O café que muitos brasileiros tomam de manhã pode ter vindo de Minas Gerais, do Espírito Santo ou do interior paulista. Mas a planta que deu origem àquele grão quase sempre tem o mesmo endereço de nascimento: Campinas, em São Paulo. Foi ali, em um instituto criado no tempo do Império, que pesquisadores desenvolveram as variedades que hoje dominam os cafezais do país. É uma herança científica que começou no Império e passa despercebida em cada xícara.
De onde vem a maior parte do café arábica plantado no Brasil?
Do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas. Segundo o Centro de Café Alcides Carvalho, do próprio IAC, estima-se que 90% dos mais de 4 bilhões de pés de café arábica do Brasil sejam provenientes de cultivares desenvolvidas pelo instituto. Cultivar é uma variedade de planta melhorada pelo homem para ter características desejadas, como produzir mais ou resistir a doenças.
Duas variedades fazem a maior parte desse trabalho. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apenas as cultivares dos grupos Mundo Novo e Catuaí representam cerca de 90% dos cafés arábica cultivados no país. O IAC destaca que elas são as preferidas dos cafeicultores pela rusticidade, pela produtividade, pela capacidade de adaptação e pela qualidade da bebida.

Como surgiu o instituto que criou essas variedades?
Por decisão de Dom Pedro II. O IAC registra que o instituto foi fundado em 27 de junho de 1887, a pedido dos produtores paulistas, com o nome de Estação Imperial de Campinas, para dar apoio técnico à cafeicultura nacional. A Embrapa lembra que o programa de melhoramento genético do cafeeiro começou em 1932 e que as cultivares do IAC são adotadas em todas as regiões produtoras do país.
O trabalho vai além do café. Segundo o portal Campinas.com.br, o instituto desenvolveu mais de mil cultivares, em mais de 100 tipos de plantas. Em artigo publicado no Poder360, o agrônomo Xico Graziano lembra que, ao completar 138 anos, o IAC lançou uma batata-doce enriquecida, batizada de IAC Dom Pedro 2º, em homenagem ao fundador.
Quais são os marcos da história do café no IAC?
A trajetória do instituto passa por quase 140 anos de pesquisa. Estes são alguns dos marcos.
O que mais o IAC descobriu sobre o café?
Até um café sem cafeína natural. Segundo o Campinas.com.br, em 2004 o instituto encontrou uma planta de café naturalmente sem cafeína, batizada de AC, em homenagem ao pesquisador Alcides Carvalho, responsável por 65 das cultivares de café desenvolvidas no IAC. A descoberta teve repercussão internacional.
O banco de plantas é um tesouro científico. Segundo outra publicação da Embrapa, o banco de germoplasma de café do IAC, formado a partir de 1929, guarda 18 das cerca de 120 espécies do gênero Coffea descritas no mundo. Algumas cultivares criadas ali, como Caturra, Catuaí e Obatã, também foram adotadas por outros países.

Como é o clima de Campinas ao longo do ano?
O verão é chuvoso, e o inverno, seco e ameno. Janeiro concentra 261 mm de chuva em média, enquanto agosto registra 36 mm, e julho tem mínima de 12°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que plantou o café do Brasil
Campinas guarda uma contribuição que poucos brasileiros conhecem. No instituto criado por Dom Pedro II em 1887, gerações de pesquisadores desenvolveram as variedades de café que hoje ocupam nove em cada dez pés de arábica do país. Boa parte das xícaras servidas no Brasil carrega um pouco dessa história, que começou nos campos experimentais da cidade.
Você precisa passar pelo prédio histórico do Instituto Agronômico em Campinas, lembrar dos 4 bilhões de pés de café espalhados pelo país e tomar um café com outros olhos para entender o papel dessa cidade na mesa dos brasileiros.




