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Início Cidades

Moradores juntam R$ 380 cada para asfaltar a própria rua depois de nove anos de promessa e, dois meses depois, a obra de esgoto abre a via de novo

Por Gabriel Leme
31/10/2026
Em Cidades
Quando o asfalto vem antes do esgoto, a obra de saneamento obriga a abrir a rua pavimentada de novo

Quando o asfalto vem antes do esgoto, a obra de saneamento obriga a abrir a rua pavimentada de novo - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O fim do ano costuma encher as cidades brasileiras de obras, e muitas delas envolvem saneamento básico, porque o país corre contra um prazo legal para levar coleta de esgoto à maioria da população. Com isso, uma frustração se repete em muitos bairros. O asfalto chega primeiro, às vezes pago pelos próprios moradores, e pouco depois a rede de esgoto obriga a abrir tudo de novo. Entender por que isso acontece ajuda a evitar prejuízo e a cobrar de quem tem obrigação.

Por que a rede de esgoto deveria vir antes do asfalto na rua?

Porque a tubulação de esgoto fica enterrada sob o leito da via, e instalá-la exige abrir valas ao longo da rua. Quando o asfalto é aplicado antes, cada coletor ou ligação de imóvel obriga a quebrar a pavimentação recém-feita. O resultado é dinheiro gasto duas vezes no mesmo trecho e remendos que raramente ficam iguais ao piso original.

A tubulação de esgoto fica enterrada sob a via, e cada ligação de imóvel obriga a quebrar o asfalto recém-aplicado
A tubulação de esgoto fica enterrada sob a via, e cada ligação de imóvel obriga a quebrar o asfalto recém-aplicado – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A legislação federal aponta nessa direção. A Lei 11.445/2007, conhecida como Marco do Saneamento, exige articulação entre o saneamento e as políticas de desenvolvimento urbano. A mesma lei determina que os planos de saneamento sejam compatíveis com os planos diretores. Na prática, isso pede que a prefeitura coordene asfalto e esgoto no mesmo calendário.

Meta do saneamento até 2033 acelera obras nas cidades

O prazo legal para universalizar o saneamento básico termina em 31 de dezembro de 2033. Pelo Marco do Saneamento, os contratos de prestação do serviço devem garantir água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% até essa data.

Com a meta se aproximando, as frentes de trabalho tendem a chegar a bairros que nunca tiveram rede coletora. Muitas dessas ruas são justamente as de terra, onde moradores esperaram anos por pavimentação e, cansados, resolveram dividir a conta. Quando o calendário das duas intervenções não conversa, a escavadeira aparece logo depois do rolo compactador.

Quem paga para refazer o asfalto aberto pela obra de esgoto?

Em regra, quem abre a via tem de devolvê-la em condições equivalentes às de antes. Essa obrigação costuma constar do contrato de concessão do serviço de esgoto ou de leis municipais sobre intervenções em vias públicas, que fixam prazos e multas para a recomposição do pavimento.

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Isso vale mesmo quando a pavimentação foi bancada pelos vizinhos. A rua continua sendo um bem público, e o responsável pela obra pública não pode deixar valas abertas, remendos irregulares ou desníveis. O padrão exigido, o prazo e a fiscalização variam de cidade para cidade, por isso é importante consultar a regra local.

Defeitos em pavimento novo também podem ter outras causas, como drenagem e compactação malfeitas. O CB Radar já mostrou o que acontece quando a primeira chuva revela esses problemas.

LEIA MAIS NO CB RADARRECOMENDADO

Bairro ganha asfalto novo e primeira chuva abre buracos em vários pontos…➔

Como os moradores podem cobrar a prefeitura e a concessionária?

O primeiro passo é registrar uma reclamação formal nos canais oficiais da prefeitura e da empresa de saneamento, guardando o número de protocolo. A Lei 13.460/2017, que protege o usuário de serviço público, garante o direito de se manifestar e proíbe a recusa do pedido.

Moradores podem cobrar prefeitura e concessionária com protocolo, fotos da rua e pedido de cronograma pela Lei de Acesso à Informação
Moradores podem cobrar prefeitura e concessionária com protocolo, fotos da rua e pedido de cronograma pela Lei de Acesso à Informação – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Pela mesma lei, a ouvidoria tem 30 dias para dar uma resposta conclusiva, prazo prorrogável uma única vez, com justificativa. Para documentar a situação, ajuda reunir fotos da rua antes e depois, os recibos do dinheiro arrecadado e qualquer comprovante de que a prefeitura sabia da pavimentação.

Também é possível pedir dados oficiais. A Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) permite que qualquer interessado solicite o cronograma da obra pública e os contratos assinados. O órgão tem até 20 dias para responder, com prorrogação de mais 10 mediante justificativa. Sem solução, os caminhos seguintes são a Câmara Municipal, o Ministério Público e a Justiça.

Vale a pena pagar do próprio bolso pela pavimentação da rua?

Depende do que está planejado para o subsolo. Antes de juntar dinheiro para o asfalto, os vizinhos precisam saber se a rua já tem rede de esgoto, água e drenagem ou se essas obras estão previstas no plano municipal de saneamento.

Pavimentar por conta própria também exige conversa prévia com a prefeitura, que costuma ter regras técnicas e de autorização para intervenções em vias públicas. Sem esse aval, o serviço pode ficar fora do padrão, e o dinheiro dos moradores, sem nenhuma garantia.

A boa notícia é que a resposta está ao alcance de um pedido formal, sem custo. Meu conselho de amigo: pergunte antes de pagar qualquer centavo. E na sua rua, você sabe se o saneamento básico já passou embaixo do chão que pisa todo dia ou se a escavadeira ainda vai chegar?

Para quem gosta de soluções práticas também dentro de casa, outra matéria do CB Radar mostra uma mudança no jeito de secar roupa em apartamentos pequenos.

LEIA TAMBÉM NO CB RADARTAMBÉM NO SITE

O fim do reinado do varal tradicional: a nova alternativa para secar roupa em apartamentos até 2027➔

Tags: asfaltoCidadesobra públicaprefeiturarede de esgotosaneamento básico
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