A independência feminina não significa trocar uma relação de domínio por outra, mas garantir que cada mulher possa conduzir a própria vida. A filósofa e escritora britânica Mary Wollstonecraft expressou essa ideia na frase: “Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas”. Publicada em 1792, na obra Reivindicação dos Direitos da Mulher, a reflexão defende a autonomia, a educação e o direito de tomar decisões sem depender da aprovação masculina.
O que Mary Wollstonecraft quis dizer com ter poder sobre si mesma?
Para Wollstonecraft, a liberdade feminina estava diretamente ligada à capacidade de pensar, escolher e agir com independência. A autora questionava uma sociedade que preparava as mulheres principalmente para agradar aos homens, deixando em segundo plano sua formação intelectual. O objetivo era garantir autonomia e respeito, e não estabelecer uma disputa por superioridade entre os sexos.
A frase aparece no capítulo IV de Reivindicação dos Direitos da Mulher, dedicado às condições que contribuíam para a desvalorização feminina. Nesse trecho, a escritora critica a ideia de que as mulheres deveriam conquistar influência apenas pela aparência ou pela capacidade de agradar. Para ela, o verdadeiro desenvolvimento pessoal dependia do exercício da razão.

Por que essa reflexão foi marcante no século XVIII?
Mary Wollstonecraft nasceu em 1759, na Inglaterra, e viveu em uma época na qual as oportunidades educacionais, profissionais e políticas das mulheres eram bastante limitadas. Mesmo entre grupos economicamente privilegiados, a formação feminina frequentemente valorizava habilidades sociais e domésticas em detrimento de conhecimentos que favorecessem a independência.
Em 1792, Wollstonecraft publicou sua obra mais conhecida, questionando essas desigualdades. Segundo a Enciclopédia de Filosofia de Stanford, a autora defendia que as mulheres deveriam receber educação adequada, desenvolver capacidades intelectuais e conquistar condições para participar mais plenamente da sociedade. Sua proposta relacionava educação, liberdade e responsabilidade.
A educação era o caminho para conquistar autonomia
Uma das principais críticas de Wollstonecraft estava na maneira como meninas eram educadas para depender da opinião alheia. Quando a aparência e a aprovação social se tornavam prioridades, outras capacidades acabavam negligenciadas. A filósofa defendia que o acesso ao conhecimento permitiria desenvolver pensamento independente e maior segurança diante das escolhas.
Essa preocupação também envolvia a possibilidade de conquistar autonomia financeira. Mulheres preparadas para exercer atividades profissionais teriam mais alternativas diante de dificuldades familiares ou econômicas. Para Wollstonecraft, a independência não deveria depender exclusivamente de características individuais, mas também de oportunidades concretas de desenvolvimento oferecidas pela sociedade.
Ter autonomia não significa rejeitar relacionamentos
A frase pode ser interpretada equivocadamente como uma defesa do afastamento entre homens e mulheres. Entretanto, Wollstonecraft criticava principalmente as relações construídas sobre submissão e dependência. Em sua perspectiva, vínculos mais equilibrados exigiam que ambos fossem reconhecidos como pessoas capazes de raciocinar, assumir responsabilidades e desenvolver suas próprias qualidades.
A autora também valorizava a amizade dentro do casamento e questionava relações sustentadas apenas pela aparência ou pela atração. Sua crítica não era dirigida à convivência afetiva, mas à ausência de igualdade nas condições de participação. Uma relação baseada em respeito mútuo seria diferente daquela em que uma pessoa precisa abrir mão das próprias escolhas para satisfazer continuamente a outra.

Como reconhecer a autonomia nas decisões do cotidiano?
Embora a frase tenha sido escrita no século XVIII, ela permite refletir sobre situações atuais envolvendo trabalho, estudos, relacionamentos e organização da vida pessoal. Ter autonomia significa participar das decisões que afetam a própria existência, considerando desejos, necessidades e responsabilidades. Isso também envolve reconhecer limites e condições reais, sem confundir independência com a obrigação de resolver tudo sozinha.
Algumas atitudes ajudam a compreender essa ideia:
- Buscar conhecimento: desenvolver habilidades e procurar informações antes de tomar decisões.
- Reconhecer prioridades: identificar objetivos pessoais sem depender exclusivamente da aprovação de outras pessoas.
- Participar das escolhas: ter voz ativa em decisões familiares, profissionais e financeiras.
- Estabelecer limites: comunicar necessidades e reconhecer situações que prejudicam a própria liberdade.
- Construir independência: procurar oportunidades de desenvolvimento pessoal e econômico conforme as possibilidades disponíveis.
O que a frase de Mary Wollstonecraft ensina sobre independência?
A reflexão convida a observar se nossas escolhas são resultado de decisões conscientes ou apenas de expectativas impostas por outras pessoas. Uma atitude prática é identificar áreas da vida nas quais seria possível ampliar a própria participação, seja por meio de estudos, organização financeira ou diálogo. A proposta não exige isolamento, mas a construção de relações e oportunidades mais equilibradas.
A frase de Mary Wollstonecraft é autêntica e documentada no capítulo IV de Reivindicação dos Direitos da Mulher, publicado em 1792, embora sua redação varie conforme a tradução. Os exemplos cotidianos apresentados são situações fictícias e servem apenas para ilustrar o pensamento da autora, sem representar acontecimentos reais. Sua mensagem central permanece clara: a independência feminina não consiste em dominar outras pessoas, mas em possuir condições para pensar, decidir e conduzir a própria existência.




