O LP de estreia dos Secos & Molhados, lançado pela Continental em 1973, tinha, em 7 de outubro de 2026, a prensagem brasileira daquele ano anunciada a partir de R$ 140 no Discogs, site que reĂºne um catĂ¡logo colaborativo de discos e uma loja onde colecionadores anunciam seus exemplares. É preço pedido, nĂ£o preço de venda: o valor vem das estatĂsticas de mercado do Discogs para o release 727811, consultadas pela API oficial do site na tarde de 7 de outubro.
Na mesma consulta, havia 25 exemplares dessa ediĂ§Ă£o Ă venda, e o mais barato pedia R$ 140. A API nĂ£o informa o estado do vinil nem o da capa desse anĂºncio, por isso o nĂºmero diz pouco sobre um disco especĂfico. Como medida de interesse, a ficha do release 727811 no Discogs registra 2.662 usuĂ¡rios que dizem ter essa prensagem na coleĂ§Ă£o e 1.204 que a colocaram na lista de desejos, nĂºmeros lidos no mesmo dia.
Um milhĂ£o de cĂ³pias e discos derretidos na Continental
O tamanho da presença desse disco nas casas brasileiras aparece na imprensa. Segundo o Brazil Journal, o primeiro Ă¡lbum do trio passou do milhĂ£o de cĂ³pias vendidas, e o jornal O Povo, em reportagem de agosto de 2023 sobre os 50 anos do trabalho, chama o LP de “o disco que alcançaria 1 milhĂ£o de cĂ³pias”. Nenhuma das duas publicações separa vinil de outros formatos, e um certificado oficial de vendas da Ă©poca nĂ£o foi localizado para esta reportagem. O milhĂ£o Ă© de cĂ³pias do Ă¡lbum, nĂ£o de famĂlias que tiveram o LP em casa.
A procura mexeu com a fĂ¡brica. O mesmo Brazil Journal relata que a Continental recolheu e derreteu discos do prĂ³prio catĂ¡logo que vendiam pouco para atender aos pedidos do trio formado por JoĂ£o Ricardo, Ney Matogrosso e Gerson Conrad. A Billboard Brasil descreve o mesmo episĂ³dio, com Ă¡lbuns de outros artistas transformados em matĂ©ria-prima para que mais lotes de Secos & Molhados chegassem Ă s lojas.
O sucesso teve prazo curto. A primeira formaĂ§Ă£o se desfez em 1974, pouco antes de o segundo Ă¡lbum sair, segundo o Brazil Journal, o que deixa o disco de 1973 como o registro principal da fase que fez o grupo famoso.
O que havia dentro da capa em 1973

As inscrições da capa interna, transcritas na ficha do Discogs, informam que o Ă¡lbum foi gravado entre maio e junho de 1973. O Povo acrescenta que a produĂ§Ă£o foi de Moracy do Val, com direĂ§Ă£o artĂstica de JĂºlio Nagib, e que a capa usa fotografia de Antonio Carlos Rodrigues: as cabeças de quatro mĂºsicos aparecem servidas em bandejas, entre comidas e bebidas. Um deles, o baterista Marcelo Frias, deixou o grupo antes do lançamento.
SĂ£o 13 faixas, de acordo com a ficha do Discogs. EstĂ£o ali “O Vira”, “Sangue Latino”, “Mulher Barriguda” e “Rosa de Hiroshima”, esta feita sobre um poema de Vinicius de Moraes, como lembra O Povo. As mesmas canções seguem em rĂ¡dios e regravações, observa o Brazil Journal, mais de cinco dĂ©cadas depois.
O preço do LP Secos & Molhados de 1973 depende da prensagem
O nĂºmero de catĂ¡logo SLP 10.112, impresso no selo e na capa, nĂ£o basta para dizer de que ano Ă© um exemplar. O prĂ³prio Discogs lista ao menos duas prensagens brasileiras posteriores com o mesmo nĂºmero, e as notas de cada ficha mostram onde elas se separam da primeira.
- Primeira prensagem (release 727811): selo dourado da Continental e capa dupla, que abre como um livro. 25 anĂºncios, a partir de R$ 140.
- Segunda prensagem (release 8431886): selo marrom, capa simples plastificada e um encarte de cartĂ£o dobrado com letras e crĂ©ditos. 31 anĂºncios, a partir de R$ 45,51.
- Reprensagem sem ano (release 6490876): selo diferente e capa simples; a nota da ficha registra que a primeira prensagem saiu com capa dupla. 31 anĂºncios, a partir de R$ 101,63.
Todos os valores acima sĂ£o o menor preço pedido em cada ediĂ§Ă£o, em reais, na consulta Ă API do Discogs feita em 7 de outubro de 2026. Nenhum deles indica o estado de conservaĂ§Ă£o do anĂºncio mais barato.
A lista mostra por que a capa entra na identificaĂ§Ă£o antes do disco: Ă© nela que estĂ¡ a diferença mais visĂvel entre a ediĂ§Ă£o de 1973 e as que vieram depois. Trocas de capa, aliĂ¡s, jĂ¡ foram motivo de queixa de colecionadores, como no caso da famĂlia que recebeu de volta discos com capas originais substituĂdas por outras em pior estado.
Reedições, prensagens de fora e o exemplar comum
O Ă¡lbum tambĂ©m tem reedições recentes. A da Polysom, de 2010, ediĂ§Ă£o limitada em vinil de 180 gramas, tinha 14 anĂºncios a partir de R$ 197,29 no mesmo dia, piso acima do pedido pela primeira prensagem brasileira. Uma reediĂ§Ă£o da Continental de 1981 aparecia com 9 anĂºncios, a partir de R$ 79,21. Os dados sĂ£o da mesma consulta ao Discogs, que nĂ£o explica a diferença entre os pisos.
O disco circulou ainda fora do Brasil. A pĂ¡gina do Ă¡lbum no Discogs reĂºne 30 versões, entre elas prensagens de 1973 e 1974 em Angola, Portugal, MĂ©xico e França. A de Angola, pela Carioca, tinha sĂ³ dois anĂºncios, o mais barato a R$ 557,30.
O contraste honesto fica entre as duas pontas brasileiras. A segunda prensagem, de selo marrom e capa simples, aparece anunciada a partir de R$ 45,51; a primeira, de selo dourado e capa dupla, a partir de R$ 140. Um milhĂ£o de cĂ³pias garante memĂ³ria, nĂ£o escassez. Coleções de vinil inteiras jĂ¡ viraram atĂ© disputa de condomĂnio, como no caso do sĂndico que mandou descartar caixas na garagem com discos de um morador, mas o nĂºmero de 7 de outubro mede outra coisa: quanto pedem hoje os vendedores de um disco que, em 1973, saiu da fĂ¡brica aos lotes.




