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O café produzido nestas montanhas baianas ganhou reconhecimento nacional e agora tem origem protegida em 24 municípios

Por Maura Pereira
01/11/2026
Em Cidades, Turismo
O café produzido nestas montanhas baianas ganhou reconhecimento nacional e agora tem origem protegida em 24 municípios

Um selo que liga o sabor do café ao lugar onde ele nasce. / Imagem ilustrativa

Quando se compra um vinho do Porto ou um queijo da Serra da Canastra, o nome no rótulo garante de onde o produto vem e como foi feito. Desde 2024, o café produzido na Chapada Diamantina, na Bahia, também tem esse tipo de garantia. A região recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a Denominação de Origem, o selo mais exigente do país para produtos ligados ao território. Entre os municípios incluídos está Piatã, conhecida pelos cafés premiados em concursos de qualidade.

O que é a Denominação de Origem do café da Chapada?

Um selo que liga o sabor do café ao lugar onde ele nasce. Segundo o jornal Bahia Notícias, as Indicações Geográficas têm duas categorias: a Indicação de Procedência, que reconhece uma área como centro de produção, e a Denominação de Origem, que atribui ao produto características específicas ligadas ao meio geográfico. O café da Chapada recebeu esta segunda modalidade.

O reconhecimento é recente. Segundo o portal DataSebrae, o registro foi concedido em 15 de outubro de 2024, a pedido da Aliança dos Cafeicultores da Chapada Diamantina, e abrange 24 municípios da região. A Revista Espresso registra que a Chapada Diamantina é a primeira Denominação de Origem para cafés da Bahia e a sexta Denominação de Origem de cafés do Brasil.

A cozinha de Piatã combina influência da culinária serrana baiana com a produção agrícola local. / Créditos: Wikipédia

O que o café precisa ter para usar o selo?

Cumprir regras definidas no registro oficial. Estas são as principais exigências, segundo o certificado da Indicação Geográfica emitido pelo INPI e o DataSebrae.

1
Espécie certa Só pode ser café arábica, da espécie Coffea arabica, e não são aceitas variedades transgênicas.
2
Origem garantida O café precisa ser produzido dentro da área delimitada, que reúne 24 municípios da Chapada.
3
Nota mínima O café só pode usar o selo se atingir classificação mínima de 80 pontos na avaliação de qualidade.
4
Formas de venda O selo vale para o café verde, em grão cru, e para o café industrializado, torrado ou torrado e moído.
5
Controle A associação dos cafeicultores da região é a responsável pelo selo e pela fiscalização do uso.

Por que o café da Chapada é diferente?

Pela combinação de natureza e trabalho humano. Segundo a Revista Espresso, entre os fatores que tornam o café da região singular estão a altitude acima de 850 metros, a colheita quase 100% manual, a orientação do sol nas encostas das montanhas e as técnicas tradicionais de secagem em terreiros. O DataSebrae acrescenta que a Chapada tem altitudes entre 400 e 1.600 metros e solos minerais bem drenados.

O resultado aparece na xícara. Segundo o Bahia Notícias, o INPI destacou que o relevo montanhoso, a altitude e o clima conferem ao café características marcantes, como acidez cítrica, corpo encorpado e um retrogosto prolongado. Para Piatã, conhecida pelos prêmios, o selo reforça a identidade de um café que nasce no alto da serra.

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O que o selo muda para produtores e consumidores?

Mais valor e mais garantia. Segundo o portal Kleber Patrício, a presidente da associação dos cafeicultores, Hulda Giesbrecht, afirmou que o Sebrae atuou durante seis anos junto aos produtores e às prefeituras até a conquista do selo, que deve fortalecer a reputação e abrir novos mercados. Para o consumidor, o selo no rótulo indica um café com origem e padrão de qualidade controlados.

O Brasil tem cada vez mais selos de origem. Segundo o Jornal Grande Bahia, com o reconhecimento da Chapada, o país passou a somar 130 Indicações Geográficas, sendo 91 Indicações de Procedência e 39 Denominações de Origem. A Bahia entrou nessa lista mais exigente pelo café de suas montanhas.

Piatã é o raro destino brasileiro que combina o café mais premiado do país, pinturas rupestres milenares. / Créditos: Wikimedia Commons

Como é o clima em Piatã ao longo do ano?

Ameno pela altitude, com inverno seco. Novembro registra 166 mm de chuva em média, enquanto agosto tem apenas 8 mm, e as temperaturas ficam entre 13°C e 26°C.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 17-26°C
Chuva: Média
Chuvas de verão e cafezais em desenvolvimento.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 15-26°C
Chuva: Baixa
Chuva diminuindo e início da colheita.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 13-23°C
Chuva: Muito baixa
Seco e frio, época de secagem do café nos terreiros.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 14-26°C
Chuva: Média
Floração dos cafezais com a volta das chuvas.
💡 Dica do especialista: o inverno é seco e frio em Piatã, com mínimas de 13°C, e coincide com a época de secagem do café. Leve agasalho para as manhãs e procure fazendas que recebem visitantes para conhecer o processo da lavoura à xícara.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: Com recorde de -17,8°C, esta cidade da Serra Geral abriga o ponto culminante habitado da região e paisagens de tirar o fôlego.

Um café com endereço garantido

A Denominação de Origem do café da Chapada Diamantina mostra como a Bahia passou a ter um produto reconhecido pelo selo mais exigente do país. Altitude, clima de montanha, colheita manual e secagem em terreiros criaram um café com características próprias, e cidades como Piatã ajudaram a construir essa fama. Agora, o nome da região no rótulo garante a origem e a qualidade do que chega à xícara.

Você precisa visitar Piatã, conhecer uma fazenda de café da Chapada e provar um café com o selo de origem para entender como as montanhas baianas ganharam lugar entre os melhores cafés do Brasil.

Tags: Bahiapiatã
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