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Início Bem-Estar

Manteiga, margarina ou óleos vegetais: qual escolher para cuidar do coração

Por Paulo Custodio
18/06/2026
Em Bem-Estar
Manteiga, margarina ou óleos vegetais: qual escolher para cuidar do coração

Manteiga, margarina e óleos vegetais têm composições diferentes de gorduras e podem influenciar de formas distintas a saúde cardiovascular

A dúvida entre manteiga, margarina e óleos vegetais aparece na cozinha de muita gente que quer cuidar do coração sem abrir mão do sabor. A resposta não é simples, porque cada gordura age de forma diferente no organismo, e o tipo de gordura importa mais do que a quantidade isolada. Este artigo tem caráter informativo; para orientação individual, consulte um profissional de saúde.

O que diferencia manteiga, margarina e óleos vegetais?

A manteiga é um produto de origem animal, feita do creme de leite, e é composta por cerca de 50% a 60% de gordura saturada. Ela não tem aditivos artificiais, mas eleva o colesterol LDL, o chamado colesterol ruim, quando consumida em excesso. Já a margarina foi criada como alternativa vegetal e passou a ser produzida por hidrogenação, processo que transforma óleos líquidos em sólidos, gerando as chamadas gorduras trans.

Os óleos vegetais como soja, girassol e milho são ricos em ácidos graxos insaturados, incluindo ômega-6, que em excesso pode gerar inflamação. O azeite de oliva extra-virgem, por sua vez, é rico em gordura monoinsaturada e compostos antioxidantes, e acumula o maior volume de evidências científicas favoráveis à saúde do coração.

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Quais são as principais características de cada gordura?

Para facilitar a escolha no dia a dia, é útil entender o perfil de cada gordura. Elas têm papéis e impactos diferentes, e a combinação que você usa ao longo da semana define mais o risco cardiovascular do que qualquer alimento individual.

Os pontos essenciais de cada tipo são:

1
Manteiga Gordura saturada natural, sem aditivos artificiais. Eleva o LDL em excesso, mas pode ser usada com moderação. Indicada para cocção em fogo médio-baixo.
2
Margarina Produto vegetal industrializado. As versões antigas continham gordura trans pela hidrogenação. Versões modernas usam outros processos, mas podem conter aditivos. Leia sempre o rótulo.
3
Óleos vegetais (soja, girassol, milho) Ricos em gordura poli-insaturada e ômega-6. Bons para cozinhar em fogo alto, mas o excesso de ômega-6 sem ômega-3 pode favorecer processos inflamatórios.
4
Azeite de oliva extra-virgem Rico em gordura monoinsaturada e antioxidantes. O mais bem estudado para saúde cardiovascular. Ideal para temperar e cozinhar em fogo brando a médio.

Como o azeite de oliva age na proteção do coração?

O azeite extra-virgem se destaca não apenas pelo tipo de gordura que contém, mas pelos compostos fenólicos e antioxidantes presentes em quantidade considerável. Esses compostos têm ação anti-inflamatória e ajudam a melhorar o perfil lipídico, reduzindo o LDL e favorecendo o HDL, além de contribuir com a saúde do endotélio, a camada interna das artérias.

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Os principais benefícios documentados do consumo regular de azeite de oliva são:

  • Redução dos níveis de colesterol LDL no sangue
  • Melhora na função endotelial e pressão arterial
  • Ação anti-inflamatória pelos compostos polifenólicos
  • Associação com menor risco de infarto e acidente vascular cerebral
  • Estabilidade razoável ao calor para uso culinário moderado
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O que a ciência mostra sobre azeite e risco cardiovascular?

Publicado no periódico BMC Medicine, o estudo Olive oil intake and risk of cardiovascular disease and mortality in the PREDIMED study acompanhou 7.216 pessoas com alto risco cardiovascular por quase 5 anos e identificou que os participantes com maior consumo de azeite extra-virgem tiveram 39% menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação ao grupo de menor consumo. Para cada aumento de 10 g por dia de azeite extra-virgem, o risco cardiovascular caiu 10% e o risco de morte cardiovascular caiu 7%.

Quem quer descobrir qual o alimento ideal para ter na mesa de café da manhã, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Olá, Ciência!, que conta com mais de 1 milhão de visualizações, onde a equipe faz uma batalha nutricional entre manteiga ou margarina para mostrar qual é mais saudável:

Como comparar manteiga, margarina e azeite para uso no dia a dia?

A escolha prática depende do uso: passar no pão, refogar, fritar ou temperar. Cada gordura tem um comportamento diferente no calor e um impacto distinto no coração. A tabela abaixo resume os pontos mais relevantes para quem quer fazer escolhas mais conscientes.

Um comparativo direto das gorduras mais comuns:

Gordura Melhor uso Para o coração
Azeite extra-virgem Gordura monoinsaturada e antioxidantes Temperar, refogar em fogo médio, passar no pão Mais indicado
Óleo vegetal (soja, girassol) Poli-insaturado, alto ponto de fumaça Frituras e cocção em fogo alto Moderado
Manteiga Gordura saturada de origem animal Cocção leve, uso esporádico no pão Com moderação
Margarina com gordura trans Verificar o rótulo: presença de gordura vegetal hidrogenada Evitar sempre que possível Evitar

Leia também: As pessoas mais inteligentes da turma toda costumam nascer nesses meses

Como reduzir o consumo de gorduras prejudiciais sem exagerar nas restrições?

O ponto de partida mais prático é ler os rótulos. Na lista de ingredientes da margarina, expressões como “gordura vegetal hidrogenada” ou “gordura vegetal parcialmente hidrogenada” indicam a presença de gordura trans, independentemente de o rótulo frontal afirmar “zero trans”. A Anvisa permite essa declaração em produtos com até 0,2 g de gordura trans por porção, o que pode acumular ao longo do dia.

Trocar a margarina pelo azeite extra-virgem como primeiro movimento já é um ganho real para quem quer cuidar do coração. A manteiga, por ser um produto natural sem aditivos, pode fazer parte de uma alimentação equilibrada em pequenas quantidades, desde que o restante da dieta seja variado e rico em gorduras insaturadas. Nenhuma gordura precisa ser eliminada por completo; o que define o risco é o padrão alimentar como um todo ao longo do tempo.

Tags: Alimentação saudávelazeite de olivagordura transsaúde cardiovascular
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