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“Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas”: a reflexão de Mary Wollstonecraft sobre independência e autonomia

Por Daniely Cardoso
28/10/2026
Em Curiosidades
Para Wollstonecraft, a liberdade feminina estava diretamente ligada à capacidade de pensar, escolher e agir com independência.  // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Para Wollstonecraft, a liberdade feminina estava diretamente ligada à capacidade de pensar, escolher e agir com independência. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A independência feminina não significa trocar uma relação de domínio por outra, mas garantir que cada mulher possa conduzir a própria vida. A filósofa e escritora britânica Mary Wollstonecraft expressou essa ideia na frase: “Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas”. Publicada em 1792, na obra Reivindicação dos Direitos da Mulher, a reflexão defende a autonomia, a educação e o direito de tomar decisões sem depender da aprovação masculina.

O que Mary Wollstonecraft quis dizer com ter poder sobre si mesma?

Para Wollstonecraft, a liberdade feminina estava diretamente ligada à capacidade de pensar, escolher e agir com independência. A autora questionava uma sociedade que preparava as mulheres principalmente para agradar aos homens, deixando em segundo plano sua formação intelectual. O objetivo era garantir autonomia e respeito, e não estabelecer uma disputa por superioridade entre os sexos.

A frase aparece no capítulo IV de Reivindicação dos Direitos da Mulher, dedicado às condições que contribuíam para a desvalorização feminina. Nesse trecho, a escritora critica a ideia de que as mulheres deveriam conquistar influência apenas pela aparência ou pela capacidade de agradar. Para ela, o verdadeiro desenvolvimento pessoal dependia do exercício da razão.

O objetivo era garantir autonomia e respeito, e não estabelecer uma disputa por superioridade entre os sexos.

Leia também: “Porque era ele, porque era eu”: a frase de Montaigne que explica por que algumas amizades não precisam de uma razão específica para existir

Por que essa reflexão foi marcante no século XVIII?

Mary Wollstonecraft nasceu em 1759, na Inglaterra, e viveu em uma época na qual as oportunidades educacionais, profissionais e políticas das mulheres eram bastante limitadas. Mesmo entre grupos economicamente privilegiados, a formação feminina frequentemente valorizava habilidades sociais e domésticas em detrimento de conhecimentos que favorecessem a independência.

Em 1792, Wollstonecraft publicou sua obra mais conhecida, questionando essas desigualdades. Segundo a Enciclopédia de Filosofia de Stanford, a autora defendia que as mulheres deveriam receber educação adequada, desenvolver capacidades intelectuais e conquistar condições para participar mais plenamente da sociedade. Sua proposta relacionava educação, liberdade e responsabilidade.

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A educação era o caminho para conquistar autonomia

Uma das principais críticas de Wollstonecraft estava na maneira como meninas eram educadas para depender da opinião alheia. Quando a aparência e a aprovação social se tornavam prioridades, outras capacidades acabavam negligenciadas. A filósofa defendia que o acesso ao conhecimento permitiria desenvolver pensamento independente e maior segurança diante das escolhas.

Essa preocupação também envolvia a possibilidade de conquistar autonomia financeira. Mulheres preparadas para exercer atividades profissionais teriam mais alternativas diante de dificuldades familiares ou econômicas. Para Wollstonecraft, a independência não deveria depender exclusivamente de características individuais, mas também de oportunidades concretas de desenvolvimento oferecidas pela sociedade.

Ter autonomia não significa rejeitar relacionamentos

A frase pode ser interpretada equivocadamente como uma defesa do afastamento entre homens e mulheres. Entretanto, Wollstonecraft criticava principalmente as relações construídas sobre submissão e dependência. Em sua perspectiva, vínculos mais equilibrados exigiam que ambos fossem reconhecidos como pessoas capazes de raciocinar, assumir responsabilidades e desenvolver suas próprias qualidades.

A autora também valorizava a amizade dentro do casamento e questionava relações sustentadas apenas pela aparência ou pela atração. Sua crítica não era dirigida à convivência afetiva, mas à ausência de igualdade nas condições de participação. Uma relação baseada em respeito mútuo seria diferente daquela em que uma pessoa precisa abrir mão das próprias escolhas para satisfazer continuamente a outra.

A frase pode ser interpretada equivocadamente como uma defesa do afastamento entre homens e mulheres.

Como reconhecer a autonomia nas decisões do cotidiano?

Embora a frase tenha sido escrita no século XVIII, ela permite refletir sobre situações atuais envolvendo trabalho, estudos, relacionamentos e organização da vida pessoal. Ter autonomia significa participar das decisões que afetam a própria existência, considerando desejos, necessidades e responsabilidades. Isso também envolve reconhecer limites e condições reais, sem confundir independência com a obrigação de resolver tudo sozinha.

Algumas atitudes ajudam a compreender essa ideia:

  • Buscar conhecimento: desenvolver habilidades e procurar informações antes de tomar decisões.
  • Reconhecer prioridades: identificar objetivos pessoais sem depender exclusivamente da aprovação de outras pessoas.
  • Participar das escolhas: ter voz ativa em decisões familiares, profissionais e financeiras.
  • Estabelecer limites: comunicar necessidades e reconhecer situações que prejudicam a própria liberdade.
  • Construir independência: procurar oportunidades de desenvolvimento pessoal e econômico conforme as possibilidades disponíveis.

O que a frase de Mary Wollstonecraft ensina sobre independência?

A reflexão convida a observar se nossas escolhas são resultado de decisões conscientes ou apenas de expectativas impostas por outras pessoas. Uma atitude prática é identificar áreas da vida nas quais seria possível ampliar a própria participação, seja por meio de estudos, organização financeira ou diálogo. A proposta não exige isolamento, mas a construção de relações e oportunidades mais equilibradas.

A frase de Mary Wollstonecraft é autêntica e documentada no capítulo IV de Reivindicação dos Direitos da Mulher, publicado em 1792, embora sua redação varie conforme a tradução. Os exemplos cotidianos apresentados são situações fictícias e servem apenas para ilustrar o pensamento da autora, sem representar acontecimentos reais. Sua mensagem central permanece clara: a independência feminina não consiste em dominar outras pessoas, mas em possuir condições para pensar, decidir e conduzir a própria existência.

Tags: comportamentofilosofiahistórialiteratura
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