Lançado pela EMI em 23 de junho de 1995, o primeiro e único álbum dos Mamonas Assassinas vendeu cerca de 2,3 milhões de cópias entre 1995 e 1996, segundo a Rolling Stone Brasil, em texto sobre a trajetória do quinteto de Guarulhos. Trinta e um anos depois, o LP original de 1995 somava oito exemplares à venda no Discogs na quarta-feira, 7/10/2026, e o pedido mais baixo era de R$ 300.
O valor é de anúncio, e não de negócio fechado. Ele vem das estatísticas de mercado que o Discogs, catálogo colaborativo de discos com uma loja aberta a vendedores, publica por meio de sua API oficial, lidas às 13h10, horário de Brasília, daquele dia. A mesma base mostra cerca de 1.500 usuários que declaram ter essa prensagem guardada e 500 que gostariam de ter um exemplar. Para quem pesquisa o preço do LP Mamonas Assassinas de 1995, o número serve como piso do que os vendedores pedem, sem informar o estado do vinil anunciado.
Cem dias para o primeiro milhão
O tamanho do fenômeno aparece nos números da época. Reportagem do Correio Braziliense publicada em junho de 2025, nos 30 anos do disco, relata que o álbum passou de 1 milhão de cópias vendidas em menos de 100 dias e que, até dezembro de 1995, já somava 2 milhões. Esses totais reúnem todos os formatos, e nenhuma das fontes consultadas separa quantas unidades saíram em vinil. A quantidade de LPs prensados também não foi localizada em fonte aberta.
A carreira durou menos de um ano. Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli morreram num acidente de avião na Serra da Cantareira, em São Paulo, em 2 de março de 1996, como registra a Rolling Stone Brasil.
No vinil, são 14 faixas, sete de cada lado, conforme a ficha da edição no Discogs. O lado A abre com 1406 e traz Vira-Vira, Pelados em Santos e Chopis Centis; o lado B tem Robocop Gay, Mundo Animal e fecha com Lá Vem o Alemão.
Como a prensagem de 1995 se identifica

A ficha do release 1007820 no Discogs descreve o LP brasileiro original pelo número de catálogo 064 835082 1, também impresso como 835082 1, e pelo código de barras 7 24383 50821 1. Segundo os créditos transcritos ali, a distribuição foi da EMI-Odeon e a fabricação ficou com a divisão Sonopress da BMG Ariola, o que explica a inscrição BMG 835082-1-A gravada no fim do sulco, perto do selo, no lado A. A ficha classifica o disco como LP estéreo e anota que essas inscrições foram feitas por carimbo.
Esses detalhes importam porque o álbum voltou ao vinil duas vezes. Em 2021 saiu uma reedição em vinil vermelho com o selo EMI, produzida pela Universal Music e com outro número de catálogo; o encarte especial traz a frase Reedição 2020, de acordo com as notas da ficha dessa versão. Em 2026, saiu uma nova tiragem em vinil splatter, de cores respingadas. As duas reproduzem o álbum de 1995, mas não são a prensagem daquele ano.
A reedição vermelha pede mais que o original
Na mesma consulta daquela quarta-feira, a página do Discogs que agrupa todas as versões do álbum mostrava um quadro que foge da intuição. O LP vermelho de 2021 somava dez ofertas com piso de R$ 450, e cerca de 556 usuários o registravam na coleção. A tiragem splatter de 2026 aparecia com cinco ofertas, a partir de R$ 468,13. Em ambos os casos, o piso fica acima dos R$ 300 pedidos pelo vinil original.
O Discogs não explica a diferença, e o menor anúncio de cada edição pode estar em condições muito diferentes de conservação. O que os números permitem afirmar é mais modesto: em outubro de 2026, ter o disco de 1995 não garantia, por si só, o pedido mais alto da vitrine.
A capa é outro ponto que esse número não alcança. A troca de capas originais por outras em pior estado já motivou a queixa de uma família que mandou a coleção para avaliação e recebeu os LPs com outras capas. O dado da API não diz nada sobre capa, encarte ou riscos do exemplar mais barato.
O CD de R$ 4,96 e a fita de R$ 149,90
O contraste mais forte está fora do vinil. O CD brasileiro de 1995, catálogo 835082 2, tinha 13 ofertas na loja do Discogs, a partir de R$ 4,96, e cerca de 813 usuários o declaravam na coleção. Somadas as prensagens e reprensagens posteriores, o site lista 28 versões do álbum, a maioria em CD, entre elas edições de Portugal, Argentina, Colômbia e Europa.
A fita cassete brasileira de 1995 fica no meio do caminho: três ofertas, a menor delas de R$ 149,90, com cerca de 56 usuários que dizem tê-la. Todos esses valores foram lidos em reais na mesma consulta ao Discogs, são pedidos de vendedores e podem mudar a qualquer momento.
O preço de hoje segue o formato, não a fama. O repertório que dominou as rádios em 1995, como lembra o Correio Braziliense, aparece hoje por menos de cinco reais em CD e por trezentos em vinil.
A memória do grupo também passou para o cinema: a Rolling Stone Brasil noticiou em 2009 um documentário com imagens gravadas pelos próprios músicos e um longa de ficção sobre o quinteto. É o caminho de outros sucessos que atravessaram décadas, caso de Detalhes, a canção que consagrou Roberto Carlos e completou 55 anos.




