Quando se compra um vinho do Porto ou um queijo da Serra da Canastra, o nome no rótulo garante de onde o produto vem e como foi feito. Desde 2024, o café produzido na Chapada Diamantina, na Bahia, também tem esse tipo de garantia. A região recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a Denominação de Origem, o selo mais exigente do país para produtos ligados ao território. Entre os municípios incluídos está Piatã, conhecida pelos cafés premiados em concursos de qualidade.
O que é a Denominação de Origem do café da Chapada?
Um selo que liga o sabor do café ao lugar onde ele nasce. Segundo o jornal Bahia Notícias, as Indicações Geográficas têm duas categorias: a Indicação de Procedência, que reconhece uma área como centro de produção, e a Denominação de Origem, que atribui ao produto características específicas ligadas ao meio geográfico. O café da Chapada recebeu esta segunda modalidade.
O reconhecimento é recente. Segundo o portal DataSebrae, o registro foi concedido em 15 de outubro de 2024, a pedido da Aliança dos Cafeicultores da Chapada Diamantina, e abrange 24 municípios da região. A Revista Espresso registra que a Chapada Diamantina é a primeira Denominação de Origem para cafés da Bahia e a sexta Denominação de Origem de cafés do Brasil.

O que o café precisa ter para usar o selo?
Cumprir regras definidas no registro oficial. Estas são as principais exigências, segundo o certificado da Indicação Geográfica emitido pelo INPI e o DataSebrae.
Por que o café da Chapada é diferente?
Pela combinação de natureza e trabalho humano. Segundo a Revista Espresso, entre os fatores que tornam o café da região singular estão a altitude acima de 850 metros, a colheita quase 100% manual, a orientação do sol nas encostas das montanhas e as técnicas tradicionais de secagem em terreiros. O DataSebrae acrescenta que a Chapada tem altitudes entre 400 e 1.600 metros e solos minerais bem drenados.
O resultado aparece na xícara. Segundo o Bahia Notícias, o INPI destacou que o relevo montanhoso, a altitude e o clima conferem ao café características marcantes, como acidez cítrica, corpo encorpado e um retrogosto prolongado. Para Piatã, conhecida pelos prêmios, o selo reforça a identidade de um café que nasce no alto da serra.
O que o selo muda para produtores e consumidores?
Mais valor e mais garantia. Segundo o portal Kleber Patrício, a presidente da associação dos cafeicultores, Hulda Giesbrecht, afirmou que o Sebrae atuou durante seis anos junto aos produtores e às prefeituras até a conquista do selo, que deve fortalecer a reputação e abrir novos mercados. Para o consumidor, o selo no rótulo indica um café com origem e padrão de qualidade controlados.
O Brasil tem cada vez mais selos de origem. Segundo o Jornal Grande Bahia, com o reconhecimento da Chapada, o país passou a somar 130 Indicações Geográficas, sendo 91 Indicações de Procedência e 39 Denominações de Origem. A Bahia entrou nessa lista mais exigente pelo café de suas montanhas.

Como é o clima em Piatã ao longo do ano?
Ameno pela altitude, com inverno seco. Novembro registra 166 mm de chuva em média, enquanto agosto tem apenas 8 mm, e as temperaturas ficam entre 13°C e 26°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Um café com endereço garantido
A Denominação de Origem do café da Chapada Diamantina mostra como a Bahia passou a ter um produto reconhecido pelo selo mais exigente do país. Altitude, clima de montanha, colheita manual e secagem em terreiros criaram um café com características próprias, e cidades como Piatã ajudaram a construir essa fama. Agora, o nome da região no rótulo garante a origem e a qualidade do que chega à xícara.
Você precisa visitar Piatã, conhecer uma fazenda de café da Chapada e provar um café com o selo de origem para entender como as montanhas baianas ganharam lugar entre os melhores cafés do Brasil.




