando ecoturismo em dunas e observação de aves no Parque Nacional da Lagoa do Peixe. // Créditos: Wikipédia

O que torna Mostardas uma cidade afro-açoriana?

A formação de Mostardas não pode ser explicada apenas pela chegada dos portugueses dos Açores. A comunidade também foi construída pelo trabalho de africanos escravizados, trazidos para a região durante o período colonial. Com o passar das gerações, seus descendentes formaram comunidades quilombolas que permanecem na região e ajudam a preservar tradições próprias.

Essa mistura de origens atravessou a história e continua visível na cultura local. Na praça principal, um painel identifica oficialmente Mostardas como uma cidade afro-açoriana, enquanto manifestações religiosas, festas tradicionais e grupos folclóricos preservam elementos das duas matrizes culturais que ajudaram a formar o município.

Onde nasceu o filho de Anita e Giuseppe Garibaldi?

A história mais famosa de Mostardas aconteceu em 16 de setembro de 1840, quando Domenico Menotti Garibaldi nasceu no rancho da família Costa, na localidade de São Simão. Filho de Anita e Giuseppe Garibaldi, ele foi o primogênito do casal e o único dos quatro filhos a nascer em território brasileiro.

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A permanência da família na região, porém, durou pouco. Apenas 12 dias depois do parto, Anita precisou fugir a cavalo durante um ataque das forças imperiais, levando o recém-nascido consigo enquanto Garibaldi estava ausente. A fuga, realizada em condições extremas, tornou-se um dos episódios mais conhecidos da trajetória da revolucionária e permanece registrada na memória histórica de Mostardas.

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Em Mostardas-RS, relaxe na Praia do Balneário, pedale na Lagoa de Bacupari e aprecie pores do sol na lagoa em clima tranquilo e natureza gaúcha acolhedora. // Créditos: Wikipédia

O que ver no centro histórico mais bem preservado do litoral sul gaúcho?

O passeio cultural pelo núcleo urbano leva cerca de 1h30 e revela detalhes açorianos que escaparam do tempo. As fachadas guardam símbolos religiosos como a Santíssima Trindade e a Pomba do Divino Espírito Santo, herança das ilhas atlânticas.

  • Igreja Matriz São Luiz Rei: erguida em 1773, é a sétima igreja mais antiga do Rio Grande do Sul e ainda mantém estruturas originais.
  • Praça Prefeito Luís Chaves Martins: pequena, arborizada e cercada por casas históricas, com o painel que identifica a cidade como afro-açoriana.
  • Marco histórico de São Simão: rancho onde Anita Garibaldi deu à luz Menotti, hoje ponto de romaria cívica.
  • Telhados com eira e beira: detalhe construtivo açoriano preservado nas casas do centro tombado pelo município.
  • Farol de Mostardas: torre de 30 metros à beira da Laguna dos Patos, alcançada por estrada que cruza bandos de emas e capões de mata nativa.

Leia também: A cidade histórica esquecida que parou em 1850 onde foguetes decolam ao lado de ruínas esquecidas do século XVII.

Quando visitar a cidade entre dois mares?

Mostardas tem clima subtropical úmido e pode receber visitantes o ano inteiro. O verão é a alta temporada das praias, mas o outono e a primavera oferecem o melhor equilíbrio entre temperatura e tranquilidade.

☀️ Verão

Dez – Fev

19-29°C

Temperatura
Época de sol e vento, ideal para explorar as praias da região e as formações de dunas.
🌦️ Chuva Média

🍂 Outono

Mar – Mai

14-24°C

Temperatura
Clima ameno para roteiros culturais, visitando o centro histórico e os icônicos faróis.
🌦️ Chuva Média

❄️ Inverno

Jun – Ago

9-19°C

Temperatura
Temporada fria e úmida, período propício para a observação de aves migratórias na costa.
🌧️ Chuva Alta

🌸 Primavera

Set – Nov

13-24°C

Temperatura
Estação marcada pelas trilhas naturais e pelas tradicionais festividades da Semana Farroupilha.
🌦️ Chuva Média

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

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Mostardas estabiliza em 12 mil hab no censo 2022; turismo cresce com trilhas no Parque da Lagoa do Peixe e faróis históricos no litoral gaúcho em alta. // Créditos: Wikipédia

Como chegar à cidade no istmo gaúcho?

Mostardas fica a cerca de 200 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-101, totalmente pavimentada. A cidade está exatamente no meio do caminho entre Osório e Rio Grande, a 165 km de cada uma.

A cidade onde dois mundos se encontram

Poucos lugares no Brasil reúnem em tão pouco espaço uma freguesia portuguesa do século XVIII, raízes africanas vivas em quilombos e o nascimento de um dos artífices da Unificação Italiana. Tudo isso entre uma laguna e o oceano.

Você precisa visitar Mostardas para caminhar por um centro histórico onde o casario açoriano ainda guarda os símbolos das ilhas e o eco de uma fuga noturna a cavalo que mudou a história de dois continentes.

Tags: mostardasRio Grande do Sul
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