No Natal de 1859, o fazendeiro Thomas Austin tomou uma decisão que parecia inofensiva: soltou 13 coelhos europeus em sua propriedade, na Austrália. A intenção era criar animais para caça esportiva, mas o resultado foi muito maior. Em apenas cinco décadas, os descendentes daqueles coelhos haviam avançado por cerca de dois terços do continente, provocando impactos ambientais duradouros.
Por que Thomas Austin decidiu soltar 13 coelhos em sua propriedade?
Thomas Austin mantinha sua propriedade Barwon Park, em Victoria, e apreciava a caça, um costume popular entre colonos britânicos. Os coelhos europeus foram enviados da Inglaterra para atender justamente a esse interesse. Em 25 de dezembro de 1859, 13 animais foram libertados na propriedade, iniciando uma expansão que surpreenderia até mesmo os observadores da época.
O ambiente australiano favoreceu a reprodução. Havia alimento disponível, áreas adequadas para escavação de tocas e poucos predadores capazes de conter a população. O crescimento foi rápido: em 1866, caçadores já haviam abatido 14 mil coelhos em Barwon Park, todos descendentes daqueles primeiros animais. A população ultrapassou os limites da propriedade em pouco tempo.

Que condições permitiram que os coelhos avançassem tão rapidamente pela Austrália?
A velocidade da expansão transformou uma atividade recreativa em um problema ambiental de grandes proporções. Os coelhos avançaram para novas regiões enquanto ocupavam pastagens e áreas naturais, competindo por vegetação e alterando a cobertura do solo. O fenômeno também mostrou que uma espécie introduzida pode encontrar condições favoráveis e se multiplicar muito além do espaço inicialmente previsto.
Pesquisas do National Museum of Australia registram que os coelhos alcançaram Nova Gales do Sul em 1880, Queensland em 1886 e a Austrália Ocidental em 1894. A instituição calcula que a colonização de dois terços da Austrália levou cerca de 50 anos, área equivalente a 25 vezes o tamanho da Grã-Bretanha.
Por que os coelhos se tornaram um problema ambiental tão difícil de controlar?
O impacto ambiental ficou especialmente evidente durante períodos de seca. Com menos vegetação disponível, a pressão exercida pelos coelhos se somava ao sobrepastoreio, deixando grandes extensões de solo expostas. A perda de cobertura vegetal favorecia a erosão e dificultava a recuperação das áreas, enquanto agricultores e criadores enfrentavam perdas relacionadas à disponibilidade de alimento.
A dimensão do problema levou o governo e instituições científicas australianas a testar soluções cada vez mais abrangentes. Uma das respostas mais conhecidas foi o uso da mixomatose, introduzida em populações selvagens em 1950. Segundo registros do National Museum of Australia, a doença matou cerca de 500 milhões de coelhos e se tornou a tentativa de controle mais bem-sucedida.

Quais foram os principais impactos provocados pela proliferação dos coelhos?
A expansão não significou apenas a presença de um novo mamífero. Em grandes concentrações, os coelhos consumiam plantas, competiam com animais nativos e contribuíam para a degradação de áreas usadas pela pecuária. O problema ganhou dimensão nacional e estimulou diferentes campanhas de controle, incluindo barreiras, caça, venenos e métodos biológicos.
Entre os principais efeitos associados à proliferação estavam:
O que a história dos 13 coelhos ensina sobre espécies introduzidas?
A história dos 13 coelhos mostra que o tamanho inicial de uma introdução pode esconder seu potencial de expansão. Uma espécie que encontra alimento, abrigo e poucas barreiras naturais pode crescer rapidamente e ocupar regiões maiores que a área planejada. O episódio australiano se tornou um exemplo marcante dos riscos associados à introdução de espécies fora de sua distribuição natural.
Mais de um século depois, os coelhos continuam presentes em grande parte do território australiano e permanecem associados a impactos ecológicos e econômicos. A trajetória iniciada em Barwon Park ajuda a compreender por que programas de prevenção, monitoramento e controle são importantes quando espécies são transportadas para novos ambientes, oferecendo uma lição prática para a conservação e a gestão ambiental.




